10 de agosto de 2010

Marrocos – O pior (virão depois o melhor e as imagens – em jeito de quem come a bola com creme a toda a volta e deixa o creme para o fim)

À mesa

Desengane-se quem acredite que vai a Marrocos sentar-se à mesa e perder a cabeça. Os Marroquinos são tão pouco imaginativos e pobrezinhos de espírito que só sabem cozinhar batatas, cuscuz, courgettes, cenouras e uma carne que nunca viu frigorifico e que antes do tacho serve também o propósito de ornamentar as bermas de estrada e esplanadas e faz as maravilhas de todas as moscas locais. E depois espetam-lhe com tamanha quantidade de especiarias que ao fim e ao cabo acaba tudo a saber ao mesmo – pode ser saboroso, mas é monótono. E é isto o famoso Tagine Marroquino – depois de dois dias no território do país, só a palavra já enjoa.

Claro que tivemos algumas excepções e boas surpresas – restaurantes em zonas mais urbanas e turísticas – sendo que todos eles reuniam os seguintes requisitos: não serem geridos por Marroquinos, envolverem o mínimo possível a mão desleixada de Marroquinos e não servirem Tagine. Pois bem – o melhor que se consegue à mesa em Marrocos é uma mesa que nada tenha a ver com Marrocos.

(A falta d')As defesas

O guia bem avisava "no matter what you eat in Morocco, at some point of your trip you will have diarrhoea". É assim, está escrito, toca a todos. E quanto mais te convences que até tiveste cuidado, que vais mudar o rumo da história, que já passaram uns dias e vais-te mantendo integro – tu, que até disseste Não aos maravilhosos sumos de laranja natural espremidos por mãos que sabe Deus e servidos em copos que nunca viram água –, vais acabar por adoecer. Eu também lá também tive as minhas 24 horas para não me armar que sou diferente.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra

Depois de uma espécie de recorde alcançado – o de viver estoicamente 10 dias consecutivos em Agosto a uma simpática temperatura muito para lá dos 40° graus (nunca olhei para um termómetro para ficar sempre na dúvida se o calor era apenas impressão minha) e sempre pelo menos a umas 4 horas de distância do mar mais próximo – sonhámos com aqueles dias merecidos em que então desmaiaríamos quais heróis regressados a casa no areal imenso de Essaouira e mergulharíamos os nossos corpos sedentos de frescura nas águas frias do Atlântico.
Só que a bela tinha um grande senão – uma ventania insuportável capaz de mandar as Nortadas furibundas das praias do Norte para a fasquia de um ventinho fresquinho e agradável. Moral da história – passou-nos ao lado o facto daquele sítio ser o templo dos kitesurfers e dos windsurfers – o que para quem quer ocupar os seus dias na canseira do cá e lá entre a espreguiçadeira e o mar – convenhamos – não dá muito jeito.

E são estes os três "menos" da aventura Marroquina destas férias que agora esteja a ver. Contas feitas nem foi nada mau. E esperem até eu começar a falar do "mais, mais" - é uma lista que nunca mais acaba.

9 de agosto de 2010

Back in business

Estou de volta.

Confesso que hoje nem queria acreditar quando me vi de novo numa rotina casa-trabalho (e mais logo trabalho-casa) que só percebemos que é rotina quando vivemos em plena liberdade e somos felizes 17 maravilhosos dias, de mapa na mão e chinelo no pé.
Como padeço deste problema de neurite aguda pós-férias, creio que só lá para o final da semana conseguirei dizer qualquer coisa de jeito que não seja lamentar-me por ter que trabalhar e não poder viver dos rendimentos.
Sendo assim vou ali curar esta neura e já volto – sim?

2 de agosto de 2010

Os cisnes reais

Partilhar sala com uma britânica de gema tem-me proporcionado conhecer tradições curiosas da elite inglesa. Hoje aprendi que existem associações que atribuem aos seus membros certos direitos que remontam à época medieval (muito úteis nos dias que correm entenda-se) - tal como o direito de atravessar a London bridge com carneiros ou de ser proprietários de cisnes (esclareca-se que os cisnes por cá são um animal real). Por isso todos os anos decorre durante uma semana no rio Tamisa o "Swan upping", que é nada mais nada menos do que uma contagem de cisnes reais feita por senhores aristocráticos. Vejam mais sobre esta curiosidade se vos interessar aqui.

29 de julho de 2010

LL à descoberta dos autores britânicos

Depois de ter pedido uma sugestão aqui e do MysterOn me ter dado a conhecer o David Lodge, queria dizer-vos que valeu muito a pena e sugerir-vos que se lancem num dos muitos livros do senhor. Eu li (ou antes - absorvi sofregamente) o "Deaf Sentence" e adorei. Entretanto todas as sugestões que tenham - nao se acanhem, e eu agradeço.

26 de julho de 2010

Boa noite

Com um Punhado de estrelas algures do Norte de Africa



I was lying in my bed last night
staring at a ceiling full of stars
When suddenly it hit me
I just have to let you know how I feel

22 de julho de 2010

E entretanto

E desta feita vou ali a Marrocos inspirar-me e volto já.



Aceitam-se encomendas de especiarias e/ou tapetes e/ou quinquilharia variada (a taxas muito competitivas).

Entretanto deixei umas coisas agendadas para serem publicadas durante a minha ausência, para não deixar este canto entregue a si mesmo e totalmente silencioso.


Fiquem bem. Até lá.
LL

21 de julho de 2010

Está quase, quase

Féria
nome feminino
1. dia de semana
2. salário semanal do operário
3. rol, lista desses salários
4. [plural] dias feriados em que se suspendem os trabalhos oficiais
5. [plural] determinado número de dias consecutivos, destinados ao descanso de trabalhadores ou estudantes
6. [plural] figurado descanso
(Do lat. ferìa-, «dia de festa»)

20 de julho de 2010

That's how life is

Ter um problema doméstico era a última coisa que me podia acontecer em véspera de férias. Já passei uma hora em telefonemas sucessivos e não consegui evitar usar palavras chave como "poison" e "trap", o que fez com que o meu problema doméstico passasse a ser assunto do 25° de UBS. Já ouvi de tudo – desde que "é muito normal em Londres", que "eu até cresci no campo e não me importo nada" (vai lá viver p'ra casa então), que "há coisas piores" (a consolação recorrente para todos os males no mundo). Já houve debates se quem vai alombar com os custos devemos ser nós ou o senhorio (vamos ser nós mas eu até já me estou nas tintas). E já nem falo do gozo dos amigos e da família em mensagens e telefonemas vários. Obrigadinha a todos – sim?

19 de julho de 2010

Ainda sobre a amizade

Agora aqui sentada nesta secretária, entre papel e cabos e candeeiros e impressoras, para além da promessa de um fim de tarde vivido algures entre uma boa conversa e um copo meio vazio, meio cheio de uma coisa qualquer - mais uma daquelas promessas que deixo morrer do lado de lá da janela da minha sala sem tempo de honrar – e não fosse o calor teimoso que persistiu na pele não obstante os esforços de tentar compensar o exagero de um sol há tanto tempo adiado, já pouco restaria do fim-de-semana passado, senão algumas imagens captadas em fotografias e a memória vaga das conversas que se diluíram no arrastar lento e pesado de horas queimadas num lume deliciosamente brando e preguiçoso. E são esses vestígios de um momento bom vivido sem pressa entre amigos do agora e do depois, algures num recanto perdido na amplitude quente da Beira, que agora me pesam as pálpebras e me tiram as forças ao corpo, como uma resistência inglória em voltar à vida real, ainda que por uns escassos dias antes de pegar nas minhas coisinhas e partir de novo para uns dias mais de liberdade. Mas não sem antes me demorar um pouco mais por aqui esta noite, para deixar registado um obrigada à M., pelo momento e pela amizade.

