Chegamos atrasados e descoordenados à estação de Vitoria naquele sábado invulgarmente solarengo e quente para um dia avançado de Setembro. Ainda conseguimos trocar-nos todos nos comboios e acabarmos na direcção errada a caminho de um outro sitio qualquer.Mas nada disso importa. Voltamos a tentar, desta vez na direcção certa, ainda que 1 hora depois da que estava prevista. Finalmente Seaford e ao longe a costa recortada pintada de branco e verde que nos fez viajar até ali - as Seven Sisters. O sol ajudou a uma longa caminhada por entre aquele manto verde irregular enquanto nos deslumbrávamos com a feliz coincidência daquele sítio nos ter presenteado com um dia de sol assim. Para a despedida, ainda um afternoon tea num pub esquecido numa aldeia perdida algures na província inglesa, momento em que o cansaço começa a vencer-nos a vontade de regressar à cidade. Um dia entre amigos, a repetir.
20 de setembro de 2010
16 de setembro de 2010
A idade
Atingido um ponto em que me envergonho com os estalidos que o meu ombro produz cada vez que ensaio qualquer movimento que não seja teclar contratos e depois de não passar 10 minutos sem me lembrar que tenho um ombro direito – decidi assumir que a PDI não perdoa e que - posso não ter cabelos brancos - mas de uma maleita profissional já não me livro. Como o plano B não me dava jeito de momento – aceitar aquela oferta de emprego que me fizeram no outro dia de viajar pelo mundo em classe executiva, dormir nos melhores hotéis, palmilhar tudo que são museus de capitais mundiais, mergulhar nas praias mais secretas do Índico, jantar nos restaurantes mais exclusivos e depois só ter de escrever sobre isso – decidi pedir ajuda a uma equipa de saúde no trabalho patrocinada pelo meu escritório. Depois de 30 minutos a ser observada na minha secretária, qual passarinho amestrado, por um senhor de lápis atrás da orelha e olhar circunspecto, que tomava notas ilegíveis e usava termos técnicos que eu não fazia ideia do que significavam – mas aos quais respondia sempre que "sim senhor, é isso mesmo", o resultado foi chegar aqui esta manhã e ter um upgrade descomunal na minha secretária – descansos para pés, apoio para punhos, rato especial, teclado mini especial, suporte para rato especial, cadeira com ajustes especiais, película especial no monitor . Não sei se isto vai devolver o meu ombro à vida activa, mas até lá pelo menos tenho uma secretária que no mínimo parece um avião!
13 de setembro de 2010
Há momentos que devem permanecer assim - indizíveis.
"Dá vontade de viver sempre assim... em família!A seleccionar estas fotos dei por mim a pensar que gosto mesmo muito de vocês!! Os momentos não se repetem (e ainda bem), mas eternizam-se (e ainda bem)."
Obrigada.
LL
10 de setembro de 2010
Mundividência
Já vi um bom amigo feito cá partir para Sydney, hoje despeço-me de outra das minhas favoritas para Hong Kong.
8 de setembro de 2010
BBC Proms 2010
Os Proms 2010 eram um must go da minha passagem por Londres e um programa de luxo convidava a assistir a mais do que um prom ao longo destes dois meses. Entre férias, aniversários, casamentos vários e vais-e-vens a Portugal, sobraram poucas oportunidades de ir e perderam-se todas as oportunidades de assistir a proms com personagens de renome da música. Acabei por assistir a dois, muito diferentes (Children's prom e Prom 70 Ensemble Matheus), mas que despertaram o bichinho para repetir no futuro!
Deixo-vos tambem aqui um cheirinho caso pensem dar um salto cá em 2011!
7 de setembro de 2010
Odeio
...jantar à secretária. Primeiro estranhei, depois entranhei, agora fico irritada comigo mesma por não ter feito as coisas a tempo ou por ter coisas a mais para o meu tempo.
Quando o sistema falha
Uma greve no metro de Londres consegue transformar esta cidade num autêntico pesadelo. Não sei como foi para os outros mas eu consegui a proeza de demorar 2 horas a chegar ao escritório numa viagem inacreditável num autocarro apinhado de gente, por entre um trânsito assustador e ainda ter coragem de me meter um comboio igualmente sufocante e lotado. Um dia que começa assim torto tenho sérias dúvidas que se endireite.
3 de setembro de 2010
Is anybody there?????????????????
Não me parece. Então olha, vou arranjar interlocutores para outras bandas.
Bom fds
Bom fds
2 de setembro de 2010
Um paraíso idílico
Não vou repetir o que dizem os sites. Que é o número qualquer coisa na Europa, que reúne um número qualquer de espécies, que tem não sei quantos anos e outras verdades dos números. Eu quero falar do que eu senti. Depois de meia hora de comboio para algures às portas de central London, senti-me desligar da cidade e desfrutei com todos os sentidos o cheiro húmido das estufas de Kew Gardens e o calor a aquecer-me as costas enquanto almoçava entre árvores que não consegui adivinhar o nome. E a viagem valeu pelo treetop walk… agora pelo menos já posso dizer que andei na copa das árvores.
| Treetop Walk |
The Garrison
Não teria sido preciso muito para, naquele dia, ter gostado de jantar aqui. Numa sexta-feira, em que me esperavam três dias longe de contratos e computadores e em que a meteorologia prometia o tão aguardado sol, depois de uma semana ininterruptamente a chover. Mas ainda assim, ainda que aquele dia não exigisse muito para acabar bem, não podia ter desejado melhor sitio para um copo de vinho tinto saboreado sem pressas, numa sala que me fez lembrar o conforto das casas vividas e com história, sob um tecto baixo de madeira a aconchegar o momento.
31 de agosto de 2010
Ah coiso e tal
(ainda inspirada pela dose de revivalismo de Gatos deste fim-de-semana) depois de três dias de dolce far niente por Londres é isto que para já tenho tempo para dizer.
PS: desculpem-me a estupidez mas 14 horas a uma secretária dão cabo da sanidade de uma pessoa
PS: desculpem-me a estupidez mas 14 horas a uma secretária dão cabo da sanidade de uma pessoa
27 de agosto de 2010
Quando se fala em restaurante Português em Londres…
Fala-se no Portal. Acho que a fama do dito começou com um jantar famoso entre o Mourinho e o Ashley Cole - mas não sei confirmar isso, percebo pouco de futebol e ainda menos de gossip do mundo do futebol. Mas voltando ao restaurante: não achei que se tratasse de uma casa portuguesa com certeza – fiquei desiludida com o facto de na ementa não constar o nosso amigo bacalhau – mas achei que vale a pena abrir os cordões à bolsa e experimentar aqueles pratos maravilhosos de nouvelle cuisine acompanhados de um bom vinho Português.
26 de agosto de 2010
Direito constitucional
| Oxo Tower Restaurant |
Depois de um simpático almoço de 3 horas com esta vista, devia ser proibido regressar à secretária para conspurcar os olhos de azul Windows.
23 de agosto de 2010
Olha para o que eu digo.....
É suposto eu ser a mentora de um jovem de 15 anos que durante esta semana vai partilhar sala comigo, naquela que será a sua primeira experiência profissional. Estou em fase de auto-convencimento de que ser-se advogado é a melhor coisa do mundo. Aceitam-se bons argumentos.
19 de agosto de 2010
Marrocos - Algumas imagens
| Vista da Medina de Chefchaouen |
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| Medina de Fez Pormenor de uma parede |
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| Medina de Fez A rua mais estreita da Medina (50cm) |
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| Medina de Fez Um emaranhado angustiante de casas |
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| Medina de Fez O trabalho das peles / pormenor da tinturaria |
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| Medina de Fez Minarete de uma das muitas mesquitas da Medina |
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| Medina de Fez O Talho (!) |
| Medina de Fez A zona comercial - pormenor da loja e do meio de transporte estacionado à porta |
| Floresta dos Cedros Uma estrada mágica |
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Floresta dos Cedros |
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| Pelas montanhas do Atlas uma paisagem desértica |
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| Pelas montanhas do Atlas As localidades e as pessoas |
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| Marrakech A praça mágica Djemaa el Fna |
| Medina de Marrakech O aguadeiro com traje tipico |
Toubkal (segundo ponto mais alto de África) Kasbah du Toubkal - 40 miles from Marrakech a million miles from anywhere- uma pousada única |
El Jadida Herança Portuguesa - Cisterna onde se filmaram cenas de um filme do Orson Welles |
18 de agosto de 2010
LoungeLover
De repente dás por ti em Shoreditch sem perceber muito bem porquê que foste ali parar, numa rua que não parece prometer por aí além. Mas ao virar da esquina, num beco ao estilo daqueles que servem para ajustar contas nos filmes, ali está ele, pretensiosamente exuberante e uma menina aprumadinha à porta a fazer a triagem dos clientes e a garantir o ar selecto. Uma decoração muito original, música adequada às conversas animadas que cruzam as mesas, uma lista infindável de cocktails e sushi&sashimi para entreter.
17 de agosto de 2010
Porto Seguro
Há um sítio muito especial que faz parte da minha vida e das nossas vidas - Almoçageme.
Há sítios nos quais somos sempre felizes, somos família, somos amigos, somos sorrisos. E trazemos esses sítios no coração, como que a ancorar-nos à nossa existência e a lembrar-nos quem somos, andemos por onde andarmos, por esses caminhos que a vida nos leva.
Este fim-de-semana em Almoçageme foi assim - fomos nós, nas longas horas passadas à mesa, a ouvir e a contar as histórias que vão se repetindo ano após ano, mas que soam sempre únicas e em que rimos até às lágrimas com a mesma vontade como quando as ouvimos pela primeira vez. E ano após ano continuamos a ser desorganizados, a falar todos ao mesmo tempo, a implicar com as mesmas coisas, a abraçar na hora da chegada e a despedir com a voz embargada e a lágrima no canto do olho no momento da partida.
Ate para o ano, Almoçageme, por aquilo que representas.
