13 de maio de 2010
E é verdade
Quando me perguntam no elevador como vai a moral do meu país com cortes nos ratings, inflação, aumento dos impostos e congelamento dos salários, pena que eu só tenha tempo de explicar aquela parte de estarmos todos satisfeitos porque o SLB foi campeão e o Papa está hoje em Fátima.
12 de maio de 2010
A verdade dos números
A primeira minoria desde 1974
5 dias de negociações
A primeira coligação depois de 70 anos
O PM britânico mais jovem dos últimos 200 anos
Primeiro PM conservador depois de 13 anos de poder trabalhista
Conservadores afastam Trabalhistas pela primeira vez em 30 anos
Parece que cheguei no episódio mais emocionante da política britânica.
5 dias de negociações
A primeira coligação depois de 70 anos
O PM britânico mais jovem dos últimos 200 anos
Primeiro PM conservador depois de 13 anos de poder trabalhista
Conservadores afastam Trabalhistas pela primeira vez em 30 anos
Parece que cheguei no episódio mais emocionante da política britânica.
E por falar em duas coisas que não têm nada a ver
Outro musical já cá canta. Os meninos escolheram. A menina fez a vontade. E não é que desta vez os rapazes cantavam que se fartavam. Até eu – emocionei-me e cantei tanto e a plenos pulmões esta aqui, que sai de lá feita em Scaramouche.
E ainda... uma surpresa com sotaque português
O Viajante abriu há 1 mês em Londres. Fica em East End, numa rua que mete dó de má mas num edifício que só pode ter sido estacionado ali ao engano. Por isso até a escolha do local surpreende. O Nuno é o chef com sangue luso, que andou pelos Estados Unidos e pela Europa a ver como se faz a coisa à séria e deve ter sido nos tempos que passou a apanhar na cabeça do Sr. Adrià no El Bulli que aprendeu a fazer aquelas granizadas e outras coisas tão boas de se bradar aos céus. Cinco estrelas (bem pagas no final – esclareça-se).
11 de maio de 2010
i num instante tudo muda
De repente uma enxurrada de trabalho se abate sobre o 25° de UB Street. Cheira-me que a minha vida vai tornar-se rapidamente num pequeno pesadelo, mesmo a tempo de me lixar o Verão. Quem quiser demonstrar o seu apoio que o faça agora – se estiverem parcos de ideias – eu acharia simpático receber umas postitas de bacalhau e bom vinho tinto português. Douro, de preferência!
10 de maio de 2010
O jogo do título
Aconteceu ontem, numa rua esquecida para lá do rio, onde não é preciso estar muito atento para se perceber que é ali que se vive à Portuguesa. Hesitámos entre o café Sintra e o Cantinho de Portugal, mas as minis e o bolinho de bacalhau estavam garantidos em qualquer um dos dois. Pelo caminho, o café do Barros, uns quantos anúncios Delta e muitas, muitas bandeiras do SLB. Depois de passado o susto com o golo que o meu Rio Ave fez o favor de marcar, a festa fez-se. Com o Zé do bombo e o Tone indeciso entre a corneta e o apito, vestidos a rigor nos seus melhores fatos-de-treino tactel e um Quim Barreiros a cantar qualquer coisa ordinária numa coluna algures por ali. Foi a festa vermelha em Stockwell.
7 de maio de 2010
Momento revelação
Hoje vi uma inglesa chorar. Durou 30 segundos e depois foi como se nada tivesse acontecido. É certo. Mas ainda assim consegue ser tão inverosímil como um bacalhau com asas a voar.
E os próximos são.....
A AI e o D chegaram a Londres ontem e cheios de vontade de absorver esta cidade. E eu cá estou para fazer o meu papel bem feitinho e conseguir que eles saiam daqui a sentir-se um pouco londoners. À terceira ilustre visita, a sala lá de casa passa a qualificar oficialmente como quarto de hóspedes e eu como guia turística especializada – por isso agarrem já na vossa prancha e venham surfar para o nosso sofá porque a lotação começa a ficar esgotada!
6 de maio de 2010
Polling Day
Hoje é o dia dos britânicos irem às urnas. O escritório apressou-se a "pedir" para não tentarmos aceder aos sites de vídeo para acompanhar os resultados, para "não causar lentidão acrescida no sistema".