16 de julho de 2010

No outro dia a minha flatmate perguntava-me se eu tinha alguma implicação especial com os brunchs dos restaurantes de Chelsea e Notting Hill. A explicação para correr para lá (quase) todos os fins-de-semana é porque não desiludem. E quem passa a semana a sonhar com uns bons eggs florentine não pode acabar desiludida. O ultimo fim-de-semana experimentamos o PJ's, em Chelsea – embora seja um pouco invernoso para um belo dia de Verão, prometi voltar a partir de Setembro para provar as coisas maravilhosas que vi passar para as outras mesas.

15 de julho de 2010

Um apontamento pragmático

A partir de ontem podem encontrar aqui ao lado uma "etiqueta" (passo a expressão à mente brilhante que se lembrou de designar isto assim) de Lugares e Sensações (a qualificação da "etiqueta" – sim – já é minha) onde reúno todas as impressões que vou tendo no que a restaurantes e experiências gastronómicas diz respeito. Dos que valem a pena, claro. De outro modo nunca os meus caros amigos se lembrariam de na véspera de uma escapadinha a Londres, andar a vaguear pela baralhação de ideias que anda por aqui, para aproveitar o que vale a pena. Ou que pode valer - não sei – há aí muitos guias à venda, mas eu prefiro sempre ouvir falar o garfo de um amigo.

E obrigada ao VV por me ter dado esta sugestão, ou não fosse pragmático o nome dele do meio.

14 de julho de 2010

Uma noite como outra qualquer

Esta pontada leve mas contínua no canto superior direito da cabeça não me deixa ignorar desde esta manhã que não devia ter bebido aquele último gole de vinho do Porto. Se calhar, o último copo também não me teria feito tanta falta assim. Mas que se lixe, o amanhã pode esperar e as amizades também se constroem em momentos assim: uma noite serena, uma varanda, uma garrafa de Dão e outra de Porto trazidas à socapa na mala de Portugal, um bocadinho de queijo aqui e mais uma coisinha ali, duas amigas, tantas estórias do passado, um presente que nada nos diz sobre o futuro. Só quando o relógio marca já a segunda hora do dia seguinte é que percebemos que a noção de tempo tem aqui uma dimensão diferente, mais vasta, mais imperativa, e por isso ontem à noite foi como se nos conhecêssemos desde sempre.

12 de julho de 2010

Comiseração

Há dias assim. Acordamos com os pés gelados, 5 minutos antes do despertador tocar. Enganamo-nos na torneira e não bastasse o choque da água gelada a lembrar-nos que temos um corpo que precisava do seu tempo para acordar, enfiamos com uma mão cheia de gel de banho de menta da cabeça. E quando finalmente aceitamos que os cereais esgotaram e que vamos ter que esperar 40 minutos e 3 linhas de um metro sufocante para comer qualquer coisa que se assemelhe a um pequeno almoço, já descemos 4 pisos do prédio e estamos a lançar a mão à maçaneta da porta da rua, altura em que percebemos que temos que voltar tudo atrás para recuperar o telemóvel esquecido algures entre um lençol mal esticado e as 3 alternativas de roupas que experimentámos naquela manhã. Sentir a primeira pinga a cair na cabeça e lembrarmo-nos que não só não trouxemos o guarda-chuva, como estamos de sandálias, pois afinal é Verão e não era suposto estar a chover. A meio da viagem esgota-se a bateria do iPOD e tentamos concentrar-nos em qualquer coisa animadora que nos distraia da lengalenga monótona e repetitiva dos transportes públicos desta cidade. Receber telefonemas que preferíamos não ter recebido. Apostar no cavalo errado para o almoço e ganhar como prémio uma mistela de vegetais meios crus e picantes o suficiente para nos causar uma úlcera no estômago. Dividir o café que se tentou tomar para dar um novo fôlego àquele dia entre a camisa branca acabada de estrear e a alcatifa imaculada do corredor mais concorrido do escritório. Estar prestes a acabar o que se está a fazer para fugir o mais que se pode de um dia infernal como aquele e alguém irromper pela nossa sala como se de um demónio de tratasse, a pedir uma coisa "urgente, se possível (mero exercício de retórica), para ainda esta tarde (quando o relógio marca as 6.30)" . Regressar a casa e não só encontrar a janela do quarto aberta como um grupo simpático de mosquitinhos ansiosos por passar connosco a noite.
Há dias assim, em que precisamos de nos convencer que há quem tenha dias piores.

9 de julho de 2010

Poet in the city

Subo pontualmente os 5 andares do prédio que separam a minha secretária do 30° piso e de uma vista desafogada onde – em dias raros de um sol como o de ontem – se consegue descobrir ao longe o emaranhado de cimento e vidro da City e - destacando-se como um troféu erguido com orgulho ao céu laranja fogo dos finais de tarde típicos do Verão Londrino - o singular Gherkin. Surpreende-me a quantidade de pessoas que respondeu ao chamamento literário lusófono e se deslocou a Canary Wharf para ouvir poemas declamados pela boca de poetas de cores e continentes diferentes, unidos por uma língua comum. No final da sessão de leitura, ninguém prescinde de um bom copo de vinho bebido ao som de uma guitarrada Portuguesa – cortesia dos anfitriões do evento - e tanto se demoram no aconchego daquele espaço, iluminado ainda por uma luz quente e tardia, que é com bastante dificuldade que a organização consegue dispersar a audiência, já a noite vai longa.
Eu – bem - eu estou ali por um acaso do destino. Um acaso de um mundo tão pequeno onde é possível acontecer um festival dedicado ao mundo lusófono em Londres, e, de entre os vários eventos, um vir a acontecer no edifício onde passo os meus dias e trazer um poeta que mais do que meu conterrâneo, era um grande amigo do meu avô. E por isso tive o privilégio de acompanhar o poeta no jantar que se seguiu e de conhecer pessoas tão díspares que dedicaram uma vida ao estudo da cultura portuguesa e que, quando falam de Pessoa, de Belo, de Régio, entre tantos outros, sabem bem do que estão a falar. Pessoas que conhecem os acordes e os poemas da música lusa, os contornos da nossa história e que nos engrandecem pela importância e valor que nos dão. Obrigada, Valter.

7 de julho de 2010

Constatação do dia

O meu domínio da informática parou naquela fase dos conhecimentos do Office na óptica do utilizador que tão bem ficavam no CV. Preciso urgentemente de ir passar uma temporada com jovens dos 10 aos 17 anos.

6 de julho de 2010

360°


O bar do restaurante Galvin at Windows fica no 28° piso do Hilton e tem uma vista de 360° sobre a cidade que dificilmente encontrará rival noutro prédio da cidade. Nunca me fascinou muito o ambiente de bar de hotel, nem pagar por um cocktail o preço de um jantar, mas sem dúvida que vale a pena ir lá espreitar.

5 de julho de 2010

Eu e o Croquet


Bastaram umas horas intensivas de treino e alguma (muita!) boa vontade dos meus parceiros de jogo para me sentir um ás desta coisa. Agora daqui para os jardins de HM há-de ser um instantinho.

2 de julho de 2010

Quando o tempo nos ensina a estar errados

No dia em que recebi a notícia que iria deixar de partilhar sala no escritório com uma Argentina sonora e sorridente como eu, para passar a estar à volta de 12 horas fechada numa sala com uma britânica de gema, super posh, super polite, super tudo – achei que não só a minha, mas as nossas vidas se iam tornar num pequeno inferno a partir dali por incompatibilidade de convivência e de feitios. Aliás, eu tinha a certeza que isso ia acontecer. Sonhava com isso. Imaginava-me durante um longo ano amordaçada e cinzenta como as roupas que ela usava e não vislumbrava outra possibilidade de escapar a tal sorte senão tornar-me de tal modo insuportável que fosse necessária intervenção superior (ou divina, quem sabe) para repor a normalidade às nossas vidas.
E o tempo foi passando e foram-se somando horas de convivência forçada, no início silenciosa, depois pontuada com uns pequenos gestos cordiais. As primeiras conversas pessoais surgiram tão naturalmente que nem me apercebi a evolução que era uma inglesa partilhar comigo coisas do seu mundo íntimo fora das 4 paredes de UBS. Hoje ela brinca com o meu timbre de voz e com as minhas trapalhices gramaticais, como eu gozo com o facto dela nunca ter ido a Camden Town e achar que Londres são as casinhas brancas e betinhas de West London.
E a prova de que as circunstâncias da vida e as pessoas nos podem surpreender, será eu estar amanhã a entrar num comboio em direcção a algures na periferia de Londres, a caminho de uma casa de família inglesa para a "festa anual" da família, onde se joga cricket, se bebe chá às 5 da tarde, se janta e acampa por lá. Há 4 meses atrás isto seria ficção ou algo mais perto de um filme cómico, hoje fico feliz por ter deixado que a vida me surpreendesse e mostrasse que posso estar errada, mais desta vez.