LL
13 de agosto de 2010
Shanghai Blues
Este restaurante chinês está a léguas de distância de um que costumávamos ir na marginal da Póvoa (isto só dirá qualquer coisa a uma pequena percentagem de leitores deste blog) nos tempos em que se já não éramos crianças, ainda andávamos muito lá perto. Comíamos alegremente uns clepes plimavela mergulhados em molho de soja (para disfarçar o sabor ou a falta dele) e dividíamos uns quantos chop soys de gambas e de polco empurrados com coca-colas e splites. E no final pagávamos uma fortuna – não me lembro bem, mas devia rondar os mil paus ou isso. Que saudades.
Se perderam a oportunidade de conhecer o chinês da marginal enquanto eram jovens imberbes, então não percam este sítio – cheio de pinta, bom atendimento, bom ambiente, boa localização. E posso garantir que não vi chop soys na lista.
12 de agosto de 2010
Procura-se
A partir de hoje estou oficialmente à procura de flatmate.
Espalhem por favor a notícia pelos vossos contactos!
Obrigada
Espalhem por favor a notícia pelos vossos contactos!
Obrigada
10 de agosto de 2010
Marrocos – O pior (virão depois o melhor e as imagens – em jeito de quem come a bola com creme a toda a volta e deixa o creme para o fim)
À mesa
(A falta d')As defesas
Nem tanto ao mar nem tanto à terra
E são estes os três "menos" da aventura Marroquina destas férias que agora esteja a ver. Contas feitas nem foi nada mau. E esperem até eu começar a falar do "mais, mais" - é uma lista que nunca mais acaba.
Desengane-se quem acredite que vai a Marrocos sentar-se à mesa e perder a cabeça. Os Marroquinos são tão pouco imaginativos e pobrezinhos de espírito que só sabem cozinhar batatas, cuscuz, courgettes, cenouras e uma carne que nunca viu frigorifico e que antes do tacho serve também o propósito de ornamentar as bermas de estrada e esplanadas e faz as maravilhas de todas as moscas locais. E depois espetam-lhe com tamanha quantidade de especiarias que ao fim e ao cabo acaba tudo a saber ao mesmo – pode ser saboroso, mas é monótono. E é isto o famoso Tagine Marroquino – depois de dois dias no território do país, só a palavra já enjoa.
Claro que tivemos algumas excepções e boas surpresas – restaurantes em zonas mais urbanas e turísticas – sendo que todos eles reuniam os seguintes requisitos: não serem geridos por Marroquinos, envolverem o mínimo possível a mão desleixada de Marroquinos e não servirem Tagine. Pois bem – o melhor que se consegue à mesa em Marrocos é uma mesa que nada tenha a ver com Marrocos.
(A falta d')As defesas
O guia bem avisava "no matter what you eat in Morocco, at some point of your trip you will have diarrhoea". É assim, está escrito, toca a todos. E quanto mais te convences que até tiveste cuidado, que vais mudar o rumo da história, que já passaram uns dias e vais-te mantendo integro – tu, que até disseste Não aos maravilhosos sumos de laranja natural espremidos por mãos que sabe Deus e servidos em copos que nunca viram água –, vais acabar por adoecer. Eu também lá também tive as minhas 24 horas para não me armar que sou diferente.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra
Depois de uma espécie de recorde alcançado – o de viver estoicamente 10 dias consecutivos em Agosto a uma simpática temperatura muito para lá dos 40° graus (nunca olhei para um termómetro para ficar sempre na dúvida se o calor era apenas impressão minha) e sempre pelo menos a umas 4 horas de distância do mar mais próximo – sonhámos com aqueles dias merecidos em que então desmaiaríamos quais heróis regressados a casa no areal imenso de Essaouira e mergulharíamos os nossos corpos sedentos de frescura nas águas frias do Atlântico.
Só que a bela tinha um grande senão – uma ventania insuportável capaz de mandar as Nortadas furibundas das praias do Norte para a fasquia de um ventinho fresquinho e agradável. Moral da história – passou-nos ao lado o facto daquele sítio ser o templo dos kitesurfers e dos windsurfers – o que para quem quer ocupar os seus dias na canseira do cá e lá entre a espreguiçadeira e o mar – convenhamos – não dá muito jeito.
E são estes os três "menos" da aventura Marroquina destas férias que agora esteja a ver. Contas feitas nem foi nada mau. E esperem até eu começar a falar do "mais, mais" - é uma lista que nunca mais acaba.
9 de agosto de 2010
Back in business
Estou de volta.
Confesso que hoje nem queria acreditar quando me vi de novo numa rotina casa-trabalho (e mais logo trabalho-casa) que só percebemos que é rotina quando vivemos em plena liberdade e somos felizes 17 maravilhosos dias, de mapa na mão e chinelo no pé.
Como padeço deste problema de neurite aguda pós-férias, creio que só lá para o final da semana conseguirei dizer qualquer coisa de jeito que não seja lamentar-me por ter que trabalhar e não poder viver dos rendimentos.
Sendo assim vou ali curar esta neura e já volto – sim?
2 de agosto de 2010
Os cisnes reais
Partilhar sala com uma britânica de gema tem-me proporcionado conhecer tradições curiosas da elite inglesa. Hoje aprendi que existem associações que atribuem aos seus membros certos direitos que remontam à época medieval (muito úteis nos dias que correm entenda-se) - tal como o direito de atravessar a London bridge com carneiros ou de ser proprietários de cisnes (esclareca-se que os cisnes por cá são um animal real). Por isso todos os anos decorre durante uma semana no rio Tamisa o "Swan upping", que é nada mais nada menos do que uma contagem de cisnes reais feita por senhores aristocráticos. Vejam mais sobre esta curiosidade se vos interessar aqui.
29 de julho de 2010
LL à descoberta dos autores britânicos
Depois de ter pedido uma sugestão aqui e do MysterOn me ter dado a conhecer o David Lodge, queria dizer-vos que valeu muito a pena e sugerir-vos que se lancem num dos muitos livros do senhor. Eu li (ou antes - absorvi sofregamente) o "Deaf Sentence" e adorei. Entretanto todas as sugestões que tenham - nao se acanhem, e eu agradeço.
26 de julho de 2010
Boa noite
Com um Punhado de estrelas algures do Norte de Africa
I was lying in my bed last night
staring at a ceiling full of stars
When suddenly it hit me
I just have to let you know how I feel
I was lying in my bed last night
staring at a ceiling full of stars
When suddenly it hit me
I just have to let you know how I feel
22 de julho de 2010
E entretanto
E desta feita vou ali a Marrocos inspirar-me e volto já.
Aceitam-se encomendas de especiarias e/ou tapetes e/ou quinquilharia variada (a taxas muito competitivas).
Entretanto deixei umas coisas agendadas para serem publicadas durante a minha ausência, para não deixar este canto entregue a si mesmo e totalmente silencioso.
Fiquem bem. Até lá.
LL
Aceitam-se encomendas de especiarias e/ou tapetes e/ou quinquilharia variada (a taxas muito competitivas).
Entretanto deixei umas coisas agendadas para serem publicadas durante a minha ausência, para não deixar este canto entregue a si mesmo e totalmente silencioso.
Fiquem bem. Até lá.
LL
21 de julho de 2010
Está quase, quase
Féria
nome feminino
1. dia de semana
2. salário semanal do operário
3. rol, lista desses salários
4. [plural] dias feriados em que se suspendem os trabalhos oficiais
5. [plural] determinado número de dias consecutivos, destinados ao descanso de trabalhadores ou estudantes
6. [plural] figurado descanso
(Do lat. ferìa-, «dia de festa»)
nome feminino
1. dia de semana
2. salário semanal do operário
3. rol, lista desses salários
4. [plural] dias feriados em que se suspendem os trabalhos oficiais
5. [plural] determinado número de dias consecutivos, destinados ao descanso de trabalhadores ou estudantes
6. [plural] figurado descanso
(Do lat. ferìa-, «dia de festa»)
20 de julho de 2010
That's how life is
Ter um problema doméstico era a última coisa que me podia acontecer em véspera de férias. Já passei uma hora em telefonemas sucessivos e não consegui evitar usar palavras chave como "poison" e "trap", o que fez com que o meu problema doméstico passasse a ser assunto do 25° de UBS. Já ouvi de tudo – desde que "é muito normal em Londres", que "eu até cresci no campo e não me importo nada" (vai lá viver p'ra casa então), que "há coisas piores" (a consolação recorrente para todos os males no mundo). Já houve debates se quem vai alombar com os custos devemos ser nós ou o senhorio (vamos ser nós mas eu até já me estou nas tintas). E já nem falo do gozo dos amigos e da família em mensagens e telefonemas vários. Obrigadinha a todos – sim?
19 de julho de 2010
Ainda sobre a amizade
Agora aqui sentada nesta secretária, entre papel e cabos e candeeiros e impressoras, para além da promessa de um fim de tarde vivido algures entre uma boa conversa e um copo meio vazio, meio cheio de uma coisa qualquer - mais uma daquelas promessas que deixo morrer do lado de lá da janela da minha sala sem tempo de honrar – e não fosse o calor teimoso que persistiu na pele não obstante os esforços de tentar compensar o exagero de um sol há tanto tempo adiado, já pouco restaria do fim-de-semana passado, senão algumas imagens captadas em fotografias e a memória vaga das conversas que se diluíram no arrastar lento e pesado de horas queimadas num lume deliciosamente brando e preguiçoso. E são esses vestígios de um momento bom vivido sem pressa entre amigos do agora e do depois, algures num recanto perdido na amplitude quente da Beira, que agora me pesam as pálpebras e me tiram as forças ao corpo, como uma resistência inglória em voltar à vida real, ainda que por uns escassos dias antes de pegar nas minhas coisinhas e partir de novo para uns dias mais de liberdade. Mas não sem antes me demorar um pouco mais por aqui esta noite, para deixar registado um obrigada à M., pelo momento e pela amizade.