Gostava mesmo de saber como seriam em Portugal umas eleições à quinta-feira.
Gostava mesmo de saber como seriam em Portugal umas eleições à quinta-feira.
5 de maio de 2010
O 30 de Abril em Amesterdão - As impressões
O dia da Rainha consegue fazer na Holanda aquilo que nós nunca conseguimos em Portugal – uma festa que os une num forte sentimento de nacionalismo e em que celebram precisamente o facto de serem holandeses. Em Portugal, não fosse o futebol e a feliz coincidência de nos termos aguentado até à final do Euro 2004 – não me recordaria de termos celebrado sem bairrismos à mistura as cores da nossa bandeira. E ainda assim foi preciso vir um brasileiro lembrar-nos disso.
Agora imaginem uma cidade pintada de laranja, milhares de pessoas a chegarem vindas de todo o lado cada uma com um adereço laranja mais original do que a outra, palcos montados em cada esquina, músicos e bandas espontâneas por todo o lado, bebida – muita – bebida, canais pejados de barcos cada um com a sua música e a completar o ramalhete: os holandeses – um povo que, entenda-se, não deixa nada a dever à galhofa. A festa começa às 7 horas de um dia e acaba na madrugada do segundo dia depois. Isso mesmo, perceberam bem. São aí umas 36 horas de gente a vaguear ininterruptamente nas ruas, a fazer as coisas mais doidas que possam imaginar. Bem-vindos a Amesterdão no(s) dia(s) da Rainha.
A primeira noite foi passada - se não totalmente – grande parte em claro. Vozes, gargalhadas, música, cornetas, garrafas a partir – a começar, os holandeses gostam de começar em grande e dormir é para os fraquinhos. Às 10 da manhã do dia seguinte já estava na rua e nem queria acreditar quando me vi (às 10 da manha não se esqueçam) numa grande praça onde estava a acontecer uma rave e onde se reunia o maior número de gente passada por metro quadrado. Juro que pensei que ia ver muitos caídos pelas ruas ao longo daquele dia quando os vi alegremente a dançar em cima de paragens de autocarro, pendurados em estátuas, em varandas como se não houvesse amanhã… enfim, o diabo a quatro. Mas não pensem que a mesma loucura se reproduzia em toda a cidade – era possível escolher entre estar nas zonas calmas e elitistas, a ouvir umas musiquinhas in, beber Moet e comer ostras, como saltar para as ruas hard core e confiar no destino.
Para além disto, no dia da Rainha os holandeses abrem a porta de casa e vendem tudo o que lhes dá na real gana, ali mesmo: roupas usadas, mobílias, home made food, bebidas, tralha e mais tralha. Alguns punham os filhos a tocar ou a fazer qualquer graçola e – sem dúvida – conquistavam uma grande assistência e uns trocos extra para patrocinar os copos. Todos participam na festa.
No fim (sim, ficar um dia depois permite ver o "resultado" de tamanho empreendimento) a cidade ficou completamente virada do avesso, lixo por todo o lado, parecia que tinha acontecido ali uma guerra civil. Mas os holandeses não pareceram preocupar-se muito com isso: não vi um varredor, um carro vassoura a tentar devolver apressadamente a dignidade à cidade. Talvez nisso eles sejam parecidos connosco – primeiro há que curar a ressaca, afinal, o que há mais é tempo para apanhar os foguetes.
Agora imaginem uma cidade pintada de laranja, milhares de pessoas a chegarem vindas de todo o lado cada uma com um adereço laranja mais original do que a outra, palcos montados em cada esquina, músicos e bandas espontâneas por todo o lado, bebida – muita – bebida, canais pejados de barcos cada um com a sua música e a completar o ramalhete: os holandeses – um povo que, entenda-se, não deixa nada a dever à galhofa. A festa começa às 7 horas de um dia e acaba na madrugada do segundo dia depois. Isso mesmo, perceberam bem. São aí umas 36 horas de gente a vaguear ininterruptamente nas ruas, a fazer as coisas mais doidas que possam imaginar. Bem-vindos a Amesterdão no(s) dia(s) da Rainha.