1 de julho de 2010

Sabem aquela sensação

de gostar daquilo que não se entende?
Pois. É o que sinto em relação a esta música. E se calhar em relação a tantas outras coisas.

30 de junho de 2010

Valeu rapazes....

Encontrámo-nos no Café Kick em Exmouth Market 30 minutos antes da hora do jogo. Não podia ser mais oportuna a escolha do local naquela noite – é ali mesmo ao lado de casa que se bebe Super Bock fresquinha e se prometem em letras garrafais o melhor prego no pão e o autêntico pastel de nata.
Nem o calor sufocante nem a exiguidade do espaço demovem aquelas almas esperançadas lusas que cantam inflamadas e a plenos pulmões o hino que as une e naquele momento ninguém tem dúvidas que vamos levar a melhor no tão aguardado duelo ibérico – pelo menos ali conseguimos que os espanhóis mal se façam ouvir.
Ao intervalo a massa de adeptos nervosos e dos apenas curiosos já ultrapassa a porta e espalha-se cá fora por onde der, olhos postos concentrados no mesmo relvado. Mas a promessa de glória dissipa-se por ali, nos 45 minutos que se seguem. E a certa altura eram já os ingleses a dar pancadinhas nas costas de portugueses destroçados, como se a comiseração pela derrota alheia lhes confortasse também o orgulho ainda ferido das quatro facadas alemãs.
Acabámos a jantar numa esplanada como se quer nestas noites quentes de Verão em Londres. Já não se fala de futebol nem se decide o onde e o a que horas do próximo jogo. Bem que este entusiasmo nacional podia ter durado mais uns tempos, mas enquanto foi, lá isso valeu…

29 de junho de 2010

Como se vive desde domingo o Mundial 2010 no n.° 10 de UBS – os factos

As referências ao mundial e à selecção inglesa desapareceram subitamente dos emails trocados internamente e com clientes.
Os cup cakes com a cruz vermelha no topo que se vendiam como ginjas no bar parece que começaram a causar amargos de boca.
As televisões do restaurante começaram a passar noticiários e documentários com 10 anos de idade sobre tribos na amazónia e golfinhos à hora dos jogos.
De repente toda a gente se interessa por cricket.
Recuperou-se o velho hábito de trabalhar entre as 7pm e as 10pm.
O Kompensan® e outros do género para a azia esgotaram no Boots aqui por baixo.

25 de junho de 2010

É por aqui que agora se celebra a lusofonia

O City of London Festival (http://www.colf.org/about-the-festival.cfm) surgiu pela primeira vez no Verão de 1962 com o objectivo de trazer uma dinâmica diferente à cidade durante algumas semanas, celebrando a arte nas suas mais variadas formas e chamando as pessoas para um encontro informal com essa arte quer nas ruas, quer nas várias salas de espectáculos da cidade. (Provavelmente não se trata de uma coincidência, mas) 48 anos depois o tema do festival é "the portuguese speaking world" e acho que quando andavam a convidar os embaixadores do evento eu devia ter o telefone desligado ou no silêncio.
A agenda do festival inclui fado & guitarra portuguesa, gastronomia e vinhos portugueses, filmes de realizadores nacionais, workshops, fóruns de literatura e tantas outras coisas que transpiram a nossa cultura e a dos povos que partilham connosco a língua de Camões. E o mundo é uma ervilha tão pequenina que o meu escritório vai receber no seu edifício - na qualidade de patrocinador – um fórum de literatura de um escritor meu conterrâneo.
Portanto já sabem – se aparecerem por cá até meados de Julho, não deixem de ir espreitar qualquer um dos programas porque vai valer a pena.

E também integrado no evento, o conceito mais engraçado de "arte para todos" – chama-se "Play me I'm yours" (http://www.streetpianos.com/london2009/), e são nada mais nada menos do que 30 pianos espalhados pela cidade para quem quiser tocar! É toda uma cidade a fervilhar no Verão!



24 de junho de 2010

Já não me bastava

O café, os cigarros gregos de mentol, roer as unhas e outras coisas do género, agora descobri as Wasabi peas. E desde então são 200g por dia, dificilmente menos. Odeio esta minha facilidade de apanhar vícios.

23 de junho de 2010

7-0

Não tive oportunidade de ver o jogo. Mas deu-me um gozo bestial andar a mostrar os 7 dedinhos aos meus amigos ingleses.

22 de junho de 2010

Restaurantes & coisas

Quando se trata de visitas a coisa fica mais séria e as escolhas de restaurantes, pubs e afins têm que ser mais certeiras… Muitos dos sítios por onde passamos este fim-de-semana também eram novos para mim, mas as sugestões eram (tanto ou mais) avisadas (do que aquelas que eu pudesse dar) e cada um dos momentos à mesa acabou por ser uma excelente surpresa.

The Modern Pantry
Há sempre aquela ideia pré-concebida de que os sítios que ficam mesmo debaixo do nosso nariz não devem ser nada de especial. Talvez porque associamos a qualidade a uma espécie de recompensa por um esforço qualquer – como atravessar a cidade de lés-a-lés e passar as passas do Algarve no metro de Londres ao fim-de-semana para ter direito a jantar num bom restaurante.
Mas este restaurante fica ridiculamente perto da minha casa, no primeiro andar de um prédio todo bonitinho com uma vista privilegiada para uma praça simpática ali à frente. Não se trata de uma daquelas cadeias que não traz nada de novo ao paladar, mas um restaurante único onde se servem pratos de autor que vão variando consoante a vontade da chef e o que se vende no mercado. Com um preço ligeiramente acima da media – como se espera num sitio que nada tem de medíocre – mas cuja experiência vale cada penny que se deixa ali.

The Electric Brasserie
Era mesmo isto que nós desejávamos: (i) um prato que reunisse coisas tão improváveis quanto calóricas para confortar a alma a um domingo de manhã depois de uma longa noite, (ii) uma esplanada para ver a banda passar e (iii) visitar West London. Ora nem mais, acertámos em cheio. Mais um sitio de brunch para somar à lista em Portobello Road.

Founders Arms
Não estava muito convencida de que fosse necessário atravessar uma ponte e fazer 30 minutos de transportes para encontrar um bom pub em Londres, mas retirei o que disse nos primeiros 2 segundos em que lá cheguei. Eu apelidaria este pub como "the view" por razões óbvias. Imaginem agora o fim de uma tarde fantástica de sol e uma boa conversa acompanhada de uma selecção de cervejas de todo o mundo em cima da mesa. O jogo do Brasil perdeu todo o destaque visto naquele pub, não haja dúvida.

18 de junho de 2010

E o que acontece quando nos juntamos os 5?

Não sei. Mas é o que vamos ver este fim-de-semana. Isto promete com a chegada dos primos Melos a Londres!

Bom fim-de-semana

17 de junho de 2010

The Swan Lake

No interregno entre umas semanas de trabalho alucinante e o começo de outra saga de trabalho alucinante, lá tive tempo de ir (calmamente, sem atropelos e sobressaltos) ver um bailado e – imaginem lá a sorte – até consegui chegar a tempo de ver as duas partes dentro da sala, sentadinha no lugar pelo qual tinha pago.
Mais uma vez fiquei fascinada, incapaz de me segurar encostada na cadeira sossegada, na tentativa de absorver cada detalhe e não perder pitada. Fico sempre dividida entre apreciar o ritmo sincopado dos arcos dos violinos da orquestra ou o que se passa no palco, mas desta vez foi mesmo impossível ficar indiferente àqueles bailarinos (segundo a minha humilde opinião) tão fantásticos. Cinco estrelas para o local - Royal Albert Hall (http://www.royalalberthall.com/about/virtual-tour/default.aspx) – uma sala verdadeiramente de cortar a respiração.