16 de julho de 2010
No outro dia a minha flatmate perguntava-me se eu tinha alguma implicação especial com os brunchs dos restaurantes de Chelsea e Notting Hill. A explicação para correr para lá (quase) todos os fins-de-semana é porque não desiludem. E quem passa a semana a sonhar com uns bons eggs florentine não pode acabar desiludida. O ultimo fim-de-semana experimentamos o PJ's, em Chelsea – embora seja um pouco invernoso para um belo dia de Verão, prometi voltar a partir de Setembro para provar as coisas maravilhosas que vi passar para as outras mesas.
15 de julho de 2010
Um apontamento pragmático
A partir de ontem podem encontrar aqui ao lado uma "etiqueta" (passo a expressão à mente brilhante que se lembrou de designar isto assim) de Lugares e Sensações (a qualificação da "etiqueta" – sim – já é minha) onde reúno todas as impressões que vou tendo no que a restaurantes e experiências gastronómicas diz respeito. Dos que valem a pena, claro. De outro modo nunca os meus caros amigos se lembrariam de na véspera de uma escapadinha a Londres, andar a vaguear pela baralhação de ideias que anda por aqui, para aproveitar o que vale a pena. Ou que pode valer - não sei – há aí muitos guias à venda, mas eu prefiro sempre ouvir falar o garfo de um amigo.
E obrigada ao VV por me ter dado esta sugestão, ou não fosse pragmático o nome dele do meio.
14 de julho de 2010
Uma noite como outra qualquer
Esta pontada leve mas contínua no canto superior direito da cabeça não me deixa ignorar desde esta manhã que não devia ter bebido aquele último gole de vinho do Porto. Se calhar, o último copo também não me teria feito tanta falta assim. Mas que se lixe, o amanhã pode esperar e as amizades também se constroem em momentos assim: uma noite serena, uma varanda, uma garrafa de Dão e outra de Porto trazidas à socapa na mala de Portugal, um bocadinho de queijo aqui e mais uma coisinha ali, duas amigas, tantas estórias do passado, um presente que nada nos diz sobre o futuro. Só quando o relógio marca já a segunda hora do dia seguinte é que percebemos que a noção de tempo tem aqui uma dimensão diferente, mais vasta, mais imperativa, e por isso ontem à noite foi como se nos conhecêssemos desde sempre.
12 de julho de 2010
Comiseração
Há dias assim. Acordamos com os pés gelados, 5 minutos antes do despertador tocar. Enganamo-nos na torneira e não bastasse o choque da água gelada a lembrar-nos que temos um corpo que precisava do seu tempo para acordar, enfiamos com uma mão cheia de gel de banho de menta da cabeça. E quando finalmente aceitamos que os cereais esgotaram e que vamos ter que esperar 40 minutos e 3 linhas de um metro sufocante para comer qualquer coisa que se assemelhe a um pequeno almoço, já descemos 4 pisos do prédio e estamos a lançar a mão à maçaneta da porta da rua, altura em que percebemos que temos que voltar tudo atrás para recuperar o telemóvel esquecido algures entre um lençol mal esticado e as 3 alternativas de roupas que experimentámos naquela manhã. Sentir a primeira pinga a cair na cabeça e lembrarmo-nos que não só não trouxemos o guarda-chuva, como estamos de sandálias, pois afinal é Verão e não era suposto estar a chover. A meio da viagem esgota-se a bateria do iPOD e tentamos concentrar-nos em qualquer coisa animadora que nos distraia da lengalenga monótona e repetitiva dos transportes públicos desta cidade. Receber telefonemas que preferíamos não ter recebido. Apostar no cavalo errado para o almoço e ganhar como prémio uma mistela de vegetais meios crus e picantes o suficiente para nos causar uma úlcera no estômago. Dividir o café que se tentou tomar para dar um novo fôlego àquele dia entre a camisa branca acabada de estrear e a alcatifa imaculada do corredor mais concorrido do escritório. Estar prestes a acabar o que se está a fazer para fugir o mais que se pode de um dia infernal como aquele e alguém irromper pela nossa sala como se de um demónio de tratasse, a pedir uma coisa "urgente, se possível (mero exercício de retórica), para ainda esta tarde (quando o relógio marca as 6.30)" . Regressar a casa e não só encontrar a janela do quarto aberta como um grupo simpático de mosquitinhos ansiosos por passar connosco a noite.
Há dias assim, em que precisamos de nos convencer que há quem tenha dias piores.
9 de julho de 2010
Poet in the city
Subo pontualmente os 5 andares do prédio que separam a minha secretária do 30° piso e de uma vista desafogada onde – em dias raros de um sol como o de ontem – se consegue descobrir ao longe o emaranhado de cimento e vidro da City e - destacando-se como um troféu erguido com orgulho ao céu laranja fogo dos finais de tarde típicos do Verão Londrino - o singular Gherkin. Surpreende-me a quantidade de pessoas que respondeu ao chamamento literário lusófono e se deslocou a Canary Wharf para ouvir poemas declamados pela boca de poetas de cores e continentes diferentes, unidos por uma língua comum. No final da sessão de leitura, ninguém prescinde de um bom copo de vinho bebido ao som de uma guitarrada Portuguesa – cortesia dos anfitriões do evento - e tanto se demoram no aconchego daquele espaço, iluminado ainda por uma luz quente e tardia, que é com bastante dificuldade que a organização consegue dispersar a audiência, já a noite vai longa.
Eu – bem - eu estou ali por um acaso do destino. Um acaso de um mundo tão pequeno onde é possível acontecer um festival dedicado ao mundo lusófono em Londres, e, de entre os vários eventos, um vir a acontecer no edifício onde passo os meus dias e trazer um poeta que mais do que meu conterrâneo, era um grande amigo do meu avô. E por isso tive o privilégio de acompanhar o poeta no jantar que se seguiu e de conhecer pessoas tão díspares que dedicaram uma vida ao estudo da cultura portuguesa e que, quando falam de Pessoa, de Belo, de Régio, entre tantos outros, sabem bem do que estão a falar. Pessoas que conhecem os acordes e os poemas da música lusa, os contornos da nossa história e que nos engrandecem pela importância e valor que nos dão. Obrigada, Valter.
Eu – bem - eu estou ali por um acaso do destino. Um acaso de um mundo tão pequeno onde é possível acontecer um festival dedicado ao mundo lusófono em Londres, e, de entre os vários eventos, um vir a acontecer no edifício onde passo os meus dias e trazer um poeta que mais do que meu conterrâneo, era um grande amigo do meu avô. E por isso tive o privilégio de acompanhar o poeta no jantar que se seguiu e de conhecer pessoas tão díspares que dedicaram uma vida ao estudo da cultura portuguesa e que, quando falam de Pessoa, de Belo, de Régio, entre tantos outros, sabem bem do que estão a falar. Pessoas que conhecem os acordes e os poemas da música lusa, os contornos da nossa história e que nos engrandecem pela importância e valor que nos dão. Obrigada, Valter.
7 de julho de 2010
Constatação do dia
O meu domínio da informática parou naquela fase dos conhecimentos do Office na óptica do utilizador que tão bem ficavam no CV. Preciso urgentemente de ir passar uma temporada com jovens dos 10 aos 17 anos.
6 de julho de 2010
360°
O bar do restaurante Galvin at Windows fica no 28° piso do Hilton e tem uma vista de 360° sobre a cidade que dificilmente encontrará rival noutro prédio da cidade. Nunca me fascinou muito o ambiente de bar de hotel, nem pagar por um cocktail o preço de um jantar, mas sem dúvida que vale a pena ir lá espreitar.
5 de julho de 2010
Eu e o Croquet
Bastaram umas horas intensivas de treino e alguma (muita!) boa vontade dos meus parceiros de jogo para me sentir um ás desta coisa. Agora daqui para os jardins de HM há-de ser um instantinho.
2 de julho de 2010
Quando o tempo nos ensina a estar errados
No dia em que recebi a notícia que iria deixar de partilhar sala no escritório com uma Argentina sonora e sorridente como eu, para passar a estar à volta de 12 horas fechada numa sala com uma britânica de gema, super posh, super polite, super tudo – achei que não só a minha, mas as nossas vidas se iam tornar num pequeno inferno a partir dali por incompatibilidade de convivência e de feitios. Aliás, eu tinha a certeza que isso ia acontecer. Sonhava com isso. Imaginava-me durante um longo ano amordaçada e cinzenta como as roupas que ela usava e não vislumbrava outra possibilidade de escapar a tal sorte senão tornar-me de tal modo insuportável que fosse necessária intervenção superior (ou divina, quem sabe) para repor a normalidade às nossas vidas.
E o tempo foi passando e foram-se somando horas de convivência forçada, no início silenciosa, depois pontuada com uns pequenos gestos cordiais. As primeiras conversas pessoais surgiram tão naturalmente que nem me apercebi a evolução que era uma inglesa partilhar comigo coisas do seu mundo íntimo fora das 4 paredes de UBS. Hoje ela brinca com o meu timbre de voz e com as minhas trapalhices gramaticais, como eu gozo com o facto dela nunca ter ido a Camden Town e achar que Londres são as casinhas brancas e betinhas de West London.
E a prova de que as circunstâncias da vida e as pessoas nos podem surpreender, será eu estar amanhã a entrar num comboio em direcção a algures na periferia de Londres, a caminho de uma casa de família inglesa para a "festa anual" da família, onde se joga cricket, se bebe chá às 5 da tarde, se janta e acampa por lá. Há 4 meses atrás isto seria ficção ou algo mais perto de um filme cómico, hoje fico feliz por ter deixado que a vida me surpreendesse e mostrasse que posso estar errada, mais desta vez.
E o tempo foi passando e foram-se somando horas de convivência forçada, no início silenciosa, depois pontuada com uns pequenos gestos cordiais. As primeiras conversas pessoais surgiram tão naturalmente que nem me apercebi a evolução que era uma inglesa partilhar comigo coisas do seu mundo íntimo fora das 4 paredes de UBS. Hoje ela brinca com o meu timbre de voz e com as minhas trapalhices gramaticais, como eu gozo com o facto dela nunca ter ido a Camden Town e achar que Londres são as casinhas brancas e betinhas de West London.