A primeira noite foi passada - se não totalmente – grande parte em claro. Vozes, gargalhadas, música, cornetas, garrafas a partir – a começar, os holandeses gostam de começar em grande e dormir é para os fraquinhos. Às 10 da manhã do dia seguinte já estava na rua e nem queria acreditar quando me vi (às 10 da manha não se esqueçam) numa grande praça onde estava a acontecer uma rave e onde se reunia o maior número de gente passada por metro quadrado. Juro que pensei que ia ver muitos caídos pelas ruas ao longo daquele dia quando os vi alegremente a dançar em cima de paragens de autocarro, pendurados em estátuas, em varandas como se não houvesse amanhã… enfim, o diabo a quatro. Mas não pensem que a mesma loucura se reproduzia em toda a cidade – era possível escolher entre estar nas zonas calmas e elitistas, a ouvir umas musiquinhas in, beber Moet e comer ostras, como saltar para as ruas hard core e confiar no destino.
Para além disto, no dia da Rainha os holandeses abrem a porta de casa e vendem tudo o que lhes dá na real gana, ali mesmo: roupas usadas, mobílias, home made food, bebidas, tralha e mais tralha. Alguns punham os filhos a tocar ou a fazer qualquer graçola e – sem dúvida – conquistavam uma grande assistência e uns trocos extra para patrocinar os copos. Todos participam na festa.
No fim (sim, ficar um dia depois permite ver o "resultado" de tamanho empreendimento) a cidade ficou completamente virada do avesso, lixo por todo o lado, parecia que tinha acontecido ali uma guerra civil. Mas os holandeses não pareceram preocupar-se muito com isso: não vi um varredor, um carro vassoura a tentar devolver apressadamente a dignidade à cidade. Talvez nisso eles sejam parecidos connosco – primeiro há que curar a ressaca, afinal, o que há mais é tempo para apanhar os foguetes.
3 de maio de 2010
28 de abril de 2010
Vou ali a um aniversario e já venho
Ela insistiu. Nós ainda nos fizemos de caros e ponderámos recusar o convite. Dizem que é muita gente, muita animação, espectáculos, música, teatro… enfim, uma verdadeira chatice. Vamos lá fazer o frete só porque afinal a minha missão também inclui lançar charme para as monarquias vizinhas. Por isso podem mandar avisar a Rainha que vamos chegar amanhã, ainda a tempo para jantar. E espero na sexta-feira estar a beber algo espirituoso num destes enquanto brindo à sua saudinha. Bem-haja a todos e boas férias para mim.
27 de abril de 2010
Em Roma sê Romano (ainda que não vejas grande motivo para o ser)
Fiquei indecisa se não deveria chamar a isto uma constatação. Constatação de que podemos ter uma cabecinha muito sã, muito sã, mas depois de um certo tempo a levar com a cultura do absurdo, corremos o rico do absurdo passar a fazer-nos sentido.
A minha questão é mesmo esta – não sei como hei-de adjectivá-la: histérica, croma, totó, estúpida? – mania institucionalizada de cada um almoçar à sua secretária - qual ser errante, infeliz, solitário e eternamente atolado até aos olhos de trabalho. Até quase que dá para ter pena. Mas não. Vai-se a ver e estão no facebook a postar qualquer coisa que os faça sentir super sociais e sociáveis ou a twittar qualquer pensamento inútil. Só se compreende que este seja um processo de "desaprendizagem" a estar e a ter um motivo de conversa que desperte interesse nos outros mais de 30 segundos (mais ou menos o tempo que demora o elevador a chegar ao 25°) ou rectificando – mais de 30 segundos sem umas boas pints no bucho. Deve fazer parte, depois de uns anos a trabalhar, perderem-se certas faculdades menos_habilitantes_para _um _exercicio_paranoico_do_trabalho.No outro dia ouvi uma colega a justificar a outra que almoçava todos os dias na secretaria não porque tivesse sempre muito trabalho, mas porque lhe custava estar "mais de 10 minutos longe dos papeis e do email". No comments.
Ainda que recuse aceitar que não encontraria bons motivos para uma boa conversa numa esplanada num dia de sol como o de hoje, o certo é que optei por ficar aqui, a escrever sobre o absurdo que é almoçar aqui. Vou mas é rapidamente lá baixo beber um café a sério e fumar um bom cigarro, para tentar salvar os (bons) hábitos lusos que ainda me restam.
