Não consigo deixar de me sentir desconfortável quando, depois de anunciarem o seu nome e em contraste com o forte aplauso que rapidamente inunda a sala, entra em palco num passo inseguro e trémulo, aquele corpo débil e franzino, deixando perceber os vestígios da passagem de uma juventude intensa e de uma vida que conta já com 80 longos anos. E ainda assim, é de cabeça erguida que carrega com esforço o saxofone, como se não lhe pesasse mais do que aquilo que ele consegue suportar. O primeiro sopro soa afinado mas incerto, no entanto a falta de firmeza vai desaparecendo ao longo dos primeiros minutos, quando o homem dá lugar à lenda e se percebe que afinal a força está na grandeza e na paixão que se dedica àquilo que se faz. Depois de duas horas ininterruptas a vê-lo tocar de pé com a pujança necessária para levar ao rubro aquelas milhares de pessoas, esqueci o desconforto de assistir à imagem da fragilidade humana e percebi porque este senhor vai tocar até morrer. Porque quer morrer feliz.
25 de novembro de 2010
22 de novembro de 2010
Back to the good old times
Não sei se se recordam do cepticismo que manifestei aqui. Eu bem acreditava que coisa boa não podia vir do Indiano. E a verdade é que não só lhe dei de mão beijada £50, sem piar nem pedir recibo, como estive 3 semanas a usar um computador sem Office (ele garantiu-me que o meu computador ficava como novo se ele apagasse tudo) e de um dia para o outro.. Pufff… foi-se. Não liga. Não responde. Deu o pifo. Ele e as 1323476874 músicas que tinha comprado no iTunes ao longo dos últimos 3 anos porque sou uma gaja honesta que não alinha em downloads ilegais (versão real: que nunca tentou ir a sites de downloads ilegais porque é preguiçosa e é mais facil ir ao iTunes pagar e já esta) e as fotografias da minha vida (não foi tão grave assim, a maior parte esta num disco rígido, mas algum drama adicional também faz falta).
Estou mesmo lixada. Até tinha programado um post simpático para hoje sobre o concerto do Sonny Rollins mas não sou capaz de dizer nada de positivo depois de ter perdido o meu PCzinho e ter recuado 30 anos. É desta que compro uma máquina de escrever. E já agora uma grafonola.
19 de novembro de 2010
O anel de Kate
Eu sei que estão todos muito empenhados em que eu assista ao fim do mundo e um par de botas enquanto cá estou, mas também era escusado casarem-me o rapaz.
18 de novembro de 2010
It's all about Jazz
A par com os BBC Proms e mais uns concertos aqui e ali, o London Jazz Festival era um dos must go da minha passagem por Londres. E como não sei fazer as coisas por menos decidi ir a 3 concertos – Esperanza Spalding, Herbie Hancock e Sonny Rollins – dois dos quais já aconteceram e o terceiro será este fim-de-semana.
Esperanza era a minha "cabeça de cartaz" e o concerto que eu esperava com mais expectativa. Porque sou uma completa fã do estilo dela, da presença (imaginava eu), da voz doce e ingénua e – claro – das maravilhas que ela faz com aquele contrabaixo. Porque sim. Mas desiludiu. Para além da miúda padecer daquele problema de mudez em palco – não trocou uma única palavra, um único olhar cúmplice com o publico – achei-a enfadonha, balofa (no sentido figurado, claro) e acho que não fui só eu a abrir a boca várias vezes durante a noite. A qualidade musical não deixou a desejar – entenda-se – gostei bastante das músicas e sobretudo de uma cantada à capela que até me arrepiou. Mas para ouvir música perfeitinha compro o CD ou ouço no meu iPOD. Esperava mais da moça.
Herbie Hancock dizia-me pouco, muito pouco. Mas com ele foi sempre a subir, a subir na consideração, tanto a subir que acabei o concerto super fã dele, de pé, a dançar com os bracinhos no ar a música do encore e a pedir mais com quanta força ainda me restava nas mãos escaldadas de tantas palmas bater. Foram 3 horas de concerto, num final de tarde triste, de um domingo de chuva. Mas ainda assim aquele dinossauro conseguiu que saísse dali a cantarolar. Muito, muito bom. Até vos deixo em baixo um cheirinho da tal música das palminhas do concerto caso não estejam a ver quem é o senhor.
Sonny Rollins será este sábado. O relato aparecerá por cá a seu tempo.
17 de novembro de 2010
O que seria dos reencontros se não existissem despedidas
"Londres, 14 de Novembro de 2010
Querida L.,
Se eu pudesse ter um dom... Agora (a caminho do aeroporto) escolheria o "dom de fazer perdurar um momento"... Não para sempre mas pelo tempo suficiente pra m sentir "consolada"...
Soube a pouco... sabe SEMPRE a pouco! Mas foi o suficiente para levar comigo para casa a certeza que estás bem... (por mais que me custe admitir!)
Foi um fim-de-semana em cheio! Levo uns sapatos já apenas com meia sola, um saco cheio de conversas intermináveis, um sorriso maroto e cúmplice, mil imagens dos lugares que percorres todos os dias e uma (várias) intenções de voltar!
As vivências dão a grandeza que nos define e eu sou GIGANTE, muito graças a te ter na minha vida...
E porque alguém me disse "se não houvesse despedidas, não existiriam reencontros"... Um ate já!
P."
12 de novembro de 2010
Sabor a mar
Eu acho que sinceramente vocês deviam começar a preocupar-se comigo – isto anda tão mau, tão mau, que 2 semanas e meia depois eu só tenho um novo sitio para acrescentar à listinha simpática aqui do lado direito. Preciso de um banho de vida social, é isso mesmo.
Para um ser não carnívoro como eu, é sempre motivo de redobrada felicidade conseguir uma boa refeição de peixe&marisco em terras de HM, que saiba a peixe&marisco e não esteja mergulhada em caril ou natas ou qualquer uma dessas modernices que só servem para entreter. Depois (ou a par com) do Fishworks que já aqui falei há umas semanas, aqui está um belo de um sítio para apreciadores. Simples. Sem mais do que aquilo que é preciso.
11 de novembro de 2010
Poppy Day
Porque um pouco de cultura geral não faz mal nenhum a este blog.
Hoje celebra-se em todos os países da Commonwealth o Poppy Day (ou Remembrance Day), o dia em que se recordam todos os civis e membros das forças armadas mortos ou feridos em guerra. Esta data marca também o fim da primeira Guerra Mundial, acordado acontecer na 11ª hora do dia 11 de Novembro de 1918, e por isso (diz-se) desde 1919, toda a gente (e isto é mesmo real, eu posso comprovar que é muita gente mesmo) usa por esta altura uma papoila na lapela e às 11h neste dia fazem-se 2 minutos de silêncio. O simbolismo da papoila está relacionado com o poema que transcrevo em baixo.