E a prova de que as circunstâncias da vida e as pessoas nos podem surpreender, será eu estar amanhã a entrar num comboio em direcção a algures na periferia de Londres, a caminho de uma casa de família inglesa para a "festa anual" da família, onde se joga cricket, se bebe chá às 5 da tarde, se janta e acampa por lá. Há 4 meses atrás isto seria ficção ou algo mais perto de um filme cómico, hoje fico feliz por ter deixado que a vida me surpreendesse e mostrasse que posso estar errada, mais desta vez.
1 de julho de 2010
Sabem aquela sensação
de gostar daquilo que não se entende?
Pois. É o que sinto em relação a esta música. E se calhar em relação a tantas outras coisas.
Pois. É o que sinto em relação a esta música. E se calhar em relação a tantas outras coisas.
30 de junho de 2010
Valeu rapazes....
Encontrámo-nos no Café Kick em Exmouth Market 30 minutos antes da hora do jogo. Não podia ser mais oportuna a escolha do local naquela noite – é ali mesmo ao lado de casa que se bebe Super Bock fresquinha e se prometem em letras garrafais o melhor prego no pão e o autêntico pastel de nata.
Nem o calor sufocante nem a exiguidade do espaço demovem aquelas almas esperançadas lusas que cantam inflamadas e a plenos pulmões o hino que as une e naquele momento ninguém tem dúvidas que vamos levar a melhor no tão aguardado duelo ibérico – pelo menos ali conseguimos que os espanhóis mal se façam ouvir.
Ao intervalo a massa de adeptos nervosos e dos apenas curiosos já ultrapassa a porta e espalha-se cá fora por onde der, olhos postos concentrados no mesmo relvado. Mas a promessa de glória dissipa-se por ali, nos 45 minutos que se seguem. E a certa altura eram já os ingleses a dar pancadinhas nas costas de portugueses destroçados, como se a comiseração pela derrota alheia lhes confortasse também o orgulho ainda ferido das quatro facadas alemãs.
Acabámos a jantar numa esplanada como se quer nestas noites quentes de Verão em Londres. Já não se fala de futebol nem se decide o onde e o a que horas do próximo jogo. Bem que este entusiasmo nacional podia ter durado mais uns tempos, mas enquanto foi, lá isso valeu…
Nem o calor sufocante nem a exiguidade do espaço demovem aquelas almas esperançadas lusas que cantam inflamadas e a plenos pulmões o hino que as une e naquele momento ninguém tem dúvidas que vamos levar a melhor no tão aguardado duelo ibérico – pelo menos ali conseguimos que os espanhóis mal se façam ouvir.
Ao intervalo a massa de adeptos nervosos e dos apenas curiosos já ultrapassa a porta e espalha-se cá fora por onde der, olhos postos concentrados no mesmo relvado. Mas a promessa de glória dissipa-se por ali, nos 45 minutos que se seguem. E a certa altura eram já os ingleses a dar pancadinhas nas costas de portugueses destroçados, como se a comiseração pela derrota alheia lhes confortasse também o orgulho ainda ferido das quatro facadas alemãs.
Acabámos a jantar numa esplanada como se quer nestas noites quentes de Verão em Londres. Já não se fala de futebol nem se decide o onde e o a que horas do próximo jogo. Bem que este entusiasmo nacional podia ter durado mais uns tempos, mas enquanto foi, lá isso valeu…
29 de junho de 2010
Como se vive desde domingo o Mundial 2010 no n.° 10 de UBS – os factos
As referências ao mundial e à selecção inglesa desapareceram subitamente dos emails trocados internamente e com clientes.
Os cup cakes com a cruz vermelha no topo que se vendiam como ginjas no bar parece que começaram a causar amargos de boca.
As televisões do restaurante começaram a passar noticiários e documentários com 10 anos de idade sobre tribos na amazónia e golfinhos à hora dos jogos.
De repente toda a gente se interessa por cricket.
Recuperou-se o velho hábito de trabalhar entre as 7pm e as 10pm.
O Kompensan® e outros do género para a azia esgotaram no Boots aqui por baixo.
Os cup cakes com a cruz vermelha no topo que se vendiam como ginjas no bar parece que começaram a causar amargos de boca.
As televisões do restaurante começaram a passar noticiários e documentários com 10 anos de idade sobre tribos na amazónia e golfinhos à hora dos jogos.
De repente toda a gente se interessa por cricket.
Recuperou-se o velho hábito de trabalhar entre as 7pm e as 10pm.
O Kompensan® e outros do género para a azia esgotaram no Boots aqui por baixo.
25 de junho de 2010
É por aqui que agora se celebra a lusofonia
O City of London Festival (http://www.colf.org/about-the-festival.cfm) surgiu pela primeira vez no Verão de 1962 com o objectivo de trazer uma dinâmica diferente à cidade durante algumas semanas, celebrando a arte nas suas mais variadas formas e chamando as pessoas para um encontro informal com essa arte quer nas ruas, quer nas várias salas de espectáculos da cidade. (Provavelmente não se trata de uma coincidência, mas) 48 anos depois o tema do festival é "the portuguese speaking world" e acho que quando andavam a convidar os embaixadores do evento eu devia ter o telefone desligado ou no silêncio.
A agenda do festival inclui fado & guitarra portuguesa, gastronomia e vinhos portugueses, filmes de realizadores nacionais, workshops, fóruns de literatura e tantas outras coisas que transpiram a nossa cultura e a dos povos que partilham connosco a língua de Camões. E o mundo é uma ervilha tão pequenina que o meu escritório vai receber no seu edifício - na qualidade de patrocinador – um fórum de literatura de um escritor meu conterrâneo.
Portanto já sabem – se aparecerem por cá até meados de Julho, não deixem de ir espreitar qualquer um dos programas porque vai valer a pena.
E também integrado no evento, o conceito mais engraçado de "arte para todos" – chama-se "Play me I'm yours" (http://www.streetpianos.com/london2009/), e são nada mais nada menos do que 30 pianos espalhados pela cidade para quem quiser tocar! É toda uma cidade a fervilhar no Verão!
A agenda do festival inclui fado & guitarra portuguesa, gastronomia e vinhos portugueses, filmes de realizadores nacionais, workshops, fóruns de literatura e tantas outras coisas que transpiram a nossa cultura e a dos povos que partilham connosco a língua de Camões. E o mundo é uma ervilha tão pequenina que o meu escritório vai receber no seu edifício - na qualidade de patrocinador – um fórum de literatura de um escritor meu conterrâneo.
Portanto já sabem – se aparecerem por cá até meados de Julho, não deixem de ir espreitar qualquer um dos programas porque vai valer a pena.
E também integrado no evento, o conceito mais engraçado de "arte para todos" – chama-se "Play me I'm yours" (http://www.streetpianos.com/london2009/), e são nada mais nada menos do que 30 pianos espalhados pela cidade para quem quiser tocar! É toda uma cidade a fervilhar no Verão!
24 de junho de 2010
Já não me bastava
O café, os cigarros gregos de mentol, roer as unhas e outras coisas do género, agora descobri as Wasabi peas. E desde então são 200g por dia, dificilmente menos. Odeio esta minha facilidade de apanhar vícios.
23 de junho de 2010
7-0
Não tive oportunidade de ver o jogo. Mas deu-me um gozo bestial andar a mostrar os 7 dedinhos aos meus amigos ingleses.
22 de junho de 2010
Restaurantes & coisas
Quando se trata de visitas a coisa fica mais séria e as escolhas de restaurantes, pubs e afins têm que ser mais certeiras… Muitos dos sítios por onde passamos este fim-de-semana também eram novos para mim, mas as sugestões eram (tanto ou mais) avisadas (do que aquelas que eu pudesse dar) e cada um dos momentos à mesa acabou por ser uma excelente surpresa.
The Modern Pantry
Há sempre aquela ideia pré-concebida de que os sítios que ficam mesmo debaixo do nosso nariz não devem ser nada de especial. Talvez porque associamos a qualidade a uma espécie de recompensa por um esforço qualquer – como atravessar a cidade de lés-a-lés e passar as passas do Algarve no metro de Londres ao fim-de-semana para ter direito a jantar num bom restaurante.
Mas este restaurante fica ridiculamente perto da minha casa, no primeiro andar de um prédio todo bonitinho com uma vista privilegiada para uma praça simpática ali à frente. Não se trata de uma daquelas cadeias que não traz nada de novo ao paladar, mas um restaurante único onde se servem pratos de autor que vão variando consoante a vontade da chef e o que se vende no mercado. Com um preço ligeiramente acima da media – como se espera num sitio que nada tem de medíocre – mas cuja experiência vale cada penny que se deixa ali.
The Electric Brasserie
Era mesmo isto que nós desejávamos: (i) um prato que reunisse coisas tão improváveis quanto calóricas para confortar a alma a um domingo de manhã depois de uma longa noite, (ii) uma esplanada para ver a banda passar e (iii) visitar West London. Ora nem mais, acertámos em cheio. Mais um sitio de brunch para somar à lista em Portobello Road.
Founders Arms
Não estava muito convencida de que fosse necessário atravessar uma ponte e fazer 30 minutos de transportes para encontrar um bom pub em Londres, mas retirei o que disse nos primeiros 2 segundos em que lá cheguei. Eu apelidaria este pub como "the view" por razões óbvias. Imaginem agora o fim de uma tarde fantástica de sol e uma boa conversa acompanhada de uma selecção de cervejas de todo o mundo em cima da mesa. O jogo do Brasil perdeu todo o destaque visto naquele pub, não haja dúvida.
The Modern Pantry
Há sempre aquela ideia pré-concebida de que os sítios que ficam mesmo debaixo do nosso nariz não devem ser nada de especial. Talvez porque associamos a qualidade a uma espécie de recompensa por um esforço qualquer – como atravessar a cidade de lés-a-lés e passar as passas do Algarve no metro de Londres ao fim-de-semana para ter direito a jantar num bom restaurante.