16 de junho de 2010

E eu ate já tinha planeado fazer um post assim....

Se eu podia não estar presente no RIL 2010? Podia, mas não era a mesma coisa...


Não se pode ter tudo, olha! Boa sorte rapazes!

15 de junho de 2010

O dia em que fui à ópera

…e não cheguei a tempo.

Tinha comprado os bilhetes dois meses antes, depois de uns bons dias a pensar o qual, o quando e o quanto – já que escolher uma ópera não é assim por da cá aquela palha. Lá me decidi pela Royal Opera House e pela Le nozze di Figaro, de Mozart e afixei religiosamente no meu placard ao lado do computador o comprovativo do bilhete como quem não quer que se dilua no tempo a solenidade do momento. E embora o critério de escolha dos lugares tenha sido a fasquia dos 3 dígitos, até que ficámos numa localização bem digna e até diria que (o que) vi tão bem como aquelas senhoras de estola que se sentavam importantes na fila da frente. Tudo muito bem até ao dia em que o meu Outlook me relembra que dois dias depois é dia de ópera. E eu como personagem principal de uma das piores semanas profissionais da minha vida. Foram 3 dias de um jogo de cintura criativo para tentar convencer tudo e todos que naquela 4f eu não faria assim tanta falta a ninguém e que o mundo continuaria a ser o que é, ainda que eu cometesse a loucura de ir a uma ópera às 7 da tarde. E as minhas preces foram ouvidas, estava tudo a postos para a minha ida. Chegam as 6.30 e eu corro para o elevador, apresso a descida dos 25 pisos como posso, lanço-me loucamente em direcção ao metro por entre pessoas preguiçosas nas escadas e nos corredores, tentando evitar todos os factores externos que pudessem desacelerar a minha maratona. Chego – enfim – à ROH. O meu relógio marca as 7 em ponto. Disfarço a minha sofreguidão até à bilheteira – ainda tenho que levantar os bilhetes e não quero que se duvide sequer da minha legitimidade para receber os bilhetes e assistir à opera. Bilhetes em punho dirijo-me triunfante para a porta e eis senão quando um daqueles senhores que adora a profissão que tem (barrar a entrada de pessoas que já tiveram um dia de merda, se esforçaram tanto para chegar ali e acabam por morrer na praia) me diz que infelizmente o primeiro acto começou há 5 minutos e eu não posso entrar. (.....) Por melhor que eu escrevesse, não conseguiria descrever o que senti naquele momento. Raiva? Desilusão? Irritação? Tudo isso. Mas ainda tentei… "Vá lá, deixe-me lá entrar… tenho ideia que o meu lugar é assim num cantinho…ninguém vai dar por nada, prometo… pleaaaaaseeee", mas a minha esperança esvai-se quando os atrasados seguintes acatam serenamente a nega, ao melhor estilo britânico. E lá fui eu, furiosa na minha inconformidade lusa até um andar esquecido e pobre daquele belo edifício, assistir ao primeiro acto por uma televisão. Eu e mais uma dezena de totós como eu. Certamente advogados. Uma hora e meia a assistir à obra prima de Mozart pela televisão.

14 de junho de 2010

Ora então foi assim

Desengane-se quem achava que - ainda que debaixo de agua - eu não arranjava um tempinho para dar umas escapadelas e somar mais alguns à lista.

As últimas tendências de fim-de-semana têm apontado mais para West London e por isso as propostas em baixo são tão posh, quanto valem a pena atravessar a cidade para lá chegar.

Tom's Kitchen - Chelsea
Aquele sitio que pretende ser despretensioso mas que rapidamente se percebe que não é. A decoração é clean e simples, mas os pequenos pormenores fazem a diferença e tornam aquele sitio um must go. Nas mesas ao lado as amas a cuidar dos meninos loirinhos e perfeitinhos enquanto as mães lêem as ultimas revistas de gossip vestidas pelas marcas caras dos pés à cabeça, mas supostamente descontraídas e desalinhadas. Pela lista achei que aquilo vale mesmo a pena pelo brunch, mas convém estar preparado para pagar pelos eggs benedict o preço de serem postos pela galinha dos ovos de ouro.

Chelsea Farmers Market
Não posso dizer que estive mesmo lá - ou posso dizer que estive quase lá - mas uma hora de fila já me dá direito a dizer qualquer coisa sobre o assunto. Acabamos por ir almoçar na porta ao lado (muito frequente quando não se marca mesa nos bons sítios em Londres), mas aquela esplanada, a musica a dispor bem, as jarras de sangria a passar, deixaram-me com muita, muita vontade de lá voltar. E da próxima vez para experimentar.

E ainda….

Bocca di Lupo
Fica em pleno Soho por isso é conveniente para quem quer fazer a ronda dos bares por ali. Um italiano de nível acima da média, mas que infelizmente se paga a preço de topo. Não fosse isso só tinha a dizer bem.

Barrio North
E voltando à minha tão amada East London: este bar fica em Angel, numa rua de bares porta sim, porta sim, mas este percebe-se claramente que é o mais concorrido. E o motivo é facilmente identificável – este bar é descontraído, tem musica gira e uma auto caravana lá dentro. Bons motivos para se passar ali um bom bocado, portanto. Fecha à 1am por isso convém aparecer cedo.

11 de junho de 2010

Cheguei

com vida ao fim-de-semana.

Esta semana foi uma semana muito difícil e em que cresci uns centímetros mais como advogada e como pessoa. Eu não diria que é às vezes (como se costuma dizer) mas SEMPRE que temos que passar pelo extremo para sermos forçados a dar um passo em frente e arriscarmos mais, sermos mais certeiros, mais confiantes. As dores de crescimento doem muito. E é um misto de desafio e angústia pensar que nesta profissão as dores de crescimento nunca passam pois nunca se chega a uma zona de conforto em que se pode meter a viola no saco e pensar que dali para cima não há mais. Mas é por isso mesmo que eu amo aquilo que faço. Sou um ser que vive da adrenalina, que precisa de a sentir nas veias para ter a certeza que há vida em mim. Só que em alturas como esta - quando se acumula o cansaço, a irritação, a impaciência e o desespero - tenho que repetir muitas vezes de mim para mim o quanto gosto do que faço e lembrar-me que não seria feliz a fazer outra coisa qualquer para não arrumar as minhas coisinhas e ir vender ilusões para um pais com sol e praia e liberdade e ar puro a iluminar-me o rosto. Mas isso são mesmo ilusões. Porque no momento a seguir, em que faço o balanço disto tudo, fico em pulgas para saber como será a próxima. É uma espécie de um vicio que nos move. E foram os pequenos gestos de amizade, de apoio, de desenrasca-me aqui esta coisinha que estou aflita que me fizeram pela primeira vez sentir-me verdadeiramente parte desta família. Uma família grande, distante, individualista, com os seus defeitos como todas as famílias que se prezam. Não como a minha família portuguesa da Duarte Pacheco, mas uma família. E a prova disso é o copo que vou tomar logo à noite como sinal de que quem mora ao lado pode parecer distraído mas repara que precisas de beber um belo de um copo no fim de uma semana destas para esquecer. E celebrar.

Bom fim-de-semana
LL

9 de junho de 2010

A room with a view

Londres no fim da tarde de ontem

8 de junho de 2010

Swamped...

Eu gostava de ter tempo para vir aqui dizer uma graçola como deve ser, fazer as continhas do que anda a acontecer por cá, dizer-vos que amanhã vou à opera se conseguir fugir daqui sem que ninguem me veja – enfim - pedir-vos que não desistam de mim porque eu estou atolada mas um dia destes volto para escrever algo mais interessante do que uns míseros posts de duas linhas. Até lá torçam por mim (ainda não me chegou ao escritório nenhuma das encomendas que fiz aqui).