Esta manhã quando soaram os altifalantes no escritório não se tratava de mais um daqueles testes do alarme de incêndio que me tiram do sério, mas a ordem para os 2 minutos de silêncio. Viver num país e criar afinidade com a cultura é também isto mesmo.
The first chapter of In Flanders Fields and Other Poems (a 1919 collection of poems by John McCrae) gives the text of the poem as follows:
In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie,
In Flanders fields.
Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie,
In Flanders fields.
Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.
Mau tempo no canal
É muito bonito trabalhar em edifícios todos envidraçados, mas não em dias de vento furioso como o de hoje em que isto mais parece a casa dos espíritos.
9 de novembro de 2010
House warming
Quase um ano depois, decidi fazer a minha house warming. Mas deparei-me com a triste realidade de que perdi o jeito para estas coisas - para além de falhar os cálculos das doses e reparar que no final era já toda a gente sôfrega a atacar o que restava das entradas, o que depois do prato principal é muito mau sinal; lembrei-me 5 minutos antes das pessoas começarem a chegar que não tinha talheres para todos. Pois, nem travessas suficientes. E também não tinha música. Valeram-me a boa vontade da vizinha e a minha capacidade de improviso. Graças a um momento de inspiração decorativa falhada, também arderam velas e a mesinha de apoio tornou-se – primeiro - numa imensa chama e – depois - num mar de cera líquida. Eu só cheguei na parte da cera líquida, e ainda bem, não tinha ganho para o susto. Partiram-se 3 copos e no dia seguinte contei 10 garrafas no vidrão, mas ninguém se queixou do barulho como nos velhos tempos de Coimbra em que não havia festa em que não fôssemos ameaçadas de despejo. Brindámos com Porto, cortesia da outra vizinha. Fomos 3 Continentes numa sala tão pequenina. E ao meu melhor estilo – não podia deixar de ser – acabei as despedidas com a promessa de fazer algo parecido cada dois meses. Pois.
4 de novembro de 2010
Confissões nocturnas III
1. A voz estridente da colega que se senta na sala do lado irrita-me profundamente - cada vez que ela abre a boca só me apetece amordaçá-la para se calar para todo o sempre.
2. Quando a minha colega de sala deixou escapar hoje ao telefone que não sei quem não tem formação jurídica inglesa e por isso nem deveria ser considerada estagiária (embora eu saiba que ela não estava a tentar mandar-me um recado a mim e que ela tem é inveja das pernas jeitosas e da carinha laroca da suposta "estrangeira" – que por acaso é uma russa lindíssima de morrer, mas só por acaso), só me apetecia esbofeteá-la.
3. Sabe mesmo bem dizer estes disparates de vez em quando.
3 de novembro de 2010
O desafio continua.....
O meu Outlook lembrou-me esta manhã que estava na hora de dar o notice do meu apartamento. Se o destino fosse uma realidade estática, eu estaria hoje a começar a preparar o meu regresso a casa. Mas como não é - siga a marinha e a minha missão por terras de HM mais 6 meses.
2 de novembro de 2010
Obrigada
![]() |
| By os amigos de sempre |
"Longe ou perto, de forma visível ou invisível, no escuro ou na claridade, durante o dia ou durante a noite, com todo o tempo do mundo ou mais a correr, com um sorriso ou uma lágrima, com um abraço ou uma mão, com mais ou menos rugas, para contar ou para ouvir, para discutir ou para apaziguar, para dar ou para receber, para abanar ou para descansar, para marcar ou ser marcado... Para ti ou para nós. Seremos sempre os mesmos. Estaremos sempre cá". NóS
Para ilustrar a minha gratidão por todos os gestos de carinho que recebi este fim-de-semana, escolhi a imagem e o texto que me foram oferecidos pel'Os amigos. Eles sabem bem quem são, os autores desses gestos. Porque não há nada de mais especial que alguém nos possa dizer, do que a promessa de que estará a nosso lado para sempre.
Obrigada a todos pelos sorrisos, pelas palavras, por fazerem parte das histórias que foram ficando gravadas nas rugas que me já me vão lembrando que andamos aqui há uns anitos.
28 de outubro de 2010
Das datas especiais
No dia em que eu nasci a minha mãe tinha 29 anos.
Era dia 29 Outubro (um dia de trovoada segundo sempre me fizeram acreditar as más línguas).
Amanhã passam 29 anos desse dia.
Se a coincidência de datas quer dizer alguma coisa, que seja força para alimentar o corpo, clarividência para iluminar a cabeça e inspiração para colorir o coração. O resto vai-se fazendo.
26 de outubro de 2010
LL está bem de saúde e recomenda-se
Desconfio que este endereço já terá desaparecido dos vossos favoritos mas se alguém ainda andar por cá - coisa que eu tomarei em devida consideração, pois reconheço que não é qualquer alma que aguenta tantos dias a vir aqui e a levar com a música delicodocedepressiva da Kate Nash - pode dormir descansado esta noite pois ainda não foi desta que desapareci da blogosfera, nem desisti de escrever. Mas a exposição contínua e prolongada a um assoberbamento laboral acaba por ter efeitos secundários e causa secura criativa. Mas aqui estou eu back in business- ainda que titubeante entre tantos acentos e cedilhas de um teclado luso, como há muito já eu não teclava - satisfeita pelo meu computador ainda não se ter implodido estando ligado vai para uns dez minutos, depois de ter passado os últimos tempos sujeito a sabe-se lá o quê, nas mãos de um indiano (ou paquistanês ou qualquer coisa que o valha, não sei) que se dedica a arranjos de electrónica numa rua escura ali para os lados de Tottenham Court Road. Ora, se já me tinha surpreendido a loja ainda existir uma semana depois quando lá passei para levantar a minha máquina, estou maravilhada com o facto da mesma ainda funcionar (aparentemente e por enquanto, claro).
Entretanto reuni aqui uma listinha com alguns sitios por onde passei nos últimos tempos para registo para memória futura (começando pelos sitios que valem mais a pena):
Se eu vos disser que aquilo mete caveiras, mete umas paredes curvilineas em mosaico que fazem lembrar o parque Güell do Gaudi, mete lareiras, mete pormenores barrocos, mete uns cães de louça com plumas, mete tudo o que de mais improvável vocês possam imaginar, não pensem que é exagero - é um restaurante super especial que parece saído directamente de um filme do Tim Burton e aterrado ali em Notting Hill para ser disfrutado com boa companhia e um bom copo de vinho. Está no meu top 5 até ao momento.