A minha questão é mesmo esta – não sei como hei-de adjectivá-la: histérica, croma, totó, estúpida? – mania institucionalizada de cada um almoçar à sua secretária - qual ser errante, infeliz, solitário e eternamente atolado até aos olhos de trabalho. Até quase que dá para ter pena. Mas não. Vai-se a ver e estão no facebook a postar qualquer coisa que os faça sentir super sociais e sociáveis ou a twittar qualquer pensamento inútil. Só se compreende que este seja um processo de "desaprendizagem" a estar e a ter um motivo de conversa que desperte interesse nos outros mais de 30 segundos (mais ou menos o tempo que demora o elevador a chegar ao 25°) ou rectificando – mais de 30 segundos sem umas boas pints no bucho. Deve fazer parte, depois de uns anos a trabalhar, perderem-se certas faculdades menos_habilitantes_para _um _exercicio_paranoico_do_trabalho.No outro dia ouvi uma colega a justificar a outra que almoçava todos os dias na secretaria não porque tivesse sempre muito trabalho, mas porque lhe custava estar "mais de 10 minutos longe dos papeis e do email". No comments.
Ainda que recuse aceitar que não encontraria bons motivos para uma boa conversa numa esplanada num dia de sol como o de hoje, o certo é que optei por ficar aqui, a escrever sobre o absurdo que é almoçar aqui. Vou mas é rapidamente lá baixo beber um café a sério e fumar um bom cigarro, para tentar salvar os (bons) hábitos lusos que ainda me restam.
23 de abril de 2010
Missão suspensa para balanço
Isto por aqui tem andado muito fraquinho. Os meus amigos devem andar mais a banhos pela Costa da Caparica do que pela blogosfera. Sendo assim vou inspirar-me para a cidade à beira Tejo e volto já.
Bom fim-de-semana
Bom fim-de-semana
21 de abril de 2010
Run Forrest! Run!
Começámos hoje – levantar da cadeira à hora combinada sharp, trocar de roupa rapidamente, descer os 25 pisos e respirar fundo antes de começar a correr. Depois, percorrer o passeio que se estende ao longo do canal até Limehouse e descobrir um mundo literalmente novo fora daquelas quatro paredes. Um sol maravilhoso a cair lentamente sobre as águas calmas do canal e - de ruído - apenas passos de quem nos acompanha na corrida e pedregulhos a crepitar cada vez que passa uma bicicleta. De porta a porta são quarenta e cinco minutos, de puro bem-estar. Ganhei um aninho de vida e prometi repetir a dose duas vezes por semana!
Limehouse
19 de abril de 2010
Bucolismo
Aqui ficam uns apontamentos para um fim-de-semana distraído do ruído da cidade.
Se me vendassem os olhos e me despejassem ali – eu nunca diria que estava mesmo em Londres. Um curso de água serpenteante emoldurado por casas fantásticas com acesso directo ao canal e alguns barcos casa atracados ao acaso por ali trazem-me à memoria uma Amesterdão que visitei há tantos anos atrás. Ao longe – algumas pessoas deixam-se ficar entregues ao silêncio preguiçoso daquela tarde quente enquanto imaginamos divertidos como seria viver ali onde se esconde o tempo e vestir a pele de uma vida errante…
Os domingos foram inventados para isto mesmo – comer, dormir e descansar de comer e dormir. Juntem a isso um imenso tapete verde, o som de uma guitarra a trautear uma música vaga qualquer, uma aragem fresca com o aroma das primeiras flores da Primavera e uns petiscos deliciosos ali à mão de semear e conseguem ter uma ideia do que é um piquenique em Regent's Park num domingo de sol.
Um almoço volante em Borough Market
Se alguém me tivesse explicado o que era realmente este mercado, tenho a certeza que poucos teriam sido os sábados até hoje em que não acabaria por ir lá parar. Num dia de sol – então – é paragem obrigatória. Desde as iguarias mais exóticas, aos queijos, aos produtos orgânicos, às ostras maravilhosas vendidas à unidade, aos sumos naturais, ao live cooking – é possível provar uma coisinha aqui e outra ali antes de fazer a aposta no top 10 ou então fazer por esquecer a culpa da gula e ir andando, andando até não aguentar mais. Mais aqui.