7 de junho de 2010

Dilema feminino

Porquê que na véspera de cortar o cabelo, acho sempre que ele está fantástico, super espectacular, melhor que nunca e que me vou arrepender de lhe pôr com as tesourinhas para todo o sempre?
Mas nem isso me demoveu e agora sim – pareço uma verdadeira bifa e (segundo opiniões avisadas e amigas) uns 5 aninhos mais nova. Fixe.

4 de junho de 2010

Nozes a mais podem dar cabo dos dentes

 Sat




26°C | 14°

Sun




19° | 14°C
                                                                                                    
Não se pode ter tudo é verdade. E já me tinham avisado que em Londres era assim, que a Primavera nunca chega para sempre e que o Verão é coisa para países que vivem perto do coração do S. Pedro.

2 de junho de 2010

4


Esta fotografia dispensa explicações. Se um dia esta pequena se lembrar de ler as coisas que a tia escreveu, pelo menos vai perceber que mesmo à distância fiz questão de estar presente. E este sorriso já fez o meu dia.

1 de junho de 2010

As coisas que esta cidade me põe a fazer

Ir ver esta noite o SATC 2 com 6 gajas (o que eu não gozei com as que foram ver o 1 em grupinhos de 4)

Ir ao Capital FM Summertime Ball a Wembley no próximo domingo (depois de ter comprado os bilhetes naquela, sem me questionar antes quem eram aquelas pessoas que eu ia ouvir – e chegar à conclusão que nasceram todos no X Factor)

28 de maio de 2010

Love never dies


É verdade. E é esta noite. Mais um musical - desta vez um presente inesperado!

É justo

Durante a semana esfalfo-me no ginásio e à sexta estrago tudo com fish n chips. Mas vou feliz de fim-de-semana.

27 de maio de 2010

Eh pa, nem assinalei...

Esta semana foram já 4 os meses que cá estou. 120 longos dias. 2880 horas, sendo que não foram assim tantas aquelas que passei a dormir. Só me lembro de festejar meses de qualquer coisa até ao meu primeiro ano de vida e quando um mês a mais com um namorado era uma eternidade. Pensei que só voltaria a contar meses quando estivesse para ser mãe.

26 de maio de 2010

Toma lá um bb e não digas que vais daqui

O gajo que inventou o BlackBerry® das duas uma – ou tinha mesmo a clara intenção de chatear ou nunca tinha tido a infeliz ideia de ser advogado. Não pode passar muito daí – ou era mauzinho ou ingénuo. E é que esta raiva momentânea não se trata de ainda não me ter habituado a nunca "sair" verdadeiramente do escritório e a "entrar" com o mesmo à vontade com que aquela luz vermelha me manda trabalhar esteja eu onde estiver. Mas hoje foi demais – ainda não estava completamente acordada (eram umas 7 da matina, não pensem que eu ando a ter uma vida fácil cá! Ok, ok… umas 7.30… a ir para as 7.45, vá!) – e já tinha um pedido urgente do outro lado da linha, de alguém que faz um horário das 6 às 4 e acha que os advogados são pau para toda a obra… e a toda a hora! BTW, alguém me sabe dizer se ainda há escritórios de advogados que trabalhem com telefone fixo e máquina de escrever?

25 de maio de 2010

Estou sem ideias

Preciso de sugestões para o próximo livro que vou comprar hoje ao fim da tarde à Waterstones.

Ficarei profundamente desiludida se não tiverem nada para opinar até então.

24 de maio de 2010

Em duas penadas

4 dias e 4 aviões depois diz que tenho uma obstrução tubar, o que trocado por miúdos significa que estou surda que nem uma porta do ouvido direito deste quinta-feira. Mas eu não sou cá gaja para me deixar intimidar por um tímpano ressabiado e por isso foi um fartote de coisas giras este fds – da Lagoa do Fogo, à Caldeira Velha, uma viagem atribulada de carro pelas ruas de S. Miguel, passando pelos copinhos de licor de maracujá bebidos à pressa numa roulotte de berma de estrada, acompanhados de um cigarro-bomba Além Mar e de uma conversa incompreensível com um Açoriano que – muito simpático, muito simpático – conseguiu que ardêssemos logo ali todos os trocos que trazíamos nos bolsos. Tive até direito a cantar no palco de um Coliseu, coisa que certamente não me voltará a acontecer na vida.

19 de maio de 2010

Londres – Lisboa – Ponta Delgada – Lisboa – Londres

Foram 28 anos a fazer um esforço tremendo por engolir 12 passas todo o santo ano novo e a bater na mesma tecla de querer viajar muito, muito no ano seguinte que_eu_sou_uma_gaja_porreira_e_trabalhadeira_que_no_fundo_merece. Parece que foi em Salamanca que as minhas preces se fizeram ouvir e por isso decidiram fazer-me a vontade este ano para eu ficar satisfeita e não chatear mais.

Açores, São Miguel, mais precisamente Ponta Delgada – aí vou eu! Não prometo o cozido das furnas mas um mergulho na Lagoa do Fogo isso é que vai. Ai vai, vai.















Até para a semana!

18 de maio de 2010

Mais dois

Gente,

Sabem como é, isto já faz parte – aqui vão mais dois barzitos por onde passeei a minha alegria recentemente para o caso de não saberem onde ir no próximo sábado à noite.

La Stanza
Fica ali perto de Picadilly e serve para fazer a festa mas não aquece nem arrefece. Tem um pátio simpático para fumadores com uns aquecedorzinhos maravilhosos o que subiu 10 valores na minha consideração. Ainda conseguimos meter água com um porteiro que era brasileiro, enquanto eu era fortemente gozada por andar de bilhete de identidade (ficam avisados que quem não tem um CC está out).

Fuel
Restaurante & Bar em pleno Covent Garden. O restaurante fica numa cave labiríntica (depois de umas horas algo claustrofóbica) mas decorada com originalidade o que faz esquecer a profundidade da coisa. No andar superior o bar com uma varanda para o mercado (aquecedores + cigarrinho = gostei), para aquelas noites em que apetece estar a ver a banda a passar.

17 de maio de 2010

E depois há dias como este

em que sinto que vale a pena.

16 de maio de 2010

Três boas razões para estar com uma valente neura

É domingo, está um dia daqueles em que não chove nem deixa chover e eu aqui fechada a trabalhar.

15 de maio de 2010

One man show



Um homem. Uma guitarra. Um plateia extensa, mas silenciosa. Um sala imponente. Um atmosfera mágica. Foi hoje no Royal Festival Hall o concerto em relação ao qual não guardava muitas expectativas mas que me surpreendeu grandemente. Nunca imaginei que este senhor enchesse uma sala daquelas. Uma plateia rendida à sua figura singela, perdida, frágil - até - no meio daquele palco ostensivamente grande para ser ocupado por uma pessoa apenas. E a sua guitarra. Os acordes soavam de uma tranquilidade contagiante, apenas quebrada pelos aplausos que soavam imediatos e seguros no final de cada música. Acho que posso dizer que foi o primeiro concerto em que estive comigo mesma. E gostei.

14 de maio de 2010

Um obrigada à Ana e ao Diogo por terem aceite o desafio que lhes lancei... e por terem partilhado comigo (e convosco) o que viram e sentiram nesta cidade

"Fifty Five to...