Este pub merece uma referência por ter uma boa esplanada, onde se passam uns bons momentos nos (raros) dias em que o sol decide dar as caras por cá.
SOS (Smiths of Smithfiel)
Mais uma perolazinha cá da zona. Um espaço descontraído, assim a fazer lembrar uma fábrica, ou um armazém, com uma música animada para começar bem o dia e uns empregados bem-dispostos. Para quem acorde ao domingo com necessidade de vitaminar-se é aqui mesmo ao SOS que deve dirigir-se.
Quem diria que a um domingo, quando parecia que o fim-de-semana já tinha dado tudo o que tinha a dar íamos acabar assim, a beber (mais) um copo de vinho e a disfrutar de tudo o que temos direito até ao fim. Um pub encravado numa rua de South Kensignton, apinhado de gente gira, nada de estraordinário, mas um daqueles sítios que ficam gravados porque sim. Às vezes isso basta, certo?
Desilusão. Não encontro outra palavra para resumir a experiência. Eu que já não sou novata nestas coisas devia ter desconfiado - num restaurante ou se janta ou se vê vistas, não acreditem quando vos tentarem vender o melhor dos dois mundos. De facto a vista de 360º daquele arranha céus impressiona, mas não compensa jantar com o prato no colo uma fish pie que no M&S deve ficar aí por umas 3 libras.
E pronto, entretanto desgracei-me e hipotequei mais umas horas de sono. Mas por uma boa causa. Amanhã quando o despertador tocar vou lembrar-me do quanto tinha saudades de estar aqui (ainda que virtuamente) com vocês.
Bem-hajam!
15 de outubro de 2010
14 de outubro de 2010
Se fossem todos como o de hoje, os dias podiam ter aí umas 30 horas
Começar o dia com um pastel de nata quentinho na casa mais "Portuguesa" desta cidade, almoço de duas horas num japonês fantástico, sendo que ainda me esperam dois lanches e um jantar num Indiano chique de West End. Tirando o senão de ao fim de uns tempos estar a vestir - pelo menos - dois números acima de calças, era uma vidinha do caraças.
12 de outubro de 2010
8 de outubro de 2010
Celebrity spotting: Check!
O Punch Bowl fica numa rua discreta de Mayfair e ainda que chame à atenção a quantidade de caras bonitas e pernas bem feitinhas, altas e magras a bambolearem-se e a fazerem monte à porta, não diria que era mais do que um pub bem arranjado e com bom gosto numa zona chique de Londres. Mas afinal havia uma razão para aquele aparato todo – o Sr._ex_Madonna é o dono do sitio e costuma andar por ali desde que a dita lhe deu com os pés.
Ora, se ontem à noite aquela malta toda queria pôr-lhe a vista em cima, bem que se desiludiu, porque ele só deu as caras quando a nossa era já a última mesa da sala a meter nojo aos empregados e à saída ainda tive direito a um agradecimento in person do Sr. Guy Ritchie! Também tenho direito a entusiasmar-me com celebrity spotting, ou não?!
7 de outubro de 2010
An Englishman in New York
| Kate Winslet by Jason Bell |
Inspirado pelos 120000 english men and women a viver em NY, Jason Bell fotografou algumas personagens britânicas famosas que escolheram ser legal aliens em NY e cujo resultado imortalizado como "Englishman in New York" pode ser visto na National Portrait Gallery.
Embora fosse mais forte o chamamento dos scones quentes do bar do último piso da galeria, altura em que o relógio já chamava para o afternoon tea, não resisti a demorar-me (e a partilhar aqui) nesta fotografia e no seu olhar vago - a meio caminho entre o decidido e o resignado - que naqueles breves segundos sobressaiu de tudo o resto, e - num grito surdo - trespassou o papel e tocou-me como se de um meu próprio sentimento se tratasse. Talvez porque também eu e cada um de nós - acredito - já se tenha sentido alien, num sítio qualquer, num qualquer momento da sua vida.
Do grito do Ipiranga
(ou das razões pelas quais não tenho escrito tanto quanto gostaria)
Ontem já tive que ficar à porta do cinema e morrer na berma da bilheteira, hoje gostava de chegar a tempo das entradas do jantar que me espera em Chelsea.
Ontem já tive que ficar à porta do cinema e morrer na berma da bilheteira, hoje gostava de chegar a tempo das entradas do jantar que me espera em Chelsea.
6 de outubro de 2010
Boa mesa
Isto hoje vai ser rapidinho, rapidinho. Contrato a contrato, minuto a minuto, operação a operação não há tempo a perder! E entretanto chegámos a Outubro! Como eu gosto das castanhas, dos cachecóis, de aquecer a alma em frente a uma boa lareira! Então aquí vão algumas sugestões invernosas e quentes, para uma escapadela este Inverno.
Vinoteca
Uma boa selecção de vinhos, entre os quais mais de uma mão cheia de representantes lusos. Eu experimentei o Australiano "the Black Sock", que acompanhou na perfeição um risotto servido ao balcão enquanto trocámos umas impressões com o empregado que afinal falava Português. Ali ao virar da esquina da mina casa – ainda mais isso.
Cafe du Marche
A comida perde o protagonismo quando um restaurante consegue fazer-nos sentir em casa. Uma sala que poderia bem ser a sala da avó, um tratamento caloroso e irrepreensível, a receita para um jantar demorado em que o conforto foi a palavra de ordem.
The Pig's Ear
Vale a pena a longa viagem até Chelsea, a caminhada pela King's Road num dia cinzento de chuva para depois se disfrutar de um brunch assim. Atendendo ao panorama das mesas do lado - um bom sitio para um almoço de domingo entre amigos, para matar as saudades do calor dos almoços de familia.
1 de outubro de 2010
Woo hoo - It's Friday!
Estão autorizados a pensar que sou uma completa freak – em nove meses que levo de Londres esta foi a quarta vez que almocei fora do edifício do escritório, num restaurante digno desse nome e não pensei em trabalho durante duas horas inteirinhas. Uma pasta super saborosa no Jamie's Italian e um par de horas de gargalhadas e conversas sobre sapatos e gajos com as colegas divertidas do piso depois, e a vontade de trabalho é zero. O lazer, de facto, só atrapalha!
29 de setembro de 2010
O remate de diálogo mais simples e mais complexo do mundo
Partner: (…) então é essa exactamente a tua vontade?
[deep breath]
Associate: é.
E pronto. Está feito.
[deep breath]
Associate: é.
E pronto. Está feito.
28 de setembro de 2010
Descobertas Recentes
Se eu tivesse que descrever este sitio com uma frase popular diria "nem tudo o que parece é".