Um passeio pelo canal (Regent's Canal)
Se me vendassem os olhos e me despejassem ali – eu nunca diria que estava mesmo em Londres. Um curso de água serpenteante emoldurado por casas fantásticas com acesso directo ao canal e alguns barcos casa atracados ao acaso por ali trazem-me à memoria uma Amesterdão que visitei há tantos anos atrás. Ao longe – algumas pessoas deixam-se ficar entregues ao silêncio preguiçoso daquela tarde quente enquanto imaginamos divertidos como seria viver ali onde se esconde o tempo e vestir a pele de uma vida errante…
Um piquenique no parque
Os domingos foram inventados para isto mesmo – comer, dormir e descansar de comer e dormir. Juntem a isso um imenso tapete verde, o som de uma guitarra a trautear uma música vaga qualquer, uma aragem fresca com o aroma das primeiras flores da Primavera e uns petiscos deliciosos ali à mão de semear e conseguem ter uma ideia do que é um piquenique em Regent's Park num domingo de sol.
A cinza e os dias
Foram dias fantásticos de passeio, de jantares demorados, de conversas há tanto tempo adiadas e um sol quente a dar um cheirinho de Verão, mas uma nuvem invisível de cinzas acabou por ensombrar as coisas boas que a F., a A. e o T. certamente terão para recordar desta cidade. É fácil ouvir nas notícias que um vulcão de nome impronunciável está a causar o caos na Europa, mas difícil aceitar quando o mundo afinal se torna grande demais.
14 de abril de 2010
Esta semana tenho cá três amigos especiais. Tê-los a abancar no sofá, as malas deles espalhadas pelo meu quarto, sair de manhã apressada para trabalhar e "deixá-los" emprestados ao "meu" mundo, sair a correr do escritório com um sentimento de clandestinidade para tentar encontrá-los ainda sob o sol morno do fim de tarde, passar todo o dia a tentar adivinhar o que andarão a fazer – está a dar-me um gozo enorme, nem podem imaginar.
12 de abril de 2010
Contabilidade do último fds
- Premio desilusão mais desilusão não há
Favela Chic
O problema de quando se fala muito de uma coisa, é que a expectativa ganha proporções tão grandes que muito dificilmente a coisa não descamba em desilusão. Este sitio foi mais uma prova de que é mesmo assim.
Nota dez para a decoração que está super criativa, mas nota negativa para a música. Ouvi mais musiquinhas caribenhas do século passado do que músicas brasileiras - e as que ainda passaram - eram tão fraquinhas que se dispensava. Depois é o problema da caipirinha, servida ao paladar dos ingleses – doce que não se podia – dois copos depois estava em ponto rebuçado. Ainda jantamos lá – o que completou o ramalhete – jantei a moqueca mais fraquinha do que alguma vez consegui na vida, mas ao dobro do preço de todas as outras melhores.
Conclusão – o sitio é pequeno, janta-se mal, a musica não deslumbra e é caro. Pode ser que tenha tido azar com a noite (todos os sitios têm os seus dias maus), mas não fiquei com muita vontade de voltar.- Prémio BBB da semana
- Prémio música de jeito
Não é nada de especial. Mas ouvi musica fixe e dancei com vontade como já não dançava há muito tempo! Agradecem-se DJ's que não inventem!
11 de abril de 2010
Irving Penn
Pablo Picasso (1957)
Truman Capote (1948)
Ballet Society (1948)
"Sensitive people faced with the prospect of a camera portrait put on a face they think is one they would like to show the world... very often what lies behind the façade is rare and more wonderful than the subject knows or darres to believe." I. Penn
"In portrait photography there is something more profound we seek inside a person, while being painfully aware that a limitation of our medium is that the inside is recordable only in so far as it is apparent on the outside." I.Penn
Parte da tarde deste sábado foi passada na National Portrait Gallery, e as fotografias acima foram algumas das que vi. Esta é uma exposição do Irving Penn que estará patente até 6 de Junho e - para quem goste de fotografia - merece bem uma visita.