Este poderia ser um qualquer destino que um 55 nos levasse... mas não, não é um destino qualquer...
Estamos em Londres, em Heathrow... quis um vulcão que nos mudássemos para cá.
Já contabilizamos mais de 10 horas entre atrasos sucessivos, cancelamentos inesperados..
Já foi dia... e entretanto ficou de noite!
Está a chegar ao fim, se novo ajuste horário não se verificar, aqueles que foram os 4 dias mais divertidos da nossa 1ª experiência europeia juntos!
Chegamos a Stansted com muita vontade e mapa na mão...
Palmilhamos Km's... vimos tudo, mesmo quase tudo que Londres tem para nos mostrar.
Passamos o Tate Britain, acertamos a hora no Big Ben, atravessamos a Westminster para ver de perto o London Eye. Vimos as figuras de cera, entrámos no museu de Historia Natural e rendemo-nos ao palácio da rainha. Passeámos em Notting Hill, lanchámos em Marylbone...sentimos a loucura de Oxford Street e ai lambuzámo-nos na melhor waffle do mundo. Descemos a Regent's Street até Picadilly Circus... Estivemos em Convent Garden... vimos os mais Punks de Camden Town... Pelo canal chegamos ao Regent's Park. Degustamos no Borough Market... e jantamos no Ping Pong, no Wahaca e no Pho.. Subimos a Primrose Hill e ainda houve tempo para passar em St.Paul's Cathedral e pela ponte Millennium chegamos ao Tate... Foram muitas linhas de metro, muitas de bus... mas uma foi especial...

Festejamos a vitoria do Benfica na muito Tuga Stockwell Road (teve mesmo de ser)... com direito a tremoço e bolinho de bacalhau...
Andámos Km's, corremos metros... e fomos fortemente contagiados pela alegria da nossa anfitriã.

......

Não fossem ter passado mais 24 horas desde a hora em que começamos a escrever isto.. e já estamos em Portugal, poderia estar em busca de um 55 para um novo destino.. o que ele nos quisesse levar...

Fifty Five to... Leyton - Bakers Arms!

P.S O voo foi cancelado mais uma vez... Dormimos num hotel.. voltamos para o aeroporto.. saíram muitos aviões até finalmente aterrarmos em Lisboa.
Ficam saudades, muitas fotografias e um monte de histórias para contar...

Ana e Diogo
"

13 de maio de 2010

E é verdade

Quando me perguntam no elevador como vai a moral do meu país com cortes nos ratings, inflação, aumento dos impostos e congelamento dos salários, pena que eu só tenha tempo de explicar aquela parte de estarmos todos satisfeitos porque o SLB foi campeão e o Papa está hoje em Fátima.

12 de maio de 2010

A verdade dos números

A primeira minoria desde 1974
5 dias de negociações
A primeira coligação depois de 70 anos
O PM britânico mais jovem dos últimos 200 anos
Primeiro PM conservador depois de 13 anos de poder trabalhista
Conservadores afastam Trabalhistas pela primeira vez em 30 anos

Parece que cheguei no episódio mais emocionante da política britânica.

E por falar em duas coisas que não têm nada a ver

Outro musical já cá canta. Os meninos escolheram. A menina fez a vontade. E não é que desta vez os rapazes cantavam que se fartavam. Até eu – emocionei-me e cantei tanto e a plenos pulmões esta aqui, que sai de lá feita em Scaramouche.



E ainda... uma surpresa com sotaque português

O Viajante abriu há 1 mês em Londres. Fica em East End, numa rua que mete dó de má mas num edifício que só pode ter sido estacionado ali ao engano. Por isso até a escolha do local surpreende. O Nuno é o chef com sangue luso, que andou pelos Estados Unidos e pela Europa a ver como se faz a coisa à séria e deve ter sido nos tempos que passou a apanhar na cabeça do Sr. Adrià no El Bulli que aprendeu a fazer aquelas granizadas e outras coisas tão boas de se bradar aos céus. Cinco estrelas (bem pagas no final – esclareça-se).

11 de maio de 2010

i num instante tudo muda

De repente uma enxurrada de trabalho se abate sobre o 25° de UB Street. Cheira-me que a minha vida vai tornar-se rapidamente num pequeno pesadelo, mesmo a tempo de me lixar o Verão. Quem quiser demonstrar o seu apoio que o faça agora – se estiverem parcos de ideias – eu acharia simpático receber umas postitas de bacalhau e bom vinho tinto português. Douro, de preferência!

10 de maio de 2010

O jogo do título

Aconteceu ontem, numa rua esquecida para lá do rio, onde não é preciso estar muito atento para se perceber que é ali que se vive à Portuguesa. Hesitámos entre o café Sintra e o Cantinho de Portugal, mas as minis e o bolinho de bacalhau estavam garantidos em qualquer um dos dois. Pelo caminho, o café do Barros, uns quantos anúncios Delta e muitas, muitas bandeiras do SLB. Depois de passado o susto com o golo que o meu Rio Ave fez o favor de marcar, a festa fez-se. Com o Zé do bombo e o Tone indeciso entre a corneta e o apito, vestidos a rigor nos seus melhores fatos-de-treino tactel e um Quim Barreiros a cantar qualquer coisa ordinária numa coluna algures por ali. Foi a festa vermelha em Stockwell.

7 de maio de 2010

Momento revelação

Hoje vi uma inglesa chorar. Durou 30 segundos e depois foi como se nada tivesse acontecido. É certo. Mas ainda assim consegue ser tão inverosímil como um bacalhau com asas a voar.

E os próximos são.....

A AI e o D chegaram a Londres ontem e cheios de vontade de absorver esta cidade. E eu cá estou para fazer o meu papel bem feitinho e conseguir que eles saiam daqui a sentir-se um pouco londoners. À terceira ilustre visita, a sala lá de casa passa a qualificar oficialmente como quarto de hóspedes e eu como guia turística especializada – por isso agarrem já na vossa prancha e venham surfar para o nosso sofá porque a lotação começa a ficar esgotada!

6 de maio de 2010

Polling Day

Hoje é o dia dos britânicos irem às urnas. O escritório apressou-se a "pedir" para não tentarmos aceder aos sites de vídeo para acompanhar os resultados, para "não causar lentidão acrescida no sistema".
Gostava mesmo de saber como seriam em Portugal umas eleições à quinta-feira.

5 de maio de 2010

O 30 de Abril em Amesterdão - As impressões

O dia da Rainha consegue fazer na Holanda aquilo que nós nunca conseguimos em Portugal – uma festa que os une num forte sentimento de nacionalismo e em que celebram precisamente o facto de serem holandeses. Em Portugal, não fosse o futebol e a feliz coincidência de nos termos aguentado até à final do Euro 2004 – não me recordaria de termos celebrado sem bairrismos à mistura as cores da nossa bandeira. E ainda assim foi preciso vir um brasileiro lembrar-nos disso.
Agora imaginem uma cidade pintada de laranja, milhares de pessoas a chegarem vindas de todo o lado cada uma com um adereço laranja mais original do que a outra, palcos montados em cada esquina, músicos e bandas espontâneas por todo o lado, bebida – muita – bebida, canais pejados de barcos cada um com a sua música e a completar o ramalhete: os holandeses – um povo que, entenda-se, não deixa nada a dever à galhofa. A festa começa às 7 horas de um dia e acaba na madrugada do segundo dia depois. Isso mesmo, perceberam bem. São aí umas 36 horas de gente a vaguear ininterruptamente nas ruas, a fazer as coisas mais doidas que possam imaginar. Bem-vindos a Amesterdão no(s) dia(s) da Rainha.
A primeira noite foi passada - se não totalmente – grande parte em claro. Vozes, gargalhadas, música, cornetas, garrafas a partir – a começar, os holandeses gostam de começar em grande e dormir é para os fraquinhos. Às 10 da manhã do dia seguinte já estava na rua e nem queria acreditar quando me vi (às 10 da manha não se esqueçam) numa grande praça onde estava a acontecer uma rave e onde se reunia o maior número de gente passada por metro quadrado. Juro que pensei que ia ver muitos caídos pelas ruas ao longo daquele dia quando os vi alegremente a dançar em cima de paragens de autocarro, pendurados em estátuas, em varandas como se não houvesse amanhã… enfim, o diabo a quatro. Mas não pensem que a mesma loucura se reproduzia em toda a cidade – era possível escolher entre estar nas zonas calmas e elitistas, a ouvir umas musiquinhas in, beber Moet e comer ostras, como saltar para as ruas hard core e confiar no destino.
Para além disto, no dia da Rainha os holandeses abrem a porta de casa e vendem tudo o que lhes dá na real gana, ali mesmo: roupas usadas, mobílias, home made food, bebidas, tralha e mais tralha. Alguns punham os filhos a tocar ou a fazer qualquer graçola e – sem dúvida – conquistavam uma grande assistência e uns trocos extra para patrocinar os copos. Todos participam na festa.
No fim (sim, ficar um dia depois permite ver o "resultado" de tamanho empreendimento) a cidade ficou completamente virada do avesso, lixo por todo o lado, parecia que tinha acontecido ali uma guerra civil. Mas os holandeses não pareceram preocupar-se muito com isso: não vi um varredor, um carro vassoura a tentar devolver apressadamente a dignidade à cidade. Talvez nisso eles sejam parecidos connosco – primeiro há que curar a ressaca, afinal, o que há mais é tempo para apanhar os foguetes.