Aquilo que do passeio parece ser uma mera peixaria (com melhor aspecto do que aquilo que qualquer pessoa invariavelmente pensa quando imagina uma) acaba por revelar-se um restaurante elegante onde se come um maravilhoso.. imaginem o quê? Peixe! Mas há marisco à fartazana também. Quase que chegava à altura dos bons restaurantes de peixe de VC, o que é muito bom sinal para um país que acha que a pescada nasce envolta em farinha de fritar.
Intimista, pequeno, acolhedor, quente, confortável, anfitrião, especial. E mais não digo.
The Slaughtered Lamb
Cada vez que conheço um novo sitio nos arredores da minha casa, mais me convenço que não podia viver noutro sitio que não fosse EC1. Definitivamente um pub trendy a guardar na algibeira para impressionar visitas.
Cada vez que conheço um novo sitio nos arredores da minha casa, mais me convenço que não podia viver noutro sitio que não fosse EC1. Definitivamente um pub trendy a guardar na algibeira para impressionar visitas.
27 de setembro de 2010
Coisas de trazer por casa
A minha nova flatmate mudou-se ontem de colchão, malas e bagagens lá para casa. Esta foi a nossa primeira noite "juntas", de modo que de manhã, com a carga de sono que ia, já não me lembrava que ela vivia comigo. Ele há com cada uma que nos acontece quando achávamos que já tínhamos passado por tudo!
24 de setembro de 2010
Nada se cria, nada se transforma, tudo se repete
Há uns largos anos ouvia esta em on repeat e ficou como uma espécie de memória musical dessa altura. Hoje fez-me outra vez sentido.
Bom fim-de-semana
21 de setembro de 2010
Confissões Nocturnas II
Em dias como o de hoje, agradeço sempre a quem me ensinou a contar até 10 antes de explodir e partir tudo à minha volta. Contar até 10 é mais rápido e indolor, sem dúvida.
20 de setembro de 2010
Countryside
Chegamos atrasados e descoordenados à estação de Vitoria naquele sábado invulgarmente solarengo e quente para um dia avançado de Setembro. Ainda conseguimos trocar-nos todos nos comboios e acabarmos na direcção errada a caminho de um outro sitio qualquer.Mas nada disso importa. Voltamos a tentar, desta vez na direcção certa, ainda que 1 hora depois da que estava prevista. Finalmente Seaford e ao longe a costa recortada pintada de branco e verde que nos fez viajar até ali - as Seven Sisters. O sol ajudou a uma longa caminhada por entre aquele manto verde irregular enquanto nos deslumbrávamos com a feliz coincidência daquele sítio nos ter presenteado com um dia de sol assim. Para a despedida, ainda um afternoon tea num pub esquecido numa aldeia perdida algures na província inglesa, momento em que o cansaço começa a vencer-nos a vontade de regressar à cidade. Um dia entre amigos, a repetir.
16 de setembro de 2010
A idade
Atingido um ponto em que me envergonho com os estalidos que o meu ombro produz cada vez que ensaio qualquer movimento que não seja teclar contratos e depois de não passar 10 minutos sem me lembrar que tenho um ombro direito – decidi assumir que a PDI não perdoa e que - posso não ter cabelos brancos - mas de uma maleita profissional já não me livro. Como o plano B não me dava jeito de momento – aceitar aquela oferta de emprego que me fizeram no outro dia de viajar pelo mundo em classe executiva, dormir nos melhores hotéis, palmilhar tudo que são museus de capitais mundiais, mergulhar nas praias mais secretas do Índico, jantar nos restaurantes mais exclusivos e depois só ter de escrever sobre isso – decidi pedir ajuda a uma equipa de saúde no trabalho patrocinada pelo meu escritório. Depois de 30 minutos a ser observada na minha secretária, qual passarinho amestrado, por um senhor de lápis atrás da orelha e olhar circunspecto, que tomava notas ilegíveis e usava termos técnicos que eu não fazia ideia do que significavam – mas aos quais respondia sempre que "sim senhor, é isso mesmo", o resultado foi chegar aqui esta manhã e ter um upgrade descomunal na minha secretária – descansos para pés, apoio para punhos, rato especial, teclado mini especial, suporte para rato especial, cadeira com ajustes especiais, película especial no monitor . Não sei se isto vai devolver o meu ombro à vida activa, mas até lá pelo menos tenho uma secretária que no mínimo parece um avião!
13 de setembro de 2010
Há momentos que devem permanecer assim - indizíveis.
"Dá vontade de viver sempre assim... em família!A seleccionar estas fotos dei por mim a pensar que gosto mesmo muito de vocês!! Os momentos não se repetem (e ainda bem), mas eternizam-se (e ainda bem)."
Obrigada.
LL
10 de setembro de 2010
Mundividência
Já vi um bom amigo feito cá partir para Sydney, hoje despeço-me de outra das minhas favoritas para Hong Kong.
8 de setembro de 2010
BBC Proms 2010
Os Proms 2010 eram um must go da minha passagem por Londres e um programa de luxo convidava a assistir a mais do que um prom ao longo destes dois meses. Entre férias, aniversários, casamentos vários e vais-e-vens a Portugal, sobraram poucas oportunidades de ir e perderam-se todas as oportunidades de assistir a proms com personagens de renome da música. Acabei por assistir a dois, muito diferentes (Children's prom e Prom 70 Ensemble Matheus), mas que despertaram o bichinho para repetir no futuro!
Deixo-vos tambem aqui um cheirinho caso pensem dar um salto cá em 2011!
7 de setembro de 2010
Odeio
...jantar à secretária. Primeiro estranhei, depois entranhei, agora fico irritada comigo mesma por não ter feito as coisas a tempo ou por ter coisas a mais para o meu tempo.
Quando o sistema falha
Uma greve no metro de Londres consegue transformar esta cidade num autêntico pesadelo. Não sei como foi para os outros mas eu consegui a proeza de demorar 2 horas a chegar ao escritório numa viagem inacreditável num autocarro apinhado de gente, por entre um trânsito assustador e ainda ter coragem de me meter um comboio igualmente sufocante e lotado. Um dia que começa assim torto tenho sérias dúvidas que se endireite.
3 de setembro de 2010
Is anybody there?????????????????
Não me parece. Então olha, vou arranjar interlocutores para outras bandas.