Impressionantes retratos que nos transportam para aquele interior de que nos fala Sr. Penn na citação acima, de gente tão díspar e carismática. Desde Christian Dior, a Dalì, passando por Balthus, The Duchess of Windsor (que soubemos, ali mesmo - contado pela boca de um Inglês que apreciava maravilhado a imagem tão forte da senhora - ter sido a protagonista da história de amor mais curiosa do país, com o Rei Edward VII, a qual conduziu a uma crise na sucessão ao trono), Dietrich, Hepburn, Bergman - são imagens que cruzam os tempos de 1940 a 2007. E podem sempre dar um salto à National Gallery que fica mesmo ali ao lado.
Impressionantes retratos que nos transportam para aquele interior de que nos fala Sr. Penn na citação acima, de gente tão díspar e carismática. Desde Christian Dior, a Dalì, passando por Balthus, The Duchess of Windsor (que soubemos, ali mesmo - contado pela boca de um Inglês que apreciava maravilhado a imagem tão forte da senhora - ter sido a protagonista da história de amor mais curiosa do país, com o Rei Edward VII, a qual conduziu a uma crise na sucessão ao trono), Dietrich, Hepburn, Bergman - são imagens que cruzam os tempos de 1940 a 2007. E podem sempre dar um salto à National Gallery que fica mesmo ali ao lado.
E depois de uma lavagem cultural, nada como subir ao último andar do edifício para mimar a alma e - numa sala com uma vista espectacular sobre a cidade - tomar o verdadeiro afternoon tea (com todos os acompanhamentos a que tem direito - sandezinhas deliciosas, scones, cookies, bolo de cenoura, e... o resto deixo para vocês descobrirem).
Uffa, cidade esta. Sempre com alguma coisa nova ao virar da esquina para nos surpreender.
LL
8 de abril de 2010
Hat trick
A minha complexa rotina matinal começa no momento em que ponho o pé na rua até ao momento em que entro no elevador em Canary Wharf – ao todo 35/45 minutos de hábeis manobras, ultrapassagens engenhosas e posicionamentos estratégicos, tudo feito automaticamente ao segundo certo. Dois meses e tal depois aposto que conseguia fazer tudo de olhos fechados.
Depois de descer a rua até ao metro posiciono-me no lado certo do passeio para conseguir agarrar das mãos do senhor que distribui as publicações gratuitas diárias à porta da estacão, o meu exemplar. Um desvio de centímetros pode custar-me muitos encontrões e caras feias – são centenas de pessoas a tentar entrar e sair por uma mesma porta, não se esqueçam - o que pode ser uma forma de começar logo mal o dia e um péssimo pressagio para os desafios que se seguem. Descer as escadas a correr para apanhar o primeiro (de três!) metro, que a maior parte das vezes está mesmo a chegar. Tentar começar a ler o jornal – esta linha é mais desanuviada do que a seguinte, por isso tento dar um adianto e matar as principais notícias logo ali. Duas estações depois, voltar descer escadas, percorrer corredores apinhados de gente e entrar na pior linha de toda a rede de metro – a Northern Line (uhhhh, medoooo). Aqui, conseguir entrar na carruagem exige o seu quê de perseverança, cara podre, lata e um bocadinho de força. Depois de um empurrão certeiro e decidido, lá consigo entrar num comboio que – sem excepção – vem com a lotação esgotada já desde o momento em que parou na primeira estação. Completamente encurralada e espremida, lá consigo pôr um olhinho no jornal, mas também já sei que não consigo ir além de umas imagens e (no máximo!) as respectivas legendas. Uma paragem depois, descer mais escadas, mais corredores e entrar no momento mais confortável da minha viagem – o DLR, ou mais conhecido como comboio_maravilha_que_vai_à_superfície_e_tem_quase_sempre_lugar_sentado. Doze minutos depois cheguei ao destino.
Hoje lembrei-me de vos descrever isto pois foi um dia inédito – consegui o hat trick com a proeza de barrar as portas dos três comboios em que entrei. Sabem aquela história que eles estão sempre a repetir nos altifalantes das estações
LL
"stand clear the doors please!"pois isso mesmo! - aquilo que eu consegui não fazer hoje nas três oportunidades que tive. Não nasci para ser britânica, está visto.
LL
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