Mas este restaurante fica ridiculamente perto da minha casa, no primeiro andar de um prédio todo bonitinho com uma vista privilegiada para uma praça simpática ali à frente. Não se trata de uma daquelas cadeias que não traz nada de novo ao paladar, mas um restaurante único onde se servem pratos de autor que vão variando consoante a vontade da chef e o que se vende no mercado. Com um preço ligeiramente acima da media – como se espera num sitio que nada tem de medíocre – mas cuja experiência vale cada penny que se deixa ali.
The Electric Brasserie
Era mesmo isto que nós desejávamos: (i) um prato que reunisse coisas tão improváveis quanto calóricas para confortar a alma a um domingo de manhã depois de uma longa noite, (ii) uma esplanada para ver a banda passar e (iii) visitar West London. Ora nem mais, acertámos em cheio. Mais um sitio de brunch para somar à lista em Portobello Road.
Founders Arms
Não estava muito convencida de que fosse necessário atravessar uma ponte e fazer 30 minutos de transportes para encontrar um bom pub em Londres, mas retirei o que disse nos primeiros 2 segundos em que lá cheguei. Eu apelidaria este pub como "the view" por razões óbvias. Imaginem agora o fim de uma tarde fantástica de sol e uma boa conversa acompanhada de uma selecção de cervejas de todo o mundo em cima da mesa. O jogo do Brasil perdeu todo o destaque visto naquele pub, não haja dúvida.
18 de junho de 2010
E o que acontece quando nos juntamos os 5?
Não sei. Mas é o que vamos ver este fim-de-semana. Isto promete com a chegada dos primos Melos a Londres!
Bom fim-de-semana
Bom fim-de-semana
17 de junho de 2010
The Swan Lake
No interregno entre umas semanas de trabalho alucinante e o começo de outra saga de trabalho alucinante, lá tive tempo de ir (calmamente, sem atropelos e sobressaltos) ver um bailado e – imaginem lá a sorte – até consegui chegar a tempo de ver as duas partes dentro da sala, sentadinha no lugar pelo qual tinha pago.
Mais uma vez fiquei fascinada, incapaz de me segurar encostada na cadeira sossegada, na tentativa de absorver cada detalhe e não perder pitada. Fico sempre dividida entre apreciar o ritmo sincopado dos arcos dos violinos da orquestra ou o que se passa no palco, mas desta vez foi mesmo impossível ficar indiferente àqueles bailarinos (segundo a minha humilde opinião) tão fantásticos. Cinco estrelas para o local - Royal Albert Hall (http://www.royalalberthall.com/about/virtual-tour/default.aspx) – uma sala verdadeiramente de cortar a respiração.
Mais uma vez fiquei fascinada, incapaz de me segurar encostada na cadeira sossegada, na tentativa de absorver cada detalhe e não perder pitada. Fico sempre dividida entre apreciar o ritmo sincopado dos arcos dos violinos da orquestra ou o que se passa no palco, mas desta vez foi mesmo impossível ficar indiferente àqueles bailarinos (segundo a minha humilde opinião) tão fantásticos. Cinco estrelas para o local - Royal Albert Hall (http://www.royalalberthall.com/about/virtual-tour/default.aspx) – uma sala verdadeiramente de cortar a respiração.
16 de junho de 2010
E eu ate já tinha planeado fazer um post assim....
Se eu podia não estar presente no RIL 2010? Podia, mas não era a mesma coisa...
Não se pode ter tudo, olha! Boa sorte rapazes!
15 de junho de 2010
O dia em que fui à ópera
…e não cheguei a tempo.
Tinha comprado os bilhetes dois meses antes, depois de uns bons dias a pensar o qual, o quando e o quanto – já que escolher uma ópera não é assim por da cá aquela palha. Lá me decidi pela Royal Opera House e pela Le nozze di Figaro, de Mozart e afixei religiosamente no meu placard ao lado do computador o comprovativo do bilhete como quem não quer que se dilua no tempo a solenidade do momento. E embora o critério de escolha dos lugares tenha sido a fasquia dos 3 dígitos, até que ficámos numa localização bem digna e até diria que (o que) vi tão bem como aquelas senhoras de estola que se sentavam importantes na fila da frente. Tudo muito bem até ao dia em que o meu Outlook me relembra que dois dias depois é dia de ópera. E eu como personagem principal de uma das piores semanas profissionais da minha vida. Foram 3 dias de um jogo de cintura criativo para tentar convencer tudo e todos que naquela 4f eu não faria assim tanta falta a ninguém e que o mundo continuaria a ser o que é, ainda que eu cometesse a loucura de ir a uma ópera às 7 da tarde. E as minhas preces foram ouvidas, estava tudo a postos para a minha ida. Chegam as 6.30 e eu corro para o elevador, apresso a descida dos 25 pisos como posso, lanço-me loucamente em direcção ao metro por entre pessoas preguiçosas nas escadas e nos corredores, tentando evitar todos os factores externos que pudessem desacelerar a minha maratona. Chego – enfim – à ROH. O meu relógio marca as 7 em ponto. Disfarço a minha sofreguidão até à bilheteira – ainda tenho que levantar os bilhetes e não quero que se duvide sequer da minha legitimidade para receber os bilhetes e assistir à opera. Bilhetes em punho dirijo-me triunfante para a porta e eis senão quando um daqueles senhores que adora a profissão que tem (barrar a entrada de pessoas que já tiveram um dia de merda, se esforçaram tanto para chegar ali e acabam por morrer na praia) me diz que infelizmente o primeiro acto começou há 5 minutos e eu não posso entrar. (.....) Por melhor que eu escrevesse, não conseguiria descrever o que senti naquele momento. Raiva? Desilusão? Irritação? Tudo isso. Mas ainda tentei… "Vá lá, deixe-me lá entrar… tenho ideia que o meu lugar é assim num cantinho…ninguém vai dar por nada, prometo… pleaaaaaseeee", mas a minha esperança esvai-se quando os atrasados seguintes acatam serenamente a nega, ao melhor estilo britânico. E lá fui eu, furiosa na minha inconformidade lusa até um andar esquecido e pobre daquele belo edifício, assistir ao primeiro acto por uma televisão. Eu e mais uma dezena de totós como eu. Certamente advogados. Uma hora e meia a assistir à obra prima de Mozart pela televisão.
Tinha comprado os bilhetes dois meses antes, depois de uns bons dias a pensar o qual, o quando e o quanto – já que escolher uma ópera não é assim por da cá aquela palha. Lá me decidi pela Royal Opera House e pela Le nozze di Figaro, de Mozart e afixei religiosamente no meu placard ao lado do computador o comprovativo do bilhete como quem não quer que se dilua no tempo a solenidade do momento. E embora o critério de escolha dos lugares tenha sido a fasquia dos 3 dígitos, até que ficámos numa localização bem digna e até diria que (o que) vi tão bem como aquelas senhoras de estola que se sentavam importantes na fila da frente. Tudo muito bem até ao dia em que o meu Outlook me relembra que dois dias depois é dia de ópera. E eu como personagem principal de uma das piores semanas profissionais da minha vida. Foram 3 dias de um jogo de cintura criativo para tentar convencer tudo e todos que naquela 4f eu não faria assim tanta falta a ninguém e que o mundo continuaria a ser o que é, ainda que eu cometesse a loucura de ir a uma ópera às 7 da tarde. E as minhas preces foram ouvidas, estava tudo a postos para a minha ida. Chegam as 6.30 e eu corro para o elevador, apresso a descida dos 25 pisos como posso, lanço-me loucamente em direcção ao metro por entre pessoas preguiçosas nas escadas e nos corredores, tentando evitar todos os factores externos que pudessem desacelerar a minha maratona. Chego – enfim – à ROH. O meu relógio marca as 7 em ponto. Disfarço a minha sofreguidão até à bilheteira – ainda tenho que levantar os bilhetes e não quero que se duvide sequer da minha legitimidade para receber os bilhetes e assistir à opera. Bilhetes em punho dirijo-me triunfante para a porta e eis senão quando um daqueles senhores que adora a profissão que tem (barrar a entrada de pessoas que já tiveram um dia de merda, se esforçaram tanto para chegar ali e acabam por morrer na praia) me diz que infelizmente o primeiro acto começou há 5 minutos e eu não posso entrar. (.....) Por melhor que eu escrevesse, não conseguiria descrever o que senti naquele momento. Raiva? Desilusão? Irritação? Tudo isso. Mas ainda tentei… "Vá lá, deixe-me lá entrar… tenho ideia que o meu lugar é assim num cantinho…ninguém vai dar por nada, prometo… pleaaaaaseeee", mas a minha esperança esvai-se quando os atrasados seguintes acatam serenamente a nega, ao melhor estilo britânico. E lá fui eu, furiosa na minha inconformidade lusa até um andar esquecido e pobre daquele belo edifício, assistir ao primeiro acto por uma televisão. Eu e mais uma dezena de totós como eu. Certamente advogados. Uma hora e meia a assistir à obra prima de Mozart pela televisão.
14 de junho de 2010
Ora então foi assim
Desengane-se quem achava que - ainda que debaixo de agua - eu não arranjava um tempinho para dar umas escapadelas e somar mais alguns à lista.
As últimas tendências de fim-de-semana têm apontado mais para West London e por isso as propostas em baixo são tão posh, quanto valem a pena atravessar a cidade para lá chegar.
Tom's Kitchen - Chelsea
Aquele sitio que pretende ser despretensioso mas que rapidamente se percebe que não é. A decoração é clean e simples, mas os pequenos pormenores fazem a diferença e tornam aquele sitio um must go. Nas mesas ao lado as amas a cuidar dos meninos loirinhos e perfeitinhos enquanto as mães lêem as ultimas revistas de gossip vestidas pelas marcas caras dos pés à cabeça, mas supostamente descontraídas e desalinhadas. Pela lista achei que aquilo vale mesmo a pena pelo brunch, mas convém estar preparado para pagar pelos eggs benedict o preço de serem postos pela galinha dos ovos de ouro.