Bom fds
Bom fds
2 de setembro de 2010
Um paraíso idílico
Não vou repetir o que dizem os sites. Que é o número qualquer coisa na Europa, que reúne um número qualquer de espécies, que tem não sei quantos anos e outras verdades dos números. Eu quero falar do que eu senti. Depois de meia hora de comboio para algures às portas de central London, senti-me desligar da cidade e desfrutei com todos os sentidos o cheiro húmido das estufas de Kew Gardens e o calor a aquecer-me as costas enquanto almoçava entre árvores que não consegui adivinhar o nome. E a viagem valeu pelo treetop walk… agora pelo menos já posso dizer que andei na copa das árvores.
| Treetop Walk |
The Garrison
Não teria sido preciso muito para, naquele dia, ter gostado de jantar aqui. Numa sexta-feira, em que me esperavam três dias longe de contratos e computadores e em que a meteorologia prometia o tão aguardado sol, depois de uma semana ininterruptamente a chover. Mas ainda assim, ainda que aquele dia não exigisse muito para acabar bem, não podia ter desejado melhor sitio para um copo de vinho tinto saboreado sem pressas, numa sala que me fez lembrar o conforto das casas vividas e com história, sob um tecto baixo de madeira a aconchegar o momento.
31 de agosto de 2010
Ah coiso e tal
(ainda inspirada pela dose de revivalismo de Gatos deste fim-de-semana) depois de três dias de dolce far niente por Londres é isto que para já tenho tempo para dizer.
PS: desculpem-me a estupidez mas 14 horas a uma secretária dão cabo da sanidade de uma pessoa
PS: desculpem-me a estupidez mas 14 horas a uma secretária dão cabo da sanidade de uma pessoa
27 de agosto de 2010
Quando se fala em restaurante Português em Londres…
Fala-se no Portal. Acho que a fama do dito começou com um jantar famoso entre o Mourinho e o Ashley Cole - mas não sei confirmar isso, percebo pouco de futebol e ainda menos de gossip do mundo do futebol. Mas voltando ao restaurante: não achei que se tratasse de uma casa portuguesa com certeza – fiquei desiludida com o facto de na ementa não constar o nosso amigo bacalhau – mas achei que vale a pena abrir os cordões à bolsa e experimentar aqueles pratos maravilhosos de nouvelle cuisine acompanhados de um bom vinho Português.
26 de agosto de 2010
Direito constitucional
| Oxo Tower Restaurant |
Depois de um simpático almoço de 3 horas com esta vista, devia ser proibido regressar à secretária para conspurcar os olhos de azul Windows.
23 de agosto de 2010
Olha para o que eu digo.....
É suposto eu ser a mentora de um jovem de 15 anos que durante esta semana vai partilhar sala comigo, naquela que será a sua primeira experiência profissional. Estou em fase de auto-convencimento de que ser-se advogado é a melhor coisa do mundo. Aceitam-se bons argumentos.
19 de agosto de 2010
Marrocos - Algumas imagens
| Vista da Medina de Chefchaouen |
![]() |
| Medina de Fez Pormenor de uma parede |
![]() |
| Medina de Fez A rua mais estreita da Medina (50cm) |
![]() |
| Medina de Fez Um emaranhado angustiante de casas |
![]() |
| Medina de Fez O trabalho das peles / pormenor da tinturaria |
![]() |
| Medina de Fez Minarete de uma das muitas mesquitas da Medina |
![]() |
| Medina de Fez O Talho (!) |
| Medina de Fez A zona comercial - pormenor da loja e do meio de transporte estacionado à porta |
| Floresta dos Cedros Uma estrada mágica |
![]() |
Floresta dos Cedros |
![]() |
| Pelas montanhas do Atlas uma paisagem desértica |
![]() |
| Pelas montanhas do Atlas As localidades e as pessoas |
![]() |
| Marrakech A praça mágica Djemaa el Fna |
| Medina de Marrakech O aguadeiro com traje tipico |
Toubkal (segundo ponto mais alto de África) Kasbah du Toubkal - 40 miles from Marrakech a million miles from anywhere- uma pousada única |
El Jadida Herança Portuguesa - Cisterna onde se filmaram cenas de um filme do Orson Welles |
18 de agosto de 2010
LoungeLover
De repente dás por ti em Shoreditch sem perceber muito bem porquê que foste ali parar, numa rua que não parece prometer por aí além. Mas ao virar da esquina, num beco ao estilo daqueles que servem para ajustar contas nos filmes, ali está ele, pretensiosamente exuberante e uma menina aprumadinha à porta a fazer a triagem dos clientes e a garantir o ar selecto. Uma decoração muito original, música adequada às conversas animadas que cruzam as mesas, uma lista infindável de cocktails e sushi&sashimi para entreter.
17 de agosto de 2010
Porto Seguro
Há um sítio muito especial que faz parte da minha vida e das nossas vidas - Almoçageme.
Há sítios nos quais somos sempre felizes, somos família, somos amigos, somos sorrisos. E trazemos esses sítios no coração, como que a ancorar-nos à nossa existência e a lembrar-nos quem somos, andemos por onde andarmos, por esses caminhos que a vida nos leva.
Este fim-de-semana em Almoçageme foi assim - fomos nós, nas longas horas passadas à mesa, a ouvir e a contar as histórias que vão se repetindo ano após ano, mas que soam sempre únicas e em que rimos até às lágrimas com a mesma vontade como quando as ouvimos pela primeira vez. E ano após ano continuamos a ser desorganizados, a falar todos ao mesmo tempo, a implicar com as mesmas coisas, a abraçar na hora da chegada e a despedir com a voz embargada e a lágrima no canto do olho no momento da partida.
Ate para o ano, Almoçageme, por aquilo que representas.
LL
13 de agosto de 2010
Shanghai Blues
Este restaurante chinês está a léguas de distância de um que costumávamos ir na marginal da Póvoa (isto só dirá qualquer coisa a uma pequena percentagem de leitores deste blog) nos tempos em que se já não éramos crianças, ainda andávamos muito lá perto. Comíamos alegremente uns clepes plimavela mergulhados em molho de soja (para disfarçar o sabor ou a falta dele) e dividíamos uns quantos chop soys de gambas e de polco empurrados com coca-colas e splites. E no final pagávamos uma fortuna – não me lembro bem, mas devia rondar os mil paus ou isso. Que saudades.
Se perderam a oportunidade de conhecer o chinês da marginal enquanto eram jovens imberbes, então não percam este sítio – cheio de pinta, bom atendimento, bom ambiente, boa localização. E posso garantir que não vi chop soys na lista.
12 de agosto de 2010
Procura-se
A partir de hoje estou oficialmente à procura de flatmate.
Espalhem por favor a notícia pelos vossos contactos!
Obrigada
Espalhem por favor a notícia pelos vossos contactos!