28 de abril de 2010

Vou ali a um aniversario e já venho

Ela insistiu. Nós ainda nos fizemos de caros e ponderámos recusar o convite. Dizem que é muita gente, muita animação, espectáculos, música, teatro… enfim, uma verdadeira chatice. Vamos lá fazer o frete só porque afinal a minha missão também inclui lançar charme para as monarquias vizinhas. Por isso podem mandar avisar a Rainha que vamos chegar amanhã, ainda a tempo para jantar. E espero na sexta-feira estar a beber algo espirituoso num destes enquanto brindo à sua saudinha. Bem-haja a todos e boas férias para mim.


27 de abril de 2010

Em Roma sê Romano (ainda que não vejas grande motivo para o ser)

Fiquei indecisa se não deveria chamar a isto uma constatação. Constatação de que podemos ter uma cabecinha muito sã, muito sã, mas depois de um certo tempo a levar com a cultura do absurdo, corremos o rico do absurdo passar a fazer-nos sentido.
A minha questão é mesmo esta – não sei como hei-de adjectivá-la: histérica, croma, totó, estúpida? – mania institucionalizada de cada um almoçar à sua secretária - qual ser errante, infeliz, solitário e eternamente atolado até aos olhos de trabalho. Até quase que dá para ter pena. Mas não. Vai-se a ver e estão no facebook a postar qualquer coisa que os faça sentir super sociais e sociáveis ou a twittar qualquer pensamento inútil. Só se compreende que este seja um processo de "desaprendizagem" a estar e a ter um motivo de conversa que desperte interesse nos outros mais de 30 segundos (mais ou menos o tempo que demora o elevador a chegar ao 25°) ou rectificando – mais de 30 segundos sem umas boas pints no bucho. Deve fazer parte, depois de uns anos a trabalhar, perderem-se certas faculdades menos_habilitantes_para _um _exercicio_paranoico_do_trabalho.No outro dia ouvi uma colega a justificar a outra que almoçava todos os dias na secretaria não porque tivesse sempre muito trabalho, mas porque lhe custava estar "mais de 10 minutos longe dos papeis e do email". No comments.
Ainda que recuse aceitar que não encontraria bons motivos para uma boa conversa numa esplanada num dia de sol como o de hoje, o certo é que optei por ficar aqui, a escrever sobre o absurdo que é almoçar aqui. Vou mas é rapidamente lá baixo beber um café a sério e fumar um bom cigarro, para tentar salvar os (bons) hábitos lusos que ainda me restam.

23 de abril de 2010

Missão suspensa para balanço

Isto por aqui tem andado muito fraquinho. Os meus amigos devem andar mais a banhos pela Costa da Caparica do que pela blogosfera. Sendo assim vou inspirar-me para a cidade à beira Tejo e volto já.
Bom fim-de-semana

21 de abril de 2010

Run Forrest! Run!

Começámos hoje – levantar da cadeira à hora combinada sharp, trocar de roupa rapidamente, descer os 25 pisos e respirar fundo antes de começar a correr. Depois, percorrer o passeio que se estende ao longo do canal até Limehouse e descobrir um mundo literalmente novo fora daquelas quatro paredes. Um sol maravilhoso a cair lentamente sobre as águas calmas do canal e - de ruído - apenas passos de quem nos acompanha na corrida e pedregulhos a crepitar cada vez que passa uma bicicleta. De porta a porta são quarenta e cinco minutos, de puro bem-estar. Ganhei um aninho de vida e prometi repetir a dose duas vezes por semana!
Limehouse

19 de abril de 2010

Bucolismo

Aqui ficam uns apontamentos para um fim-de-semana distraído do ruído da cidade.

Um almoço volante em Borough Market



















Se alguém me tivesse explicado o que era realmente este mercado, tenho a certeza que poucos teriam sido os sábados até hoje em que não acabaria por ir lá parar. Num dia de sol – então – é paragem obrigatória. Desde as iguarias mais exóticas, aos queijos, aos produtos orgânicos, às ostras maravilhosas vendidas à unidade, aos sumos naturais, ao live cooking – é possível provar uma coisinha aqui e outra ali antes de fazer a aposta no top 10 ou então fazer por esquecer a culpa da gula e ir andando, andando até não aguentar mais. Mais aqui.

Um passeio pelo canal (Regent's Canal)


Se me vendassem os olhos e me despejassem ali – eu nunca diria que estava mesmo em Londres. Um curso de água serpenteante emoldurado por casas fantásticas com acesso directo ao canal e alguns barcos casa atracados ao acaso por ali trazem-me à memoria uma Amesterdão que visitei há tantos anos atrás. Ao longe – algumas pessoas deixam-se ficar entregues ao silêncio preguiçoso daquela tarde quente enquanto imaginamos divertidos como seria viver ali onde se esconde o tempo e vestir a pele de uma vida errante…

Um piquenique no parque


Os domingos foram inventados para isto mesmo – comer, dormir e descansar de comer e dormir. Juntem a isso um imenso tapete verde, o som de uma guitarra a trautear uma música vaga qualquer, uma aragem fresca com o aroma das primeiras flores da Primavera e uns petiscos deliciosos ali à mão de semear e conseguem ter uma ideia do que é um piquenique em Regent's Park num domingo de sol.

A cinza e os dias

Foram dias fantásticos de passeio, de jantares demorados, de conversas há tanto tempo adiadas e um sol quente a dar um cheirinho de Verão, mas uma nuvem invisível de cinzas acabou por ensombrar as coisas boas que a F., a A. e o T. certamente terão para recordar desta cidade. É fácil ouvir nas notícias que um vulcão de nome impronunciável está a causar o caos na Europa, mas difícil aceitar quando o mundo afinal se torna grande demais.

14 de abril de 2010

Esta semana tenho cá três amigos especiais. Tê-los a abancar no sofá, as malas deles espalhadas pelo meu quarto, sair de manhã apressada para trabalhar e "deixá-los" emprestados ao "meu" mundo, sair a correr do escritório com um sentimento de clandestinidade para tentar encontrá-los ainda sob o sol morno do fim de tarde, passar todo o dia a tentar adivinhar o que andarão a fazer – está a dar-me um gozo enorme, nem podem imaginar.

12 de abril de 2010

Contabilidade do último fds

  • Premio desilusão mais desilusão não há

Favela Chic

O problema de quando se fala muito de uma coisa, é que a expectativa ganha proporções tão grandes que muito dificilmente a coisa não descamba em desilusão. Este sitio foi mais uma prova de que é mesmo assim.
Nota dez para a decoração que está super criativa, mas nota negativa para a música. Ouvi mais musiquinhas caribenhas do século passado do que músicas brasileiras - e as que ainda passaram - eram tão fraquinhas que se dispensava. Depois é o problema da caipirinha, servida ao paladar dos ingleses – doce que não se podia – dois copos depois estava em ponto rebuçado. Ainda jantamos lá – o que completou o ramalhete – jantei a moqueca mais fraquinha do que alguma vez consegui na vida, mas ao dobro do preço de todas as outras melhores.
Conclusão – o sitio é pequeno, janta-se mal, a musica não deslumbra e é caro. Pode ser que tenha tido azar com a noite (todos os sitios têm os seus dias maus), mas não fiquei com muita vontade de voltar.