Chelsea Farmers Market
Não posso dizer que estive mesmo lá - ou posso dizer que estive quase lá - mas uma hora de fila já me dá direito a dizer qualquer coisa sobre o assunto. Acabamos por ir almoçar na porta ao lado (muito frequente quando não se marca mesa nos bons sítios em Londres), mas aquela esplanada, a musica a dispor bem, as jarras de sangria a passar, deixaram-me com muita, muita vontade de lá voltar. E da próxima vez para experimentar.
E ainda….
Bocca di Lupo
Fica em pleno Soho por isso é conveniente para quem quer fazer a ronda dos bares por ali. Um italiano de nível acima da média, mas que infelizmente se paga a preço de topo. Não fosse isso só tinha a dizer bem.
Barrio North
E voltando à minha tão amada East London: este bar fica em Angel, numa rua de bares porta sim, porta sim, mas este percebe-se claramente que é o mais concorrido. E o motivo é facilmente identificável – este bar é descontraído, tem musica gira e uma auto caravana lá dentro. Bons motivos para se passar ali um bom bocado, portanto. Fecha à 1am por isso convém aparecer cedo.
As últimas tendências de fim-de-semana têm apontado mais para West London e por isso as propostas em baixo são tão posh, quanto valem a pena atravessar a cidade para lá chegar.
Tom's Kitchen - Chelsea
Aquele sitio que pretende ser despretensioso mas que rapidamente se percebe que não é. A decoração é clean e simples, mas os pequenos pormenores fazem a diferença e tornam aquele sitio um must go. Nas mesas ao lado as amas a cuidar dos meninos loirinhos e perfeitinhos enquanto as mães lêem as ultimas revistas de gossip vestidas pelas marcas caras dos pés à cabeça, mas supostamente descontraídas e desalinhadas. Pela lista achei que aquilo vale mesmo a pena pelo brunch, mas convém estar preparado para pagar pelos eggs benedict o preço de serem postos pela galinha dos ovos de ouro.
Chelsea Farmers Market
Não posso dizer que estive mesmo lá - ou posso dizer que estive quase lá - mas uma hora de fila já me dá direito a dizer qualquer coisa sobre o assunto. Acabamos por ir almoçar na porta ao lado (muito frequente quando não se marca mesa nos bons sítios em Londres), mas aquela esplanada, a musica a dispor bem, as jarras de sangria a passar, deixaram-me com muita, muita vontade de lá voltar. E da próxima vez para experimentar.
E ainda….
Bocca di Lupo
Fica em pleno Soho por isso é conveniente para quem quer fazer a ronda dos bares por ali. Um italiano de nível acima da média, mas que infelizmente se paga a preço de topo. Não fosse isso só tinha a dizer bem.
Barrio North
E voltando à minha tão amada East London: este bar fica em Angel, numa rua de bares porta sim, porta sim, mas este percebe-se claramente que é o mais concorrido. E o motivo é facilmente identificável – este bar é descontraído, tem musica gira e uma auto caravana lá dentro. Bons motivos para se passar ali um bom bocado, portanto. Fecha à 1am por isso convém aparecer cedo.
11 de junho de 2010
Cheguei
com vida ao fim-de-semana.
Esta semana foi uma semana muito difícil e em que cresci uns centímetros mais como advogada e como pessoa. Eu não diria que é às vezes (como se costuma dizer) mas SEMPRE que temos que passar pelo extremo para sermos forçados a dar um passo em frente e arriscarmos mais, sermos mais certeiros, mais confiantes. As dores de crescimento doem muito. E é um misto de desafio e angústia pensar que nesta profissão as dores de crescimento nunca passam pois nunca se chega a uma zona de conforto em que se pode meter a viola no saco e pensar que dali para cima não há mais. Mas é por isso mesmo que eu amo aquilo que faço. Sou um ser que vive da adrenalina, que precisa de a sentir nas veias para ter a certeza que há vida em mim. Só que em alturas como esta - quando se acumula o cansaço, a irritação, a impaciência e o desespero - tenho que repetir muitas vezes de mim para mim o quanto gosto do que faço e lembrar-me que não seria feliz a fazer outra coisa qualquer para não arrumar as minhas coisinhas e ir vender ilusões para um pais com sol e praia e liberdade e ar puro a iluminar-me o rosto. Mas isso são mesmo ilusões. Porque no momento a seguir, em que faço o balanço disto tudo, fico em pulgas para saber como será a próxima. É uma espécie de um vicio que nos move. E foram os pequenos gestos de amizade, de apoio, de desenrasca-me aqui esta coisinha que estou aflita que me fizeram pela primeira vez sentir-me verdadeiramente parte desta família. Uma família grande, distante, individualista, com os seus defeitos como todas as famílias que se prezam. Não como a minha família portuguesa da Duarte Pacheco, mas uma família. E a prova disso é o copo que vou tomar logo à noite como sinal de que quem mora ao lado pode parecer distraído mas repara que precisas de beber um belo de um copo no fim de uma semana destas para esquecer. E celebrar.
Bom fim-de-semana
LL
Esta semana foi uma semana muito difícil e em que cresci uns centímetros mais como advogada e como pessoa. Eu não diria que é às vezes (como se costuma dizer) mas SEMPRE que temos que passar pelo extremo para sermos forçados a dar um passo em frente e arriscarmos mais, sermos mais certeiros, mais confiantes. As dores de crescimento doem muito. E é um misto de desafio e angústia pensar que nesta profissão as dores de crescimento nunca passam pois nunca se chega a uma zona de conforto em que se pode meter a viola no saco e pensar que dali para cima não há mais. Mas é por isso mesmo que eu amo aquilo que faço. Sou um ser que vive da adrenalina, que precisa de a sentir nas veias para ter a certeza que há vida em mim. Só que em alturas como esta - quando se acumula o cansaço, a irritação, a impaciência e o desespero - tenho que repetir muitas vezes de mim para mim o quanto gosto do que faço e lembrar-me que não seria feliz a fazer outra coisa qualquer para não arrumar as minhas coisinhas e ir vender ilusões para um pais com sol e praia e liberdade e ar puro a iluminar-me o rosto. Mas isso são mesmo ilusões. Porque no momento a seguir, em que faço o balanço disto tudo, fico em pulgas para saber como será a próxima. É uma espécie de um vicio que nos move. E foram os pequenos gestos de amizade, de apoio, de desenrasca-me aqui esta coisinha que estou aflita que me fizeram pela primeira vez sentir-me verdadeiramente parte desta família. Uma família grande, distante, individualista, com os seus defeitos como todas as famílias que se prezam. Não como a minha família portuguesa da Duarte Pacheco, mas uma família. E a prova disso é o copo que vou tomar logo à noite como sinal de que quem mora ao lado pode parecer distraído mas repara que precisas de beber um belo de um copo no fim de uma semana destas para esquecer. E celebrar.
Bom fim-de-semana
LL
9 de junho de 2010
8 de junho de 2010
Swamped...
Eu gostava de ter tempo para vir aqui dizer uma graçola como deve ser, fazer as continhas do que anda a acontecer por cá, dizer-vos que amanhã vou à opera se conseguir fugir daqui sem que ninguem me veja – enfim - pedir-vos que não desistam de mim porque eu estou atolada mas um dia destes volto para escrever algo mais interessante do que uns míseros posts de duas linhas. Até lá torçam por mim (ainda não me chegou ao escritório nenhuma das encomendas que fiz aqui).
7 de junho de 2010
Dilema feminino
Porquê que na véspera de cortar o cabelo, acho sempre que ele está fantástico, super espectacular, melhor que nunca e que me vou arrepender de lhe pôr com as tesourinhas para todo o sempre?
Mas nem isso me demoveu e agora sim – pareço uma verdadeira bifa e (segundo opiniões avisadas e amigas) uns 5 aninhos mais nova. Fixe.
Mas nem isso me demoveu e agora sim – pareço uma verdadeira bifa e (segundo opiniões avisadas e amigas) uns 5 aninhos mais nova. Fixe.
4 de junho de 2010
Nozes a mais podem dar cabo dos dentes
Sat
26°C | 14°
26°C | 14°
Não se pode ter tudo é verdade. E já me tinham avisado que em Londres era assim, que a Primavera nunca chega para sempre e que o Verão é coisa para países que vivem perto do coração do S. Pedro.
2 de junho de 2010
4
Esta fotografia dispensa explicações. Se um dia esta pequena se lembrar de ler as coisas que a tia escreveu, pelo menos vai perceber que mesmo à distância fiz questão de estar presente. E este sorriso já fez o meu dia.
1 de junho de 2010
As coisas que esta cidade me põe a fazer
Ir ver esta noite o SATC 2 com 6 gajas (o que eu não gozei com as que foram ver o 1 em grupinhos de 4)
Ir ao Capital FM Summertime Ball a Wembley no próximo domingo (depois de ter comprado os bilhetes naquela, sem me questionar antes quem eram aquelas pessoas que eu ia ouvir – e chegar à conclusão que nasceram todos no X Factor)
28 de maio de 2010
É justo
Durante a semana esfalfo-me no ginásio e à sexta estrago tudo com fish n chips. Mas vou feliz de fim-de-semana.
27 de maio de 2010
Eh pa, nem assinalei...
Esta semana foram já 4 os meses que cá estou. 120 longos dias. 2880 horas, sendo que não foram assim tantas aquelas que passei a dormir. Só me lembro de festejar meses de qualquer coisa até ao meu primeiro ano de vida e quando um mês a mais com um namorado era uma eternidade. Pensei que só voltaria a contar meses quando estivesse para ser mãe.
26 de maio de 2010
Toma lá um bb e não digas que vais daqui
O gajo que inventou o BlackBerry® das duas uma – ou tinha mesmo a clara intenção de chatear ou nunca tinha tido a infeliz ideia de ser advogado. Não pode passar muito daí – ou era mauzinho ou ingénuo. E é que esta raiva momentânea não se trata de ainda não me ter habituado a nunca "sair" verdadeiramente do escritório e a "entrar" com o mesmo à vontade com que aquela luz vermelha me manda trabalhar esteja eu onde estiver. Mas hoje foi demais – ainda não estava completamente acordada (eram umas 7 da matina, não pensem que eu ando a ter uma vida fácil cá! Ok, ok… umas 7.30… a ir para as 7.45, vá!) – e já tinha um pedido urgente do outro lado da linha, de alguém que faz um horário das 6 às 4 e acha que os advogados são pau para toda a obra… e a toda a hora! BTW, alguém me sabe dizer se ainda há escritórios de advogados que trabalhem com telefone fixo e máquina de escrever?