Obrigada
10 de agosto de 2010
Marrocos – O pior (virão depois o melhor e as imagens – em jeito de quem come a bola com creme a toda a volta e deixa o creme para o fim)
À mesa
(A falta d')As defesas
Nem tanto ao mar nem tanto à terra
E são estes os três "menos" da aventura Marroquina destas férias que agora esteja a ver. Contas feitas nem foi nada mau. E esperem até eu começar a falar do "mais, mais" - é uma lista que nunca mais acaba.
Desengane-se quem acredite que vai a Marrocos sentar-se à mesa e perder a cabeça. Os Marroquinos são tão pouco imaginativos e pobrezinhos de espírito que só sabem cozinhar batatas, cuscuz, courgettes, cenouras e uma carne que nunca viu frigorifico e que antes do tacho serve também o propósito de ornamentar as bermas de estrada e esplanadas e faz as maravilhas de todas as moscas locais. E depois espetam-lhe com tamanha quantidade de especiarias que ao fim e ao cabo acaba tudo a saber ao mesmo – pode ser saboroso, mas é monótono. E é isto o famoso Tagine Marroquino – depois de dois dias no território do país, só a palavra já enjoa.
Claro que tivemos algumas excepções e boas surpresas – restaurantes em zonas mais urbanas e turísticas – sendo que todos eles reuniam os seguintes requisitos: não serem geridos por Marroquinos, envolverem o mínimo possível a mão desleixada de Marroquinos e não servirem Tagine. Pois bem – o melhor que se consegue à mesa em Marrocos é uma mesa que nada tenha a ver com Marrocos.
(A falta d')As defesas
O guia bem avisava "no matter what you eat in Morocco, at some point of your trip you will have diarrhoea". É assim, está escrito, toca a todos. E quanto mais te convences que até tiveste cuidado, que vais mudar o rumo da história, que já passaram uns dias e vais-te mantendo integro – tu, que até disseste Não aos maravilhosos sumos de laranja natural espremidos por mãos que sabe Deus e servidos em copos que nunca viram água –, vais acabar por adoecer. Eu também lá também tive as minhas 24 horas para não me armar que sou diferente.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra
Depois de uma espécie de recorde alcançado – o de viver estoicamente 10 dias consecutivos em Agosto a uma simpática temperatura muito para lá dos 40° graus (nunca olhei para um termómetro para ficar sempre na dúvida se o calor era apenas impressão minha) e sempre pelo menos a umas 4 horas de distância do mar mais próximo – sonhámos com aqueles dias merecidos em que então desmaiaríamos quais heróis regressados a casa no areal imenso de Essaouira e mergulharíamos os nossos corpos sedentos de frescura nas águas frias do Atlântico.
Só que a bela tinha um grande senão – uma ventania insuportável capaz de mandar as Nortadas furibundas das praias do Norte para a fasquia de um ventinho fresquinho e agradável. Moral da história – passou-nos ao lado o facto daquele sítio ser o templo dos kitesurfers e dos windsurfers – o que para quem quer ocupar os seus dias na canseira do cá e lá entre a espreguiçadeira e o mar – convenhamos – não dá muito jeito.
E são estes os três "menos" da aventura Marroquina destas férias que agora esteja a ver. Contas feitas nem foi nada mau. E esperem até eu começar a falar do "mais, mais" - é uma lista que nunca mais acaba.
9 de agosto de 2010
Back in business
Estou de volta.
Confesso que hoje nem queria acreditar quando me vi de novo numa rotina casa-trabalho (e mais logo trabalho-casa) que só percebemos que é rotina quando vivemos em plena liberdade e somos felizes 17 maravilhosos dias, de mapa na mão e chinelo no pé.
Como padeço deste problema de neurite aguda pós-férias, creio que só lá para o final da semana conseguirei dizer qualquer coisa de jeito que não seja lamentar-me por ter que trabalhar e não poder viver dos rendimentos.
Sendo assim vou ali curar esta neura e já volto – sim?
2 de agosto de 2010
Os cisnes reais
Partilhar sala com uma britânica de gema tem-me proporcionado conhecer tradições curiosas da elite inglesa. Hoje aprendi que existem associações que atribuem aos seus membros certos direitos que remontam à época medieval (muito úteis nos dias que correm entenda-se) - tal como o direito de atravessar a London bridge com carneiros ou de ser proprietários de cisnes (esclareca-se que os cisnes por cá são um animal real). Por isso todos os anos decorre durante uma semana no rio Tamisa o "Swan upping", que é nada mais nada menos do que uma contagem de cisnes reais feita por senhores aristocráticos. Vejam mais sobre esta curiosidade se vos interessar aqui.
29 de julho de 2010
LL à descoberta dos autores britânicos
Depois de ter pedido uma sugestão aqui e do MysterOn me ter dado a conhecer o David Lodge, queria dizer-vos que valeu muito a pena e sugerir-vos que se lancem num dos muitos livros do senhor. Eu li (ou antes - absorvi sofregamente) o "Deaf Sentence" e adorei. Entretanto todas as sugestões que tenham - nao se acanhem, e eu agradeço.
26 de julho de 2010
Boa noite
Com um Punhado de estrelas algures do Norte de Africa
I was lying in my bed last night
staring at a ceiling full of stars
When suddenly it hit me
I just have to let you know how I feel
I was lying in my bed last night
staring at a ceiling full of stars
When suddenly it hit me
I just have to let you know how I feel
22 de julho de 2010
E entretanto
E desta feita vou ali a Marrocos inspirar-me e volto já.
Aceitam-se encomendas de especiarias e/ou tapetes e/ou quinquilharia variada (a taxas muito competitivas).
Entretanto deixei umas coisas agendadas para serem publicadas durante a minha ausência, para não deixar este canto entregue a si mesmo e totalmente silencioso.
Fiquem bem. Até lá.
LL
Aceitam-se encomendas de especiarias e/ou tapetes e/ou quinquilharia variada (a taxas muito competitivas).
Entretanto deixei umas coisas agendadas para serem publicadas durante a minha ausência, para não deixar este canto entregue a si mesmo e totalmente silencioso.
Fiquem bem. Até lá.