  • Prémio BBB da semana


  
Ali não há cá lérias - chegas, sentas, escolhes rápido, comes e bazas que já se faz tarde. Pagas pouco, vês gente gira e estas no coração do Soho. Acham que chega de bons motivos?

  •  Prémio música de jeito


Não é nada de especial. Mas ouvi musica fixe e dancei com vontade como já não dançava há muito tempo! Agradecem-se DJ's que não inventem!

11 de abril de 2010

Irving Penn



Woody Allen as Charlie Chaplin (1972)

Pablo Picasso (1957)

Truman Capote (1948)

Ballet Society (1948)

"Sensitive people faced with the prospect of a camera portrait put on a face they think is one they would like to show the world... very often what lies behind the façade is rare and more wonderful than the subject  knows or darres to believe." I. Penn

"In portrait photography there is something more profound we seek inside a  person, while being painfully aware that a limitation of our medium is that the inside is recordable only in so far as it is apparent on the outside." I.Penn

Parte da tarde deste sábado foi passada na National Portrait Gallery, e as fotografias acima foram algumas das que vi. Esta é uma exposição do Irving Penn que estará patente até 6 de Junho e - para quem goste de fotografia - merece bem uma visita.
Impressionantes retratos que nos transportam para aquele interior de que nos fala   Sr. Penn  na citação acima, de gente tão díspar e carismática. Desde Christian Dior, a Dalì, passando por Balthus, The Duchess of Windsor (que soubemos, ali mesmo - contado pela boca de um Inglês que  apreciava maravilhado a imagem tão forte da senhora - ter sido a protagonista da história de amor mais curiosa do país, com o Rei Edward VII, a qual conduziu a uma crise na sucessão ao trono), Dietrich, Hepburn, Bergman - são imagens que cruzam os tempos de 1940 a 2007. E podem sempre dar um salto à National Gallery que fica mesmo ali ao lado.
E depois de uma lavagem cultural, nada como subir ao último andar do edifício para mimar a alma e - numa sala com uma vista espectacular sobre a cidade - tomar o verdadeiro afternoon tea (com todos os acompanhamentos a que tem direito - sandezinhas deliciosas, scones, cookies, bolo de cenoura, e... o resto deixo para vocês descobrirem).
Uffa, cidade esta. Sempre com alguma coisa nova ao virar da esquina para nos surpreender.

LL

8 de abril de 2010

Hat trick

A minha complexa rotina matinal começa no momento em que ponho o pé na rua até ao momento em que entro no elevador em Canary Wharf – ao todo 35/45 minutos de hábeis manobras, ultrapassagens engenhosas e posicionamentos estratégicos, tudo feito automaticamente ao segundo certo. Dois meses e tal depois aposto que conseguia fazer tudo de olhos fechados.
Depois de descer a rua até ao metro posiciono-me no lado certo do passeio para conseguir agarrar das mãos do senhor que distribui as publicações gratuitas diárias à porta da estacão, o meu exemplar. Um desvio de centímetros pode custar-me muitos encontrões e caras feias – são centenas de pessoas a tentar entrar e sair por uma mesma porta, não se esqueçam - o que pode ser uma forma de começar logo mal o dia e um péssimo pressagio para os desafios que se seguem. Descer as escadas a correr para apanhar o primeiro (de três!) metro, que a maior parte das vezes está mesmo a chegar. Tentar começar a ler o jornal – esta linha é mais desanuviada do que a seguinte, por isso tento dar um adianto e matar as principais notícias logo ali. Duas estações depois, voltar descer escadas, percorrer corredores apinhados de gente e entrar na pior linha de toda a rede de metro – a Northern Line (uhhhh, medoooo). Aqui, conseguir entrar na carruagem exige o seu quê de perseverança, cara podre, lata e um bocadinho de força. Depois de um empurrão certeiro e decidido, lá consigo entrar num comboio que – sem excepção – vem com a lotação esgotada já desde o momento em que parou na primeira estação. Completamente encurralada e espremida, lá consigo pôr um olhinho no jornal, mas também já sei que não consigo ir além de umas imagens e (no máximo!) as respectivas legendas. Uma paragem depois, descer mais escadas, mais corredores e entrar no momento mais confortável da minha viagem – o DLR, ou mais conhecido como comboio_maravilha_que_vai_à_superfície_e_tem_quase_sempre_lugar_sentado. Doze minutos depois cheguei ao destino.
Hoje lembrei-me de vos descrever isto pois foi um dia inédito – consegui o hat trick com a proeza de barrar as portas dos três comboios em que entrei. Sabem aquela história que eles estão sempre a repetir nos altifalantes das estações
"stand clear the doors please!"
pois isso mesmo! - aquilo que eu consegui não fazer hoje nas três oportunidades que tive. Não nasci para ser britânica, está visto.

LL

6 de abril de 2010

Depois das imagens...

Partimos de manhã cedo, de comboio – como convém para quem quer ficar com uma visão de conjunto deste país. Vamos furando por entre a paisagem bucólica e plana Inglesa e intercalando com algumas cidades pontuadas de chaminés altas e construção escura e austera. Viaja connosco um sem número de gente em espírito de férias - alguns começam a abrir garrafas de champanhe às dez da manhã, outros bebem divertidos, no meio da carruagem, cervejas que trouxeram em packs não fosse dar-se o caso de se esgotar o stock do bar do comboio. Uma viagem animada como devem imaginar.
Entramos na Escócia quatro horas depois, onde a paisagem começa a ganhar mais relevo e os campos verdes começam a pintalgar-se de manchas brancas de carneiros e ovelhas, sob um sol pálido como é habitual por cá – mas simpático e hospitaleiro. Vamos mesmo rente ao mar do Norte e conseguimos ver o desenho irregular de uma costa sinuosa pintada de verde onde pessoas passeiam os seus cães com um ar sereno e feliz.
Finalmente Edimburgo. A estação de comboios é mesmo no centro da cidade, por isso chegar de comboio a Edimburgo, é entrar pela "porta" principal com vista privilegiada da cidade e "aterrar" no sopé do castelo.
A sensação que tive nos primeiros momentos em Edimburgo, foi a de nunca ter estado numa cidade parecida. Uma cidade pintada de tons escuros construída num vale, ladeada pelo Mar do Norte e por montanhas nevadas. O castelo merece bem o titulo de "jóia da coroa" – pela sua imponência, pela importância histórica, pela forma exímia como os escoceses o preservam e dinamizam. Para além disso, uma data de coisas para visitar, uma zona histórica muito arranjadinha, alguns pubs engraçados - tudo se vê calmamente em dois dias. Ficámos num hotel simpático e central, um bom sitio caso estejam a pensar fazer uma city break por ali (http://www.edinburgharchitecture.co.uk/point_hotel.htm).
No terceiro dia lançámo-nos à descoberta das Scottish Highlands. Foram 700 km de Edimburgo a Inverness, passando por Glen Coe, (http://en.wikipedia.org/wiki/Glen_Coe), Perth, Callander, Loch Lochy, Loch Lomond, Loch Ness, Loch Rannoch, Blair Castle (http://www.blair-castle.co.uk/), Stirling Castle (http://www.stirlingcastle.gov.uk/). Paisagens de tirar o fôlego que mereciam uma visita com mais tempo, para explorar devagar. Valeu-nos um dia fantástico de sol (muito, muito raro por aquelas bandas) que permitiu desfrutar da vista ao máximo e tirar o melhor partido de tudo – como poder fazer um passeio de barco no Loch Ness!
Sem dúvida, um destino a incluir na lista!

5 de abril de 2010

A Escócia vista pelos nossos olhos

algumas imagens daquilo que vimos (as descrições vêm amanhã - prometo)

A "jóia da coroa" de Edimburgo - o Castelo

Revolução industrial - a cidade das chaminés


Uma cidade romântica


Quando o sol se abate sobre a cidade



quando o sol se abate sobre a cidade II



Música por todo o lado!


Pelas terras altas da Escócia - o Hammish!


Pelas terras altas da Escócia - paisagens impressionantes palcos de grandes batalhas

Pelas terras altas da Escócia - Loch Ness


LL
 
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