25 de maio de 2010
Estou sem ideias
Preciso de sugestões para o próximo livro que vou comprar hoje ao fim da tarde à Waterstones.
Ficarei profundamente desiludida se não tiverem nada para opinar até então.
Ficarei profundamente desiludida se não tiverem nada para opinar até então.
24 de maio de 2010
Em duas penadas
4 dias e 4 aviões depois diz que tenho uma obstrução tubar, o que trocado por miúdos significa que estou surda que nem uma porta do ouvido direito deste quinta-feira. Mas eu não sou cá gaja para me deixar intimidar por um tímpano ressabiado e por isso foi um fartote de coisas giras este fds – da Lagoa do Fogo, à Caldeira Velha, uma viagem atribulada de carro pelas ruas de S. Miguel, passando pelos copinhos de licor de maracujá bebidos à pressa numa roulotte de berma de estrada, acompanhados de um cigarro-bomba Além Mar e de uma conversa incompreensível com um Açoriano que – muito simpático, muito simpático – conseguiu que ardêssemos logo ali todos os trocos que trazíamos nos bolsos. Tive até direito a cantar no palco de um Coliseu, coisa que certamente não me voltará a acontecer na vida.
19 de maio de 2010
Londres – Lisboa – Ponta Delgada – Lisboa – Londres
Foram 28 anos a fazer um esforço tremendo por engolir 12 passas todo o santo ano novo e a bater na mesma tecla de querer viajar muito, muito no ano seguinte que_eu_sou_uma_gaja_porreira_e_trabalhadeira_que_no_fundo_merece. Parece que foi em Salamanca que as minhas preces se fizeram ouvir e por isso decidiram fazer-me a vontade este ano para eu ficar satisfeita e não chatear mais.
Açores, São Miguel, mais precisamente Ponta Delgada – aí vou eu! Não prometo o cozido das furnas mas um mergulho na Lagoa do Fogo isso é que vai. Ai vai, vai.
Até para a semana!
18 de maio de 2010
Mais dois
Gente,
Sabem como é, isto já faz parte – aqui vão mais dois barzitos por onde passeei a minha alegria recentemente para o caso de não saberem onde ir no próximo sábado à noite.
La Stanza
Fica ali perto de Picadilly e serve para fazer a festa mas não aquece nem arrefece. Tem um pátio simpático para fumadores com uns aquecedorzinhos maravilhosos o que subiu 10 valores na minha consideração. Ainda conseguimos meter água com um porteiro que era brasileiro, enquanto eu era fortemente gozada por andar de bilhete de identidade (ficam avisados que quem não tem um CC está out).
Fuel
Restaurante & Bar em pleno Covent Garden. O restaurante fica numa cave labiríntica (depois de umas horas algo claustrofóbica) mas decorada com originalidade o que faz esquecer a profundidade da coisa. No andar superior o bar com uma varanda para o mercado (aquecedores + cigarrinho = gostei), para aquelas noites em que apetece estar a ver a banda a passar.
Sabem como é, isto já faz parte – aqui vão mais dois barzitos por onde passeei a minha alegria recentemente para o caso de não saberem onde ir no próximo sábado à noite.
La Stanza
Fica ali perto de Picadilly e serve para fazer a festa mas não aquece nem arrefece. Tem um pátio simpático para fumadores com uns aquecedorzinhos maravilhosos o que subiu 10 valores na minha consideração. Ainda conseguimos meter água com um porteiro que era brasileiro, enquanto eu era fortemente gozada por andar de bilhete de identidade (ficam avisados que quem não tem um CC está out).
Fuel
Restaurante & Bar em pleno Covent Garden. O restaurante fica numa cave labiríntica (depois de umas horas algo claustrofóbica) mas decorada com originalidade o que faz esquecer a profundidade da coisa. No andar superior o bar com uma varanda para o mercado (aquecedores + cigarrinho = gostei), para aquelas noites em que apetece estar a ver a banda a passar.
17 de maio de 2010
16 de maio de 2010
Três boas razões para estar com uma valente neura
É domingo, está um dia daqueles em que não chove nem deixa chover e eu aqui fechada a trabalhar.
15 de maio de 2010
One man show
Um homem. Uma guitarra. Um plateia extensa, mas silenciosa. Um sala imponente. Um atmosfera mágica. Foi hoje no Royal Festival Hall o concerto em relação ao qual não guardava muitas expectativas mas que me surpreendeu grandemente. Nunca imaginei que este senhor enchesse uma sala daquelas. Uma plateia rendida à sua figura singela, perdida, frágil - até - no meio daquele palco ostensivamente grande para ser ocupado por uma pessoa apenas. E a sua guitarra. Os acordes soavam de uma tranquilidade contagiante, apenas quebrada pelos aplausos que soavam imediatos e seguros no final de cada música. Acho que posso dizer que foi o primeiro concerto em que estive comigo mesma. E gostei.
14 de maio de 2010
Um obrigada à Ana e ao Diogo por terem aceite o desafio que lhes lancei... e por terem partilhado comigo (e convosco) o que viram e sentiram nesta cidade
"Fifty Five to...
Este poderia ser um qualquer destino que um 55 nos levasse... mas não, não é um destino qualquer...
Estamos em Londres, em Heathrow... quis um vulcão que nos mudássemos para cá.
Já contabilizamos mais de 10 horas entre atrasos sucessivos, cancelamentos inesperados..
Já foi dia... e entretanto ficou de noite!
Está a chegar ao fim, se novo ajuste horário não se verificar, aqueles que foram os 4 dias mais divertidos da nossa 1ª experiência europeia juntos!
Chegamos a Stansted com muita vontade e mapa na mão...
Palmilhamos Km's... vimos tudo, mesmo quase tudo que Londres tem para nos mostrar.
Passamos o Tate Britain, acertamos a hora no Big Ben, atravessamos a Westminster para ver de perto o London Eye. Vimos as figuras de cera, entrámos no museu de Historia Natural e rendemo-nos ao palácio da rainha. Passeámos em Notting Hill, lanchámos em Marylbone...sentimos a loucura de Oxford Street e ai lambuzámo-nos na melhor waffle do mundo. Descemos a Regent's Street até Picadilly Circus... Estivemos em Convent Garden... vimos os mais Punks de Camden Town... Pelo canal chegamos ao Regent's Park. Degustamos no Borough Market... e jantamos no Ping Pong, no Wahaca e no Pho.. Subimos a Primrose Hill e ainda houve tempo para passar em St.Paul's Cathedral e pela ponte Millennium chegamos ao Tate... Foram muitas linhas de metro, muitas de bus... mas uma foi especial...
Festejamos a vitoria do Benfica na muito Tuga Stockwell Road (teve mesmo de ser)... com direito a tremoço e bolinho de bacalhau...
Andámos Km's, corremos metros... e fomos fortemente contagiados pela alegria da nossa anfitriã.
......
Não fossem ter passado mais 24 horas desde a hora em que começamos a escrever isto.. e já estamos em Portugal, poderia estar em busca de um 55 para um novo destino.. o que ele nos quisesse levar...
Fifty Five to... Leyton - Bakers Arms!
P.S O voo foi cancelado mais uma vez... Dormimos num hotel.. voltamos para o aeroporto.. saíram muitos aviões até finalmente aterrarmos em Lisboa.
Ficam saudades, muitas fotografias e um monte de histórias para contar...
Ana e Diogo"
Este poderia ser um qualquer destino que um 55 nos levasse... mas não, não é um destino qualquer...
Estamos em Londres, em Heathrow... quis um vulcão que nos mudássemos para cá.
Já contabilizamos mais de 10 horas entre atrasos sucessivos, cancelamentos inesperados..
Já foi dia... e entretanto ficou de noite!
Está a chegar ao fim, se novo ajuste horário não se verificar, aqueles que foram os 4 dias mais divertidos da nossa 1ª experiência europeia juntos!
Chegamos a Stansted com muita vontade e mapa na mão...
Palmilhamos Km's... vimos tudo, mesmo quase tudo que Londres tem para nos mostrar.
Passamos o Tate Britain, acertamos a hora no Big Ben, atravessamos a Westminster para ver de perto o London Eye. Vimos as figuras de cera, entrámos no museu de Historia Natural e rendemo-nos ao palácio da rainha. Passeámos em Notting Hill, lanchámos em Marylbone...sentimos a loucura de Oxford Street e ai lambuzámo-nos na melhor waffle do mundo. Descemos a Regent's Street até Picadilly Circus... Estivemos em Convent Garden... vimos os mais Punks de Camden Town... Pelo canal chegamos ao Regent's Park. Degustamos no Borough Market... e jantamos no Ping Pong, no Wahaca e no Pho.. Subimos a Primrose Hill e ainda houve tempo para passar em St.Paul's Cathedral e pela ponte Millennium chegamos ao Tate... Foram muitas linhas de metro, muitas de bus... mas uma foi especial...
Festejamos a vitoria do Benfica na muito Tuga Stockwell Road (teve mesmo de ser)... com direito a tremoço e bolinho de bacalhau...
Andámos Km's, corremos metros... e fomos fortemente contagiados pela alegria da nossa anfitriã.
......
Não fossem ter passado mais 24 horas desde a hora em que começamos a escrever isto.. e já estamos em Portugal, poderia estar em busca de um 55 para um novo destino.. o que ele nos quisesse levar...
Fifty Five to... Leyton - Bakers Arms!
P.S O voo foi cancelado mais uma vez... Dormimos num hotel.. voltamos para o aeroporto.. saíram muitos aviões até finalmente aterrarmos em Lisboa.
Ficam saudades, muitas fotografias e um monte de histórias para contar...