LL
21 de julho de 2010
Está quase, quase
Féria
nome feminino
1. dia de semana
2. salário semanal do operário
3. rol, lista desses salários
4. [plural] dias feriados em que se suspendem os trabalhos oficiais
5. [plural] determinado número de dias consecutivos, destinados ao descanso de trabalhadores ou estudantes
6. [plural] figurado descanso
(Do lat. ferìa-, «dia de festa»)
nome feminino
1. dia de semana
2. salário semanal do operário
3. rol, lista desses salários
4. [plural] dias feriados em que se suspendem os trabalhos oficiais
5. [plural] determinado número de dias consecutivos, destinados ao descanso de trabalhadores ou estudantes
6. [plural] figurado descanso
(Do lat. ferìa-, «dia de festa»)
20 de julho de 2010
That's how life is
Ter um problema doméstico era a última coisa que me podia acontecer em véspera de férias. Já passei uma hora em telefonemas sucessivos e não consegui evitar usar palavras chave como "poison" e "trap", o que fez com que o meu problema doméstico passasse a ser assunto do 25° de UBS. Já ouvi de tudo – desde que "é muito normal em Londres", que "eu até cresci no campo e não me importo nada" (vai lá viver p'ra casa então), que "há coisas piores" (a consolação recorrente para todos os males no mundo). Já houve debates se quem vai alombar com os custos devemos ser nós ou o senhorio (vamos ser nós mas eu até já me estou nas tintas). E já nem falo do gozo dos amigos e da família em mensagens e telefonemas vários. Obrigadinha a todos – sim?
19 de julho de 2010
Ainda sobre a amizade
Agora aqui sentada nesta secretária, entre papel e cabos e candeeiros e impressoras, para além da promessa de um fim de tarde vivido algures entre uma boa conversa e um copo meio vazio, meio cheio de uma coisa qualquer - mais uma daquelas promessas que deixo morrer do lado de lá da janela da minha sala sem tempo de honrar – e não fosse o calor teimoso que persistiu na pele não obstante os esforços de tentar compensar o exagero de um sol há tanto tempo adiado, já pouco restaria do fim-de-semana passado, senão algumas imagens captadas em fotografias e a memória vaga das conversas que se diluíram no arrastar lento e pesado de horas queimadas num lume deliciosamente brando e preguiçoso. E são esses vestígios de um momento bom vivido sem pressa entre amigos do agora e do depois, algures num recanto perdido na amplitude quente da Beira, que agora me pesam as pálpebras e me tiram as forças ao corpo, como uma resistência inglória em voltar à vida real, ainda que por uns escassos dias antes de pegar nas minhas coisinhas e partir de novo para uns dias mais de liberdade. Mas não sem antes me demorar um pouco mais por aqui esta noite, para deixar registado um obrigada à M., pelo momento e pela amizade.
16 de julho de 2010
No outro dia a minha flatmate perguntava-me se eu tinha alguma implicação especial com os brunchs dos restaurantes de Chelsea e Notting Hill. A explicação para correr para lá (quase) todos os fins-de-semana é porque não desiludem. E quem passa a semana a sonhar com uns bons eggs florentine não pode acabar desiludida. O ultimo fim-de-semana experimentamos o PJ's, em Chelsea – embora seja um pouco invernoso para um belo dia de Verão, prometi voltar a partir de Setembro para provar as coisas maravilhosas que vi passar para as outras mesas.
15 de julho de 2010
Um apontamento pragmático
A partir de ontem podem encontrar aqui ao lado uma "etiqueta" (passo a expressão à mente brilhante que se lembrou de designar isto assim) de Lugares e Sensações (a qualificação da "etiqueta" – sim – já é minha) onde reúno todas as impressões que vou tendo no que a restaurantes e experiências gastronómicas diz respeito. Dos que valem a pena, claro. De outro modo nunca os meus caros amigos se lembrariam de na véspera de uma escapadinha a Londres, andar a vaguear pela baralhação de ideias que anda por aqui, para aproveitar o que vale a pena. Ou que pode valer - não sei – há aí muitos guias à venda, mas eu prefiro sempre ouvir falar o garfo de um amigo.
E obrigada ao VV por me ter dado esta sugestão, ou não fosse pragmático o nome dele do meio.
14 de julho de 2010
Uma noite como outra qualquer
Esta pontada leve mas contínua no canto superior direito da cabeça não me deixa ignorar desde esta manhã que não devia ter bebido aquele último gole de vinho do Porto. Se calhar, o último copo também não me teria feito tanta falta assim. Mas que se lixe, o amanhã pode esperar e as amizades também se constroem em momentos assim: uma noite serena, uma varanda, uma garrafa de Dão e outra de Porto trazidas à socapa na mala de Portugal, um bocadinho de queijo aqui e mais uma coisinha ali, duas amigas, tantas estórias do passado, um presente que nada nos diz sobre o futuro. Só quando o relógio marca já a segunda hora do dia seguinte é que percebemos que a noção de tempo tem aqui uma dimensão diferente, mais vasta, mais imperativa, e por isso ontem à noite foi como se nos conhecêssemos desde sempre.
12 de julho de 2010
Comiseração
Há dias assim. Acordamos com os pés gelados, 5 minutos antes do despertador tocar. Enganamo-nos na torneira e não bastasse o choque da água gelada a lembrar-nos que temos um corpo que precisava do seu tempo para acordar, enfiamos com uma mão cheia de gel de banho de menta da cabeça. E quando finalmente aceitamos que os cereais esgotaram e que vamos ter que esperar 40 minutos e 3 linhas de um metro sufocante para comer qualquer coisa que se assemelhe a um pequeno almoço, já descemos 4 pisos do prédio e estamos a lançar a mão à maçaneta da porta da rua, altura em que percebemos que temos que voltar tudo atrás para recuperar o telemóvel esquecido algures entre um lençol mal esticado e as 3 alternativas de roupas que experimentámos naquela manhã. Sentir a primeira pinga a cair na cabeça e lembrarmo-nos que não só não trouxemos o guarda-chuva, como estamos de sandálias, pois afinal é Verão e não era suposto estar a chover. A meio da viagem esgota-se a bateria do iPOD e tentamos concentrar-nos em qualquer coisa animadora que nos distraia da lengalenga monótona e repetitiva dos transportes públicos desta cidade. Receber telefonemas que preferíamos não ter recebido. Apostar no cavalo errado para o almoço e ganhar como prémio uma mistela de vegetais meios crus e picantes o suficiente para nos causar uma úlcera no estômago. Dividir o café que se tentou tomar para dar um novo fôlego àquele dia entre a camisa branca acabada de estrear e a alcatifa imaculada do corredor mais concorrido do escritório. Estar prestes a acabar o que se está a fazer para fugir o mais que se pode de um dia infernal como aquele e alguém irromper pela nossa sala como se de um demónio de tratasse, a pedir uma coisa "urgente, se possível (mero exercício de retórica), para ainda esta tarde (quando o relógio marca as 6.30)" . Regressar a casa e não só encontrar a janela do quarto aberta como um grupo simpático de mosquitinhos ansiosos por passar connosco a noite.
Há dias assim, em que precisamos de nos convencer que há quem tenha dias piores.