Ana e Diogo"
13 de maio de 2010
E é verdade
Quando me perguntam no elevador como vai a moral do meu país com cortes nos ratings, inflação, aumento dos impostos e congelamento dos salários, pena que eu só tenha tempo de explicar aquela parte de estarmos todos satisfeitos porque o SLB foi campeão e o Papa está hoje em Fátima.
12 de maio de 2010
A verdade dos números
A primeira minoria desde 1974
5 dias de negociações
A primeira coligação depois de 70 anos
O PM britânico mais jovem dos últimos 200 anos
Primeiro PM conservador depois de 13 anos de poder trabalhista
Conservadores afastam Trabalhistas pela primeira vez em 30 anos
Parece que cheguei no episódio mais emocionante da política britânica.
5 dias de negociações
A primeira coligação depois de 70 anos
O PM britânico mais jovem dos últimos 200 anos
Primeiro PM conservador depois de 13 anos de poder trabalhista
Conservadores afastam Trabalhistas pela primeira vez em 30 anos
Parece que cheguei no episódio mais emocionante da política britânica.
E por falar em duas coisas que não têm nada a ver
Outro musical já cá canta. Os meninos escolheram. A menina fez a vontade. E não é que desta vez os rapazes cantavam que se fartavam. Até eu – emocionei-me e cantei tanto e a plenos pulmões esta aqui, que sai de lá feita em Scaramouche.
E ainda... uma surpresa com sotaque português
O Viajante abriu há 1 mês em Londres. Fica em East End, numa rua que mete dó de má mas num edifício que só pode ter sido estacionado ali ao engano. Por isso até a escolha do local surpreende. O Nuno é o chef com sangue luso, que andou pelos Estados Unidos e pela Europa a ver como se faz a coisa à séria e deve ter sido nos tempos que passou a apanhar na cabeça do Sr. Adrià no El Bulli que aprendeu a fazer aquelas granizadas e outras coisas tão boas de se bradar aos céus. Cinco estrelas (bem pagas no final – esclareça-se).
11 de maio de 2010
i num instante tudo muda
De repente uma enxurrada de trabalho se abate sobre o 25° de UB Street. Cheira-me que a minha vida vai tornar-se rapidamente num pequeno pesadelo, mesmo a tempo de me lixar o Verão. Quem quiser demonstrar o seu apoio que o faça agora – se estiverem parcos de ideias – eu acharia simpático receber umas postitas de bacalhau e bom vinho tinto português. Douro, de preferência!
10 de maio de 2010
O jogo do título
Aconteceu ontem, numa rua esquecida para lá do rio, onde não é preciso estar muito atento para se perceber que é ali que se vive à Portuguesa. Hesitámos entre o café Sintra e o Cantinho de Portugal, mas as minis e o bolinho de bacalhau estavam garantidos em qualquer um dos dois. Pelo caminho, o café do Barros, uns quantos anúncios Delta e muitas, muitas bandeiras do SLB. Depois de passado o susto com o golo que o meu Rio Ave fez o favor de marcar, a festa fez-se. Com o Zé do bombo e o Tone indeciso entre a corneta e o apito, vestidos a rigor nos seus melhores fatos-de-treino tactel e um Quim Barreiros a cantar qualquer coisa ordinária numa coluna algures por ali. Foi a festa vermelha em Stockwell.
7 de maio de 2010
Momento revelação
Hoje vi uma inglesa chorar. Durou 30 segundos e depois foi como se nada tivesse acontecido. É certo. Mas ainda assim consegue ser tão inverosímil como um bacalhau com asas a voar.
E os próximos são.....
A AI e o D chegaram a Londres ontem e cheios de vontade de absorver esta cidade. E eu cá estou para fazer o meu papel bem feitinho e conseguir que eles saiam daqui a sentir-se um pouco londoners. À terceira ilustre visita, a sala lá de casa passa a qualificar oficialmente como quarto de hóspedes e eu como guia turística especializada – por isso agarrem já na vossa prancha e venham surfar para o nosso sofá porque a lotação começa a ficar esgotada!
6 de maio de 2010
Polling Day
Hoje é o dia dos britânicos irem às urnas. O escritório apressou-se a "pedir" para não tentarmos aceder aos sites de vídeo para acompanhar os resultados, para "não causar lentidão acrescida no sistema".
Gostava mesmo de saber como seriam em Portugal umas eleições à quinta-feira.
Gostava mesmo de saber como seriam em Portugal umas eleições à quinta-feira.
5 de maio de 2010
O 30 de Abril em Amesterdão - As impressões
O dia da Rainha consegue fazer na Holanda aquilo que nós nunca conseguimos em Portugal – uma festa que os une num forte sentimento de nacionalismo e em que celebram precisamente o facto de serem holandeses. Em Portugal, não fosse o futebol e a feliz coincidência de nos termos aguentado até à final do Euro 2004 – não me recordaria de termos celebrado sem bairrismos à mistura as cores da nossa bandeira. E ainda assim foi preciso vir um brasileiro lembrar-nos disso.
Agora imaginem uma cidade pintada de laranja, milhares de pessoas a chegarem vindas de todo o lado cada uma com um adereço laranja mais original do que a outra, palcos montados em cada esquina, músicos e bandas espontâneas por todo o lado, bebida – muita – bebida, canais pejados de barcos cada um com a sua música e a completar o ramalhete: os holandeses – um povo que, entenda-se, não deixa nada a dever à galhofa. A festa começa às 7 horas de um dia e acaba na madrugada do segundo dia depois. Isso mesmo, perceberam bem. São aí umas 36 horas de gente a vaguear ininterruptamente nas ruas, a fazer as coisas mais doidas que possam imaginar. Bem-vindos a Amesterdão no(s) dia(s) da Rainha.
A primeira noite foi passada - se não totalmente – grande parte em claro. Vozes, gargalhadas, música, cornetas, garrafas a partir – a começar, os holandeses gostam de começar em grande e dormir é para os fraquinhos. Às 10 da manhã do dia seguinte já estava na rua e nem queria acreditar quando me vi (às 10 da manha não se esqueçam) numa grande praça onde estava a acontecer uma rave e onde se reunia o maior número de gente passada por metro quadrado. Juro que pensei que ia ver muitos caídos pelas ruas ao longo daquele dia quando os vi alegremente a dançar em cima de paragens de autocarro, pendurados em estátuas, em varandas como se não houvesse amanhã… enfim, o diabo a quatro. Mas não pensem que a mesma loucura se reproduzia em toda a cidade – era possível escolher entre estar nas zonas calmas e elitistas, a ouvir umas musiquinhas in, beber Moet e comer ostras, como saltar para as ruas hard core e confiar no destino.
Para além disto, no dia da Rainha os holandeses abrem a porta de casa e vendem tudo o que lhes dá na real gana, ali mesmo: roupas usadas, mobílias, home made food, bebidas, tralha e mais tralha. Alguns punham os filhos a tocar ou a fazer qualquer graçola e – sem dúvida – conquistavam uma grande assistência e uns trocos extra para patrocinar os copos. Todos participam na festa.
No fim (sim, ficar um dia depois permite ver o "resultado" de tamanho empreendimento) a cidade ficou completamente virada do avesso, lixo por todo o lado, parecia que tinha acontecido ali uma guerra civil. Mas os holandeses não pareceram preocupar-se muito com isso: não vi um varredor, um carro vassoura a tentar devolver apressadamente a dignidade à cidade. Talvez nisso eles sejam parecidos connosco – primeiro há que curar a ressaca, afinal, o que há mais é tempo para apanhar os foguetes.
Agora imaginem uma cidade pintada de laranja, milhares de pessoas a chegarem vindas de todo o lado cada uma com um adereço laranja mais original do que a outra, palcos montados em cada esquina, músicos e bandas espontâneas por todo o lado, bebida – muita – bebida, canais pejados de barcos cada um com a sua música e a completar o ramalhete: os holandeses – um povo que, entenda-se, não deixa nada a dever à galhofa. A festa começa às 7 horas de um dia e acaba na madrugada do segundo dia depois. Isso mesmo, perceberam bem. São aí umas 36 horas de gente a vaguear ininterruptamente nas ruas, a fazer as coisas mais doidas que possam imaginar. Bem-vindos a Amesterdão no(s) dia(s) da Rainha.
A primeira noite foi passada - se não totalmente – grande parte em claro. Vozes, gargalhadas, música, cornetas, garrafas a partir – a começar, os holandeses gostam de começar em grande e dormir é para os fraquinhos. Às 10 da manhã do dia seguinte já estava na rua e nem queria acreditar quando me vi (às 10 da manha não se esqueçam) numa grande praça onde estava a acontecer uma rave e onde se reunia o maior número de gente passada por metro quadrado. Juro que pensei que ia ver muitos caídos pelas ruas ao longo daquele dia quando os vi alegremente a dançar em cima de paragens de autocarro, pendurados em estátuas, em varandas como se não houvesse amanhã… enfim, o diabo a quatro. Mas não pensem que a mesma loucura se reproduzia em toda a cidade – era possível escolher entre estar nas zonas calmas e elitistas, a ouvir umas musiquinhas in, beber Moet e comer ostras, como saltar para as ruas hard core e confiar no destino.
Para além disto, no dia da Rainha os holandeses abrem a porta de casa e vendem tudo o que lhes dá na real gana, ali mesmo: roupas usadas, mobílias, home made food, bebidas, tralha e mais tralha. Alguns punham os filhos a tocar ou a fazer qualquer graçola e – sem dúvida – conquistavam uma grande assistência e uns trocos extra para patrocinar os copos. Todos participam na festa.
No fim (sim, ficar um dia depois permite ver o "resultado" de tamanho empreendimento) a cidade ficou completamente virada do avesso, lixo por todo o lado, parecia que tinha acontecido ali uma guerra civil. Mas os holandeses não pareceram preocupar-se muito com isso: não vi um varredor, um carro vassoura a tentar devolver apressadamente a dignidade à cidade. Talvez nisso eles sejam parecidos connosco – primeiro há que curar a ressaca, afinal, o que há mais é tempo para apanhar os foguetes.
3 de maio de 2010
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