9 de julho de 2010
Poet in the city
Subo pontualmente os 5 andares do prédio que separam a minha secretária do 30° piso e de uma vista desafogada onde – em dias raros de um sol como o de ontem – se consegue descobrir ao longe o emaranhado de cimento e vidro da City e - destacando-se como um troféu erguido com orgulho ao céu laranja fogo dos finais de tarde típicos do Verão Londrino - o singular Gherkin. Surpreende-me a quantidade de pessoas que respondeu ao chamamento literário lusófono e se deslocou a Canary Wharf para ouvir poemas declamados pela boca de poetas de cores e continentes diferentes, unidos por uma língua comum. No final da sessão de leitura, ninguém prescinde de um bom copo de vinho bebido ao som de uma guitarrada Portuguesa – cortesia dos anfitriões do evento - e tanto se demoram no aconchego daquele espaço, iluminado ainda por uma luz quente e tardia, que é com bastante dificuldade que a organização consegue dispersar a audiência, já a noite vai longa.
Eu – bem - eu estou ali por um acaso do destino. Um acaso de um mundo tão pequeno onde é possível acontecer um festival dedicado ao mundo lusófono em Londres, e, de entre os vários eventos, um vir a acontecer no edifício onde passo os meus dias e trazer um poeta que mais do que meu conterrâneo, era um grande amigo do meu avô. E por isso tive o privilégio de acompanhar o poeta no jantar que se seguiu e de conhecer pessoas tão díspares que dedicaram uma vida ao estudo da cultura portuguesa e que, quando falam de Pessoa, de Belo, de Régio, entre tantos outros, sabem bem do que estão a falar. Pessoas que conhecem os acordes e os poemas da música lusa, os contornos da nossa história e que nos engrandecem pela importância e valor que nos dão. Obrigada, Valter.
Eu – bem - eu estou ali por um acaso do destino. Um acaso de um mundo tão pequeno onde é possível acontecer um festival dedicado ao mundo lusófono em Londres, e, de entre os vários eventos, um vir a acontecer no edifício onde passo os meus dias e trazer um poeta que mais do que meu conterrâneo, era um grande amigo do meu avô. E por isso tive o privilégio de acompanhar o poeta no jantar que se seguiu e de conhecer pessoas tão díspares que dedicaram uma vida ao estudo da cultura portuguesa e que, quando falam de Pessoa, de Belo, de Régio, entre tantos outros, sabem bem do que estão a falar. Pessoas que conhecem os acordes e os poemas da música lusa, os contornos da nossa história e que nos engrandecem pela importância e valor que nos dão. Obrigada, Valter.
7 de julho de 2010
Constatação do dia
O meu domínio da informática parou naquela fase dos conhecimentos do Office na óptica do utilizador que tão bem ficavam no CV. Preciso urgentemente de ir passar uma temporada com jovens dos 10 aos 17 anos.
6 de julho de 2010
360°
O bar do restaurante Galvin at Windows fica no 28° piso do Hilton e tem uma vista de 360° sobre a cidade que dificilmente encontrará rival noutro prédio da cidade. Nunca me fascinou muito o ambiente de bar de hotel, nem pagar por um cocktail o preço de um jantar, mas sem dúvida que vale a pena ir lá espreitar.
5 de julho de 2010
Eu e o Croquet
Bastaram umas horas intensivas de treino e alguma (muita!) boa vontade dos meus parceiros de jogo para me sentir um ás desta coisa. Agora daqui para os jardins de HM há-de ser um instantinho.
2 de julho de 2010
Quando o tempo nos ensina a estar errados
No dia em que recebi a notícia que iria deixar de partilhar sala no escritório com uma Argentina sonora e sorridente como eu, para passar a estar à volta de 12 horas fechada numa sala com uma britânica de gema, super posh, super polite, super tudo – achei que não só a minha, mas as nossas vidas se iam tornar num pequeno inferno a partir dali por incompatibilidade de convivência e de feitios. Aliás, eu tinha a certeza que isso ia acontecer. Sonhava com isso. Imaginava-me durante um longo ano amordaçada e cinzenta como as roupas que ela usava e não vislumbrava outra possibilidade de escapar a tal sorte senão tornar-me de tal modo insuportável que fosse necessária intervenção superior (ou divina, quem sabe) para repor a normalidade às nossas vidas.
E o tempo foi passando e foram-se somando horas de convivência forçada, no início silenciosa, depois pontuada com uns pequenos gestos cordiais. As primeiras conversas pessoais surgiram tão naturalmente que nem me apercebi a evolução que era uma inglesa partilhar comigo coisas do seu mundo íntimo fora das 4 paredes de UBS. Hoje ela brinca com o meu timbre de voz e com as minhas trapalhices gramaticais, como eu gozo com o facto dela nunca ter ido a Camden Town e achar que Londres são as casinhas brancas e betinhas de West London.
E a prova de que as circunstâncias da vida e as pessoas nos podem surpreender, será eu estar amanhã a entrar num comboio em direcção a algures na periferia de Londres, a caminho de uma casa de família inglesa para a "festa anual" da família, onde se joga cricket, se bebe chá às 5 da tarde, se janta e acampa por lá. Há 4 meses atrás isto seria ficção ou algo mais perto de um filme cómico, hoje fico feliz por ter deixado que a vida me surpreendesse e mostrasse que posso estar errada, mais desta vez.
E o tempo foi passando e foram-se somando horas de convivência forçada, no início silenciosa, depois pontuada com uns pequenos gestos cordiais. As primeiras conversas pessoais surgiram tão naturalmente que nem me apercebi a evolução que era uma inglesa partilhar comigo coisas do seu mundo íntimo fora das 4 paredes de UBS. Hoje ela brinca com o meu timbre de voz e com as minhas trapalhices gramaticais, como eu gozo com o facto dela nunca ter ido a Camden Town e achar que Londres são as casinhas brancas e betinhas de West London.
E a prova de que as circunstâncias da vida e as pessoas nos podem surpreender, será eu estar amanhã a entrar num comboio em direcção a algures na periferia de Londres, a caminho de uma casa de família inglesa para a "festa anual" da família, onde se joga cricket, se bebe chá às 5 da tarde, se janta e acampa por lá. Há 4 meses atrás isto seria ficção ou algo mais perto de um filme cómico, hoje fico feliz por ter deixado que a vida me surpreendesse e mostrasse que posso estar errada, mais desta vez.
1 de julho de 2010
Sabem aquela sensação
de gostar daquilo que não se entende?
Pois. É o que sinto em relação a esta música. E se calhar em relação a tantas outras coisas.
Pois. É o que sinto em relação a esta música. E se calhar em relação a tantas outras coisas